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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg067298
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico - Reumatologista
Paciente de 21 anos, feminina, portadora de LES, em uso de hidroxicloroquina 400 mg/d e prednisona 10 mg/dia apresenta dispneia progressiva há 2 semanas, febre diária não aferida, tosse seca e irritativa. Evoluiu com piora da dispneia e hemoptise há 3 horas. Evolui com insuficiência respiratória, hipotensão e FC de 180 bpm. Realizada reposição volêmica e ventilação mecânica. Exames admissionais: Hb 4 g/dL, leucócitos 2700, neutrófilos 1500, linfócitos 900, plaquetas 100.000, DHL 690, haptoglobina 120 mg/dL (VR < 120), bilirrubina direta 0,3 mg/dL e bilirrubina indireta 0,8mg/dL.A alteração que você espera encontrar na TC de tórax é:
  1. Ainfiltrado em vidro fosco na periferia pulmonar e principalmente em bases.
  2. Binfiltrado alveolar difuso em vidro fosco e consolidações, principalmente peri-hilares, poupando ápices.
  3. Caumento cardíaco e infiltrado em vidro fosco e focos de preenchimento alveolar algodonosos bibasais.
  4. Dmicronódulos pulmonares peri-hilares e vidro fosco apicais.
  5. Einfiltrado intersticial difuso associado a opacidades em vidro fosco predominado nos lobos superiores.
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GabaritoB — infiltrado alveolar difuso em vidro fosco e consolidações, principalmente peri-hilares, poupando ápices.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia alveolar difusa no lúpus eritematoso sistêmico: padrão tomográfico

Gabarito: letra B. A paciente com LES em uso de imunossupressores, apresentando anemia grave (Hb 4 g/dL), leucopenia, linfopenia, DHL elevado e hemoptise, tem o quadro clínico-laboratorial clássico de hemorragia alveolar difusa (HAD) — uma complicação grave e potencialmente fatal do lúpus. Na TC de tórax, a HAD se manifesta como infiltrado alveolar difuso em vidro fosco e consolidações, com distribuição predominantemente peri-hilar e poupando os ápices e as regiões subpleurais — exatamente o que descreve a alternativa B. O diagnóstico diferencial com pneumonia (inclusive por Pneumocystis jirovecii, dado o uso de prednisona) é o ponto central da questão, e a distinção se faz pela apresentação clínica e pelos achados de imagem.

A hemorragia alveolar difusa é uma síndrome caracterizada pelo acúmulo de sangue nos espaços alveolares, resultante de dano à microcirculação pulmonar (capilarite, ou sangramento alveolar difuso sem inflamação). No contexto do LES, a HAD é uma manifestação rara, porém grave, que cursa com dispneia progressiva, tosse, febre e hemoptise (que pode estar ausente em até um terço dos casos), além de queda abrupta da hemoglobina — como visto na paciente, que apresenta Hb de 4 g/dL, um valor extremamente baixo e sugestivo de sangramento agudo. Os exames laboratoriais mostram ainda leucopenia, linfopenia e DHL elevado, achados que, em conjunto com a clínica, reforçam a suspeita. A haptoglobina baixa (120 mg/dL, no limite inferior) e a bilirrubina indireta discretamente elevada podem sugerir um componente de hemólise, mas o quadro dominante é o de sangramento alveolar.

Na tomografia computadorizada de tórax, o padrão típico da HAD é o de opacidades em vidro fosco difusas, frequentemente associadas a áreas de consolidação, com distribuição que tende a ser central/peri-hilar, poupando as regiões subpleurais e os ápices. Esse padrão reflete o preenchimento alveolar por sangue, que se acumula preferencialmente nas regiões dependentes e centrais. É importante diferenciar esse padrão do da pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP), que também cursa com vidro fosco difuso, mas costuma ter distribuição mais periférica e simétrica, com predomínio em bases, e está associada a um quadro mais subagudo, com DHL elevado e pouca alteração no leucograma — embora a paciente tenha DHL elevado, a apresentação aguda com hemoptise e anemia grave favorece fortemente a HAD. Outros diagnósticos diferenciais incluem a pneumonia em organização criptogênica (POC), que apresenta opacidades periféricas e em mosaico, e a pneumonia eosinofílica, que cursa com eosinofilia no sangue periférico.

