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Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2023

MedicinaGeriatria
Código
fg066908
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatra
Paciente de 72 anos, portador de hipertensão arterial e diabetes, queixa de dor em queimação e aperto na panturrilha direita ao caminhar 100 metros. A dor diminui ou cessa rapidamente quando o paciente para de andar.Diante desse quadro, assinale a opção que indica o tipo de claudicação que o paciente apresenta e o melhor exame para a identificação do quadro mais provável do paciente.
  1. AClaudicação vascular - doppler venoso de membro inferior direito.
  2. BClaudicação ortopédica - tomografia da perna direita.
  3. CClaudicação intermitente - doppler arterial de membro inferior direito.
  4. DClaudicação neurológica – eletroneuromiografia.
  5. EClaudicação intermitente - ressonância magnética de coluna lombar.
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GabaritoC — Claudicação intermitente - doppler arterial de membro inferior direito.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Claudicação intermitente e doença arterial obstrutiva periférica

Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor em queimação e aperto na panturrilha desencadeada ao caminhar 100 metros e que cessa rapidamente com o repouso — é a apresentação clássica da claudicação intermitente, sintoma patognomônico da doença arterial obstrutiva periférica (DAP). O melhor exame não invasivo para confirmar o diagnóstico é o doppler arterial de membro inferior, que avalia diretamente o fluxo sanguíneo arterial e identifica estenoses/oclusões.

A claudicação intermitente é um sintoma que reflete a insuficiência arterial crônica: durante o exercício, o músculo em atividade demanda mais oxigênio do que a artéria estenosada consegue ofertar, gerando dor isquêmica. A dor é descrita como constritiva, em cãibra ou cansaço, acomete um grupamento muscular específico (mais frequentemente a panturrilha), é desencadeada sempre pelo exercício do membro e desaparece minutos após o repouso. Esse caráter intermitente — dor que surge com o esforço e alivia com a parada — é o aspecto da história clínica que melhor sugere o diagnóstico de DAP.

O paciente do enunciado tem 72 anos, hipertensão arterial e diabetes, fatores de risco clássicos para aterosclerose. A dor em queimação e aperto na panturrilha ao caminhar 100 metros, com alívio rápido ao parar, é exatamente o padrão da claudicação vascular. O exame de escolha para confirmar é o doppler arterial (ultrassonografia duplex) do membro inferior, que avalia a morfologia das ondas de velocidade do fluxo e identifica estenoses. O índice tornozelo-braquial (ITB) é o teste inicial mais simples, mas a questão pede o exame que identifica o quadro — e o doppler arterial é o exame de imagem não invasivo que confirma a DAP.

É fundamental diferenciar a claudicação intermitente da pseudoclaudicação da estenose degenerativa do canal vertebral lombar. Na pseudoclaudicação neurológica, caminhar também agrava a dor nas pernas, mas ela não é aliviada simplesmente pela cessação do exercício — em vez disso, adotar posições que minimizem a extensão lombar (inclinar-se para frente ou sentar) alivia a dor. Essa distinção é o ponto central da questão: o alívio imediato com o repouso em posição ortostática é a marca da claudicação vascular, enquanto a pseudoclaudicação exige mudança postural.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que não domina a diferença entre claudicação vascular e pseudoclaudicação neurológica pode confundir o exame. A alternativa E, por exemplo, mistura o sintoma correto (claudicação intermitente) com um exame inadequado (ressonância magnética de coluna lombar), que seria indicado para investigar a estenose de canal — não a DAP. Guarde o par: dor que alivia com repouso simples = claudicação vascular → doppler arterial; dor que alivia com flexão do tronco = pseudoclaudicação → ressonância de coluna lombar.

Claudicação intermitente (DAP)
  • 1Sintoma
    • Dor em queimação/aperto
    • Desencadeada pelo exercício
    • Alívio com repouso simples
  • 2Fatores de risco
    • Idade avançada
    • HAS
    • Diabetes
  • 3Exame
    • ITB (triagem)
    • Doppler arterial (confirma)
  • 4Pseudoclaudicação (estenose de canal)
    • Sintoma
      • Dor ao caminhar
      • Alívio com flexão do tronco
    • Exame
      • Ressonância de coluna lombar
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O tipo de claudicação está correto (vascular), mas o exame está errado: o doppler venoso avalia o sistema venoso profundo e superficial, sendo indicado para investigar trombose venosa profunda ou insuficiência venosa crônica — não para avaliar a doença arterial obstrutiva periférica. O exame correto para o quadro arterial é o doppler arterial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A claudicação ortopédica não é o diagnóstico: a dor de origem ortopédica (ex.: artrose, tendinite) não tem o padrão de alívio imediato com o repouso em posição ortostática e não é desencadeada por uma distância previsível de caminhada. Além disso, a tomografia da perna não é o exame de escolha para avaliar fluxo arterial — ela avalia estruturas ósseas e partes moles, não a hemodinâmica vascular.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A claudicação intermitente é o sintoma patognomônico da DAP: dor muscular desencadeada pelo exercício e aliviada pelo repouso. O doppler arterial de membro inferior é o exame não invasivo que confirma o diagnóstico, avaliando a morfologia das ondas de fluxo e identificando estenoses ou oclusões arteriais. É a combinação perfeita entre o tipo de claudicação e o exame adequado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A claudicação neurológica (pseudoclaudicação) não se encaixa no quadro: na estenose de canal lombar, a dor não alivia simplesmente com a parada de caminhar, mas com a flexão do tronco. Além disso, a eletroneuromiografia avalia a função dos nervos periféricos e músculos, sendo útil para neuropatias — não é o exame de escolha para DAP.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tipo de claudicação está correto (intermitente), mas o exame está errado: a ressonância magnética de coluna lombar é o exame indicado para investigar a estenose do canal vertebral lombar (pseudoclaudicaçao neurológica), não a doença arterial obstrutiva periférica. Para a DAP, o exame de imagem não invasivo de escolha é o doppler arterial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o exame correto pelo exame da doença que mais confunde com a DAP: a estenose de canal lombar. O aluno que decora que "claudicação intermitente = ressonância de coluna" erra a questão — mas a ressonância é para a pseudoclaudicação, que não alivia com o repouso simples. A chave é o alívio imediato ao parar de andar: isso é vascular, não neurológico.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando vir "dor na panturrilha ao caminhar que melhora com repouso", pense imediatamente em DAP e doppler arterial. Quando vir "dor que melhora ao inclinar o tronco para frente ou sentar", pense em estenose de canal lombar e ressonância de coluna. Essa distinção cai com frequência em provas de geriatria e clínica médica.

Gabarito: letra C

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