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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg067161
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pneumologista Infantil
Paciente, masculino, 2 meses, vem ao atendimento em emergência devido a quadro de esforço respiratório (retração de fúrcula), inapetência há 2 dias, nega febre.Ao exame: FR: 67irpm, FC: 120bpm, afebril, MVUA com presença de estertores creptantes em base bilateralmente, no momento apresentando taquipneia junto ao esforço relatado previamente. Você define internação de paciente e durante a anamnese é relatado parto vaginal, internação prévia devido a conjuntivite.Nesse caso, o agente etiológico mais provável é
  1. AMycobacterium tuberculosis.
  2. BChlamydia trachomatis.
  3. CStreptococcus pneumoniae.
  4. DStaphylococcus aureus.
  5. EHaemophilus influenzae.
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GabaritoB — Chlamydia trachomatis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pneumonia afebril do lactente: Chlamydia trachomatis

Gabarito: letra B. O quadro de lactente de 2 meses com taquipneia, esforço respiratório, estertores creptantes e afebril, associado ao antecedente de conjuntivite neonatal, é a apresentação clássica da pneumonia afebril do lactente causada por Chlamydia trachomatis — adquirida por transmissão vertical no parto vaginal. A faixa etária (2 meses) e a tríade clínica (conjuntivite prévia + pneumonia afebril + taquipneia) são os elementos decisivos que apontam para esse agente, conforme a tabela de agentes etiológicos por faixa etária em pneumonias pediátricas.

A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma das principais causas de pneumonia afebril em lactentes entre 2 semanas e 3 meses de vida. O mecanismo de transmissão é vertical: a criança adquire a bactéria ao passar pelo canal de parto de mãe infectada, podendo desenvolver inicialmente uma conjuntivite de inclusão (entre 5 e 14 dias de vida) e, posteriormente, a pneumonia (entre 2 e 12 semanas). O quadro clínico é característico: afebril ou com febre baixa, taquipneia progressiva, tosse em estacato (seca, em rajadas), discreto esforço respiratório e, na ausculta, estertores creptantes difusos — frequentemente sem sinais de toxemia. A radiografia costuma mostrar hiperinsuflação com infiltrados intersticiais bilaterais, desproporcionais ao exame físico.

A faixa etária é o principal guia etiológico na pneumonia da infância, como mostra a tabela de agentes por idade: até 2 meses predominam estreptococo do grupo B, enterobactérias, Listeria, Chlamydia trachomatis, Staphylococcus aureus e vírus; entre 2 e 6 meses, Chlamydia trachomatis, vírus, germes da pneumonia afebril, Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus e Bordetella pertussis. O paciente tem exatamente 2 meses — idade em que a clamídia é um dos agentes mais relevantes, especialmente na forma afebril. O antecedente de conjuntivite reforça a suspeita, pois a mesma bactéria que causa a conjuntivite neonatal é a que, semanas depois, causa a pneumonia.

A distinção crucial é entre a pneumonia afebril (típica de clamídia e vírus) e a pneumonia bacteriana clássica (pneumococo, estafilococo, hemófilo), que cursa com febre alta, toxemia e início súbito. O paciente está afebril, sem toxemia — o que afasta os agentes bacterianos típicos e direciona para a clamídia. O Mycobacterium tuberculosis também pode causar pneumonia em lactentes, mas o quadro seria mais arrastado, com febre, e exigiria contato com adulto bacilífero — dado não relatado. A banca explora exatamente essa fronteira: idade + presença/ausência de febre + antecedente de conjuntivite.

Guarde o critério decisivo: lactente jovem (2 semanas a 3 meses) + pneumonia afebril + antecedente de conjuntivite neonatal = *Chlamydia trachomatis*. É essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Pneumonia no lactente (2 meses)
  • 1Febril (toxemia)
    • Streptococcus pneumoniae
    • Staphylococcus aureus
    • Haemophilus influenzae
  • 2Afebril
    • Vírus
    • Chlamydia trachomatis
      • Transmissão vertical (parto vaginal)
      • Conjuntivite neonatal prévia
      • Tosse em estacato
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O Mycobacterium tuberculosis pode causar pneumonia em lactentes, mas o quadro típico cursa com febre, tosse crônica, perda de peso e contato com adulto bacilífero — nenhum desses elementos está presente. A pneumonia tuberculosa no lactente é mais arrastada e não se apresenta como pneumonia afebril aguda com antecedente de conjuntivite. A faixa etária de 2 meses e o quadro afebril tornam a tuberculose improvável.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Chlamydia trachomatis é o agente clássico da pneumonia afebril do lactente entre 2 semanas e 3 meses, adquirida por transmissão vertical no parto vaginal. O antecedente de conjuntivite neonatal (causada pela mesma bactéria) e o quadro de taquipneia com estertores creptantes sem febre são a apresentação típica. A tabela de agentes por faixa etária coloca a clamídia como um dos principais agentes entre 2 e 6 meses, exatamente a idade do paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Streptococcus pneumoniae é o agente bacteriano mais frequente em todas as faixas etárias pediátricas, mas causa pneumonia febril com toxemia, início súbito e achados focais na ausculta. O paciente está afebril e sem toxemia — quadro incompatível com pneumonia pneumocócica típica. A clamídia, não o pneumococo, é o agente da pneumonia afebril do lactente jovem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Staphylococcus aureus pode causar pneumonia em lactentes, mas cursa com febre alta, toxemia e, frequentemente, complicações como pneumatoceles e derrame pleural. O quadro afebril e o antecedente de conjuntivite não são compatíveis com pneumonia estafilocócica. Além disso, o estafilococo é mais comum em pneumonias hospitalares ou pós-virais graves, não na forma afebril do lactente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O Haemophilus influenzae é um agente de pneumonia bacteriana típica, cursando com febre e toxemia. Na faixa etária de 2 meses, não é um dos agentes mais frequentes (aparece com mais relevância entre 7 meses e 5 anos). O quadro afebril e o antecedente de conjuntivite apontam para clamídia, não para hemófilo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pneumonia bacteriana típica (febril, com toxemia) e pneumonia afebril do lactente. O candidato que associa "pneumonia em criança" automaticamente ao pneumococo (agente mais comum em todas as idades) erra — mas a ausência de febre e o antecedente de conjuntivite são as pistas que direcionam para a clamídia. Lembre-se: em lactente jovem, pneumonia afebril + conjuntivite prévia = Chlamydia trachomatis.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de pneumonia na infância, monte mentalmente a tabela por faixa etária: até 2 meses (estreptococo B, enterobactérias, Listeria, clamídia, estafilococo, vírus); 2-6 meses (clamídia, vírus, pneumococo, estafilococo, Bordetella); 7 meses-5 anos (vírus, pneumococo, hemófilo, estafilococo, micoplasma); >5 anos (micoplasma, clamídia, pneumococo). A idade + presença de febre + sintomas associados (conjuntivite, exantema) são os dados que decidem o agente.

Gabarito: letra B

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