Paciente de 72 anos, portador de hipertensão arterial e diabetes, queixa de dor em queimação e aperto na panturrilha direita ao caminhar 100 metros. A dor diminui ou cessa rapidamente quando o paciente para de andar.Diante desse quadro, assinale a opção que indica o tipo de claudicação que o paciente apresenta e o melhor exame para a identificação do quadro mais provável do paciente.
AClaudicação vascular - doppler venoso de membro inferior direito.
BClaudicação ortopédica - tomografia da perna direita.
CClaudicação intermitente - doppler arterial de membro inferior direito.
DClaudicação neurológica – eletroneuromiografia.
EClaudicação intermitente - ressonância magnética de coluna lombar.
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GabaritoC — Claudicação intermitente - doppler arterial de membro inferior direito.
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Claudicação intermitente e doença arterial obstrutiva periférica
Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor em queimação e aperto na panturrilha desencadeada ao caminhar 100 metros e que cessa rapidamente com o repouso — é a apresentação clássica da claudicação intermitente, sintoma patognomônico da doença arterial obstrutiva periférica (DAP). O melhor exame não invasivo para confirmar o diagnóstico é o doppler arterial de membro inferior, que avalia diretamente o fluxo sanguíneo arterial e identifica estenoses/oclusões.
A claudicação intermitente é um sintoma que reflete a insuficiência arterial crônica: durante o exercício, o músculo em atividade demanda mais oxigênio do que a artéria estenosada consegue ofertar, gerando dor isquêmica. A dor é descrita como constritiva, em cãibra ou cansaço, acomete um grupamento muscular específico (mais frequentemente a panturrilha), é desencadeada sempre pelo exercício do membro e desaparece minutos após o repouso. Esse caráter intermitente — dor que surge com o esforço e alivia com a parada — é o aspecto da história clínica que melhor sugere o diagnóstico de DAP.
O paciente do enunciado tem 72 anos, hipertensão arterial e diabetes, fatores de risco clássicos para aterosclerose. A dor em queimação e aperto na panturrilha ao caminhar 100 metros, com alívio rápido ao parar, é exatamente o padrão da claudicação vascular. O exame de escolha para confirmar é o doppler arterial (ultrassonografia duplex) do membro inferior, que avalia a morfologia das ondas de velocidade do fluxo e identifica estenoses. O índice tornozelo-braquial (ITB) é o teste inicial mais simples, mas a questão pede o exame que identifica o quadro — e o doppler arterial é o exame de imagem não invasivo que confirma a DAP.
É fundamental diferenciar a claudicação intermitente da pseudoclaudicação da estenose degenerativa do canal vertebral lombar. Na pseudoclaudicação neurológica, caminhar também agrava a dor nas pernas, mas ela não é aliviada simplesmente pela cessação do exercício — em vez disso, adotar posições que minimizem a extensão lombar (inclinar-se para frente ou sentar) alivia a dor. Essa distinção é o ponto central da questão: o alívio imediato com o repouso em posição ortostática é a marca da claudicação vascular, enquanto a pseudoclaudicação exige mudança postural.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que não domina a diferença entre claudicação vascular e pseudoclaudicação neurológica pode confundir o exame. A alternativa E, por exemplo, mistura o sintoma correto (claudicação intermitente) com um exame inadequado (ressonância magnética de coluna lombar), que seria indicado para investigar a estenose de canal — não a DAP. Guarde o par: dor que alivia com repouso simples = claudicação vascular → doppler arterial; dor que alivia com flexão do tronco = pseudoclaudicação → ressonância de coluna lombar.
Claudicação intermitente (DAP)
1Sintoma
Dor em queimação/aperto
Desencadeada pelo exercício
Alívio com repouso simples
2Fatores de risco
Idade avançada
HAS
Diabetes
3Exame
ITB (triagem)
Doppler arterial (confirma)
4Pseudoclaudicação (estenose de canal)
Sintoma
Dor ao caminhar
Alívio com flexão do tronco
Exame
Ressonância de coluna lombar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O tipo de claudicação está correto (vascular), mas o exame está errado: o doppler venoso avalia o sistema venoso profundo e superficial, sendo indicado para investigar trombose venosa profunda ou insuficiência venosa crônica — não para avaliar a doença arterial obstrutiva periférica. O exame correto para o quadro arterial é o doppler arterial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A claudicação ortopédica não é o diagnóstico: a dor de origem ortopédica (ex.: artrose, tendinite) não tem o padrão de alívio imediato com o repouso em posição ortostática e não é desencadeada por uma distância previsível de caminhada. Além disso, a tomografia da perna não é o exame de escolha para avaliar fluxo arterial — ela avalia estruturas ósseas e partes moles, não a hemodinâmica vascular.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A claudicação intermitente é o sintoma patognomônico da DAP: dor muscular desencadeada pelo exercício e aliviada pelo repouso. O doppler arterial de membro inferior é o exame não invasivo que confirma o diagnóstico, avaliando a morfologia das ondas de fluxo e identificando estenoses ou oclusões arteriais. É a combinação perfeita entre o tipo de claudicação e o exame adequado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A claudicação neurológica (pseudoclaudicação) não se encaixa no quadro: na estenose de canal lombar, a dor não alivia simplesmente com a parada de caminhar, mas com a flexão do tronco. Além disso, a eletroneuromiografia avalia a função dos nervos periféricos e músculos, sendo útil para neuropatias — não é o exame de escolha para DAP.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tipo de claudicação está correto (intermitente), mas o exame está errado: a ressonância magnética de coluna lombar é o exame indicado para investigar a estenose do canal vertebral lombar (pseudoclaudicaçao neurológica), não a doença arterial obstrutiva periférica. Para a DAP, o exame de imagem não invasivo de escolha é o doppler arterial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o exame correto pelo exame da doença que mais confunde com a DAP: a estenose de canal lombar. O aluno que decora que "claudicação intermitente = ressonância de coluna" erra a questão — mas a ressonância é para a pseudoclaudicação, que não alivia com o repouso simples. A chave é o alívio imediato ao parar de andar: isso é vascular, não neurológico.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando vir "dor na panturrilha ao caminhar que melhora com repouso", pense imediatamente em DAP e doppler arterial. Quando vir "dor que melhora ao inclinar o tronco para frente ou sentar", pense em estenose de canal lombar e ressonância de coluna. Essa distinção cai com frequência em provas de geriatria e clínica médica.