Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2023
- Código
- fg066903
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatra
- Aa nifedipina.
- Bo atenolol.
- Ca cinzarizina.
- Da pregabalina.
- Eo clonazepam.
GabaritoC — a cinzarizina.
Gabarito: letra C. A cinarizina é um fármaco com ação antidopaminérgica, capaz de induzir parkinsonismo, especialmente em idosos. As demais opções (nifedipina, atenolol, pregabalina e clonazepam) não possuem esse mecanismo de ação relevante para causar síndrome parkinsoniana.
O parkinsonismo medicamentoso é uma das causas mais comuns de síndrome parkinsoniana em idosos, sendo frequentemente subdiagnosticado. O mecanismo central é a redução do tônus dopaminérgico no cérebro, que pode ocorrer por bloqueio direto dos receptores pós-sinápticos de dopamina (como fazem os antipsicóticos e alguns antieméticos) ou por depleção das reservas pré-sinápticas de dopamina. A cinarizina, um antagonista do cálcio usado como antivertiginoso, também bloqueia receptores dopaminérgicos, o que explica seu potencial de causar parkinsonismo. Esse efeito é dose-dependente e mais comum em idosos, podendo levar a um quadro clinicamente indistinguível da doença de Parkinson, com bradicinesia, rigidez e, menos frequentemente, tremor. O tratamento consiste na retirada do agente causador, mas os sintomas podem persistir por meses ou até se tornar permanentes em alguns casos.
É importante distinguir o parkinsonismo medicamentoso da doença de Parkinson idiopática. Na forma induzida por fármacos, o quadro costuma ser simétrico, com início agudo ou subagudo, e há história de uso de medicamento com ação antidopaminérgica. A hiposmia, comum na doença de Parkinson, pode ajudar na diferenciação, mas não é exclusiva. A resposta à levodopa é geralmente pobre no parkinsonismo medicamentoso, e a melhora após a suspensão do fármaco é o critério diagnóstico mais forte.
A banca explora o conhecimento específico sobre quais fármacos têm ação antidopaminérgica. É comum o candidato confundir medicamentos de outras classes, como bloqueadores de canal de cálcio (nifedipina), betabloqueadores (atenolol), gabapentinoides (pregabalina) e benzodiazepínicos (clonazepam), que não possuem esse mecanismo. A cinarizina, apesar de ser um bloqueador de canal de cálcio, tem ação adicional sobre receptores dopaminérgicos, o que a torna única entre as opções.
A nifedipina é um bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico, usado no tratamento da hipertensão e angina. Não possui ação antidopaminérgica relevante e não é causa de parkinsonismo medicamentoso. O erro está em associar um anti-hipertensivo comum a um efeito neurológico que não lhe é característico.
O atenolol é um betabloqueador seletivo, utilizado no tratamento de hipertensão, angina e arritmias. Não interfere no sistema dopaminérgico e não está associado ao desenvolvimento de parkinsonismo. A confusão pode ocorrer por ser um fármaco de uso frequente em idosos, mas seu mecanismo de ação é completamente distinto.
A cinarizina é um antagonista do cálcio com propriedades antivertiginosas, mas também bloqueia receptores dopaminérgicos, o que pode levar ao parkinsonismo, especialmente em idosos. É um dos fármacos mais reconhecidos por causar essa síndrome, juntamente com a flunarizina e a metoclopramida. O mecanismo é o bloqueio dos receptores D2, reduzindo a atividade dopaminérgica central.
A pregabalina é um análogo do GABA, utilizado no tratamento de dor neuropática, epilepsia e transtorno de ansiedade generalizada. Não possui ação antidopaminérgica e não é causa de parkinsonismo. Seu mecanismo envolve a modulação de canais de cálcio voltagem-dependentes, mas sem efeito sobre os receptores de dopamina.
O clonazepam é um benzodiazepínico, potencializador do GABA, usado como ansiolítico, anticonvulsivante e no tratamento de distúrbios do movimento, como mioclonias. Não tem ação antidopaminérgica e, na verdade, pode ser usado no manejo de alguns sintomas parkinsonianos, como tremor. Portanto, não é causa de parkinsonismo medicamentoso.
A banca explora a confusão entre fármacos de uso comum em idosos e o mecanismo antidopaminérgico. Muitos candidatos associam qualquer medicamento cardiovascular ou neurológico ao parkinsonismo, mas apenas aqueles com bloqueio dopaminérgico (como cinarizina, flunarizina, metoclopramida e antipsicóticos) são causas reais. Memorize a lista dos principais agentes causadores e o mecanismo de cada um.
Para questões de parkinsonismo medicamentoso, lembre-se dos fármacos com ação antidopaminérgica: antipsicóticos (haloperidol, risperidona), antieméticos (metoclopramida), antivertiginosos (cinarizina, flunarizina) e alguns bloqueadores de canal de cálcio (cinarizina). Se a alternativa não se encaixar nesses grupos, provavelmente não é a resposta.
Gabarito: letra C
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