Questão de Medicina — Geriatria — FGV 2023
- Código
- fg066909
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Geriatra
- Acolinérgico.
- Bantimuscarínico.
- Calfa-adrenérgico.
- Dserononinérgico.
- Eantihistamínico.
GabaritoB — antimuscarínico.
Gabarito: letra B. As reações adversas descritas — sonolência, tontura, boca seca e constipação — são efeitos colaterais clássicos do bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina, ou seja, do efeito antimuscarínico da oxibutinina. A oxibutinina é um fármaco anticolinérgico utilizado para reduzir a contratilidade do músculo detrusor na bexiga hiperativa, e é exatamente esse mecanismo que gera os efeitos sistêmicos indesejados.
A incontinência urinária de urgência, também chamada de bexiga hiperativa, caracteriza-se por perda involuntária de urina precedida por uma necessidade súbita e incontrolável de urinar. O tratamento farmacológico de primeira linha baseia-se em fármacos que reduzem as contrações involuntárias do detrusor, o músculo liso da parede vesical. A contração do detrusor é mediada pela acetilcolina, que ativa receptores muscarínicos (principalmente do subtipo M3) presentes na musculatura lisa da bexiga. Ao bloquear esses receptores, a oxibutinina diminui a frequência e a intensidade das contrações, aumentando a capacidade funcional da bexiga e melhorando o controle miccional.
O problema é que os receptores muscarínicos não estão apenas na bexiga — eles estão distribuídos por todo o organismo, incluindo glândulas salivares, trato gastrointestinal, olhos, coração e sistema nervoso central. Por isso, o bloqueio muscarínico sistêmico produz os efeitos adversos típicos: boca seca (xerostomia) pela redução da salivação, constipação pela diminuição da motilidade intestinal, tontura e sonolência por ação no sistema nervoso central, além de outros como visão turva, taquicardia e retenção urinária. Esses efeitos são a "pegadinha" da questão: o aluno precisa reconhecer que o mecanismo terapêutico (antimuscarínico) é o mesmo que causa os efeitos colaterais.
É importante distinguir os termos. "Antimuscarínico" e "anticolinérgico" são frequentemente usados como sinônimos, mas tecnicamente o primeiro é mais específico: refere-se ao bloqueio dos receptores muscarínicos da acetilcolina, enquanto "anticolinérgico" pode abranger também o bloqueio dos receptores nicotínicos. A oxibutinina é um antagonista muscarínico competitivo, e é esse mecanismo que explica tanto a eficácia quanto os efeitos adversos. Os demais mecanismos listados nas alternativas — colinérgico, alfa-adrenérgico, serotoninérgico e antihistamínico — não correspondem ao perfil farmacológico da oxibutinina e não explicariam o quadro clínico apresentado.
Na prática clínica, a escolha do antimuscarínico leva em conta justamente o perfil de efeitos colaterais. Fármacos mais seletivos para o receptor M3, como solifenacina e darifenacina, tendem a causar menos xerostomia. A tolterodina também é uma alternativa com menor incidência de boca seca. No caso da paciente idosa, os efeitos anticolinérgicos centrais (sonolência, tontura) são particularmente preocupantes, pois aumentam o risco de quedas e declínio cognitivo — um ponto que o geriatra deve sempre considerar ao prescrever esses medicamentos.
Guarde o critério decisivo: a oxibutinina é um antagonista muscarínico (antimuscarínico). É esse mecanismo que reduz a contratilidade vesical e, ao mesmo tempo, causa os efeitos adversos descritos. As alternativas que citam outros receptores (colinérgico, alfa-adrenérgico, serotoninérgico, antihistamínico) estão todas incorretas porque não correspondem ao mecanismo de ação do fármaco.
O efeito colinérgico seria o oposto do que a oxibutinina faz. Um fármaco colinérgico (ou agonista muscarínico) estimularia os receptores da acetilcolina, aumentando a contratilidade vesical e a salivação — o que pioraria a incontinência e causaria efeitos como diarreia e lacrimejamento, não os sintomas descritos. A oxibutinina é um antagonista colinérgico, não um agonista.
A oxibutinina é um antimuscarínico (anticolinérgico), ou seja, bloqueia os receptores muscarínicos da acetilcolina. Esse bloqueio reduz as contrações do detrusor, tratando a incontinência de urgência, mas também causa os efeitos adversos sistêmicos: boca seca (redução da salivação), constipação (redução da motilidade intestinal), sonolência e tontura (ação no SNC). É exatamente o mecanismo descrito na alternativa.
O efeito alfa-adrenérgico refere-se à ativação dos receptores alfa-adrenérgicos do sistema nervoso simpático. Fármacos com essa ação são usados, por exemplo, como descongestionantes nasais ou vasopressores, e não têm papel no tratamento da bexiga hiperativa. A oxibutinina não atua nesses receptores, e os efeitos colaterais descritos não são típicos de agonistas alfa-adrenérgicos.
O efeito serotoninérgico envolve a ativação dos receptores de serotonina (5-HT). Embora alguns fármacos com ação serotoninérgica possam influenciar a micção (como a duloxetina, usada na incontinência de estresse), a oxibutinina não é um agente serotoninérgico. Seu mecanismo é exclusivamente anticolinérgico, e os efeitos adversos descritos não são mediados pela serotonina.
O efeito antihistamínico refere-se ao bloqueio dos receptores de histamina (H1), comum em antialérgicos. Embora alguns antihistamínicos possam causar sonolência e boca seca, a oxibutinina não é um antihistamínico — seu mecanismo primário é o bloqueio muscarínico. A alternativa confunde os efeitos colaterais comuns a várias classes de fármacos com o mecanismo de ação específico da oxibutinina.
A banca explora a confusão entre "colinérgico" e "anticolinérgico". O aluno que sabe que a oxibutinina age no sistema colinérgico pode marcar a letra A, mas o termo correto é antimuscarínico (ou anticolinérgico) — a droga bloqueia a acetilcolina, não a estimula. Lembre-se: o prefixo "anti" ou "ant" indica bloqueio, e é esse bloqueio que causa tanto o efeito terapêutico quanto os efeitos adversos.
Para questões de farmacologia, monte uma tabela mental dos principais receptores e seus efeitos: muscarínicos (contração vesical, salivação, motilidade intestinal, miose), nicotínicos (junção neuromuscular, gânglios), alfa-adrenérgicos (vasoconstrição, midríase), beta-adrenérgicos (taquicardia, broncodilatação), histamínicos (vasodilatação, prurido). Ao ver um fármaco, pergunte-se: qual receptor ele bloqueia ou ativa? E quais efeitos sistêmicos isso produz? Essa associação direta resolve a maioria das questões.
Gabarito: letra B
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