Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023
- Código
- fg067143
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Pneumologista Adulto
- AI.
- BII.
- CIV.
- DV.
- EIII.
GabaritoD — V.
Gabarito: letra D (etapa V). Segundo as recomendações da SBPT, os imunobiológicos (anticorpos monoclonais) são indicados como opção terapêutica na etapa V do tratamento da asma, reservada aos pacientes com asma grave não controlada apesar da terapia otimizada com corticoide inalatório em dose alta associado a broncodilatador de longa duração (LABA) e/ou outras medicações de controle. Essa etapa representa o degrau mais alto da escada terapêutica, antes ou em associação ao corticoide oral.
O tratamento da asma é organizado em etapas progressivas (I a V), nas quais se aumenta a intensidade da terapia de manutenção conforme a gravidade e o nível de controle da doença. A lógica é simples: começa-se com medicação de alívio isolada (etapa I), adiciona-se corticoide inalatório em dose baixa (etapa II), depois dose baixa/média de CI associado a LABA (etapa III), depois CI em dose alta associado a LABA e/ou outras drogas (etapa IV) e, no topo, a etapa V, que inclui as opções mais avançadas: imunobiológicos e corticoide oral em dose mínima. A etapa V é o território da asma grave refratária, aquela que permanece não controlada apesar do tratamento máximo otimizado e da correção de fatores modificáveis (adesão, técnica inalatória, comorbidades, exposições).
Os imunobiológicos — como omalizumabe (anti-IgE), mepolizumabe, reslizumabe e benralizumabe (anti-IL-5/anti-IL-5R) e dupilumabe (anti-IL-4Rα) — atuam em vias específicas da inflamação do tipo 2, característica da asma alérgica e eosinofílica. Por isso, antes de indicá-los, a SBPT recomenda a fenotipagem do paciente (eosinófilos no escarro induzido ou no sangue, IgE específica, etc.), para selecionar o imunobiológico mais adequado ao perfil inflamatório. A escolha é personalizada, baseada no fenótipo e no acesso ao medicamento.
Na prática, o paciente que chega à etapa V é aquele que, mesmo com CI em dose alta + LABA (etapa IV), mantém sintomas frequentes, exacerbações recorrentes ou função pulmonar reduzida. Nesse cenário, o imunobiológico entra como opção para tentar alcançar o controle, reduzir exacerbações e poupar corticoide oral. Vale destacar que o brometo de tiotrópio (LAMA) pode ser adicionado antes do imunobiológico, por questões de acessibilidade, mas ambos pertencem ao arsenal da etapa V.
A pegadinha clássica desta questão é confundir a etapa em que os imunobiológicos são introduzidos com etapas anteriores (III ou IV), onde ainda se está otimizando a terapia convencional. A banca explora exatamente o desconhecimento da escada terapêutica: quem não domina a progressão das etapas tende a marcar uma etapa intermediária, achando que o imunobiológico é uma opção precoce. Guarde o critério: imunobiológico = etapa V, sempre após falha da terapia máxima com CI em dose alta + LABA (etapa IV).
A etapa I corresponde à asma intermitente, tratada apenas com broncodilatador de curta duração (SABA) sob demanda, sem medicação de manutenção. Não há qualquer indicação de imunobiológico nesse degrau, reservado aos casos mais leves.
A etapa II é a asma persistente leve, na qual se inicia o corticoide inalatório em dose baixa (ou antileucotrieno como alternativa). O imunobiológico está muito além desse estágio, que ainda não esgotou as opções convencionais de controle.
A etapa III corresponde à asma persistente moderada, com CI em dose baixa/média associado a LABA. Embora seja um degrau de tratamento mais intenso, ainda não é o momento dos imunobiológicos, que só entram após a falha da terapia máxima (etapa IV).
A etapa V é o degrau mais alto da escada terapêutica da asma, indicado para asma grave não controlada. É nela que os imunobiológicos (omalizumabe, mepolizumabe, reslizumabe, benralizumabe, dupilumabe) são opção terapêutica, juntamente com o corticoide oral em dose mínima. A SBPT recomenda que, antes de iniciar o imunobiológico, o paciente seja fenotipado para selecionar a droga mais adequada.
A etapa III (já analisada) não comporta imunobiológicos. A alternativa repete o erro da letra C, tentando confundir o candidato com uma etapa intermediária da escada.
Fechamento: A escada terapêutica da asma é progressiva: I (intermitente) → II (leve) → III (moderada) → IV (grave com CI alta + LABA) → V (grave refratária, com imunobiológicos e/ou CO). O imunobiológico é a arma da etapa V, reservada aos casos mais graves e refratários.
Gabarito: letra D
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