A distinção entre HAD e PCP é crucial, pois o tratamento é completamente diferente: na HAD, está indicada pulsoterapia com metilprednisolona e, frequentemente, ciclofosfamida ou rituximabe, além de medidas de suporte; na PCP, o tratamento é com sulfametoxazol-trimetoprima. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo alternativas que descrevem o padrão tomográfico da PCP (vidro fosco periférico e em bases) como se fosse o da HAD. O padrão peri-hilar poupando ápices é a chave para identificar a HAD e, portanto, a alternativa correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o padrão tomográfico da hemorragia alveolar difusa pelo da pneumonia por Pneumocystis jirovecii. Na PCP, o vidro fosco é difuso, bilateral, frequentemente periférico e com predomínio em bases; na HAD, o infiltrado é alveolar difuso, peri-hilar, poupando ápices e subpleurais. A paciente tem LES e usa prednisona, o que a torna suscetível à PCP, mas a apresentação aguda com hemoptise e anemia grave (Hb 4 g/dL) aponta para HAD. Fique atento: a distribuição do vidro fosco é o detalhe que separa as duas entidades.

Padrão Tomográfico

Hemorragia Alveolar Difusa (HAD)

Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP)

Distribuição das opacidades

Difusa, peri-hilar/central

Difusa, periférica e simétrica

Áreas poupadas

Ápices e regiões subpleurais

Regiões centrais/peri-hilares

Achado predominante

Vidro fosco + consolidações alveolares

Vidro fosco (geralmente sem consolidações extensas)

Apresentação clínica típica

Aguda, com hemoptise e queda abrupta de Hb

Subaguda, com febre e tosse seca

Contexto imunológico

Doença autoimune ativa (ex.: LES)

Imunossupressão (ex.: uso de corticoide)

Hemorragia alveolar difusa (HAD)
  • 1TC de tórax
    • Vidro fosco difuso
    • Consolidações peri-hilares
    • Poupa ápices e subpleurais
  • 2Diferenciais
    • PCP (vidro fosco periférico/bases)
    • Edema cardiogênico (aumento cardíaco)
    • Doenças intersticiais (lobos superiores)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve o padrão de vidro fosco periférico e em bases, que é típico da pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP), não da hemorragia alveolar difusa. Na PCP, o infiltrado em vidro fosco é difuso, bilateral, frequentemente periférico e com predomínio em bases, poupando as regiões centrais. A paciente tem fatores de risco para PCP (uso de prednisona), mas o quadro agudo com hemoptise e anemia grave (Hb 4 g/dL) é muito mais sugestivo de HAD, cujo padrão é peri-hilar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o padrão tomográfico da hemorragia alveolar difusa: infiltrado alveolar difuso em vidro fosco e consolidações, principalmente peri-hilares, poupando os ápices. Esse padrão reflete o preenchimento alveolar por sangue, que se acumula preferencialmente nas regiões centrais e dependentes. A apresentação clínica (dispneia progressiva, hemoptise, anemia grave) e os achados laboratoriais (leucopenia, linfopenia, DHL elevado) confirmam o diagnóstico de HAD no contexto de LES.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Menciona aumento cardíaco, que não é um achado esperado na HAD. O aumento cardíaco pode estar presente em casos de insuficiência cardíaca congestiva, que também pode causar vidro fosco e consolidações, mas o quadro clínico da paciente (hemoptise, anemia grave, leucopenia) não é compatível com ICC. Além disso, a distribuição bibasal com focos algodonosos é mais típica de edema cardiogênico ou pneumonia, não de HAD.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Descreve micronódulos pulmonares peri-hilares e vidro fosco apicais, um padrão que não corresponde à HAD. Micronódulos peri-hilares podem ser vistos em doenças granulomatosas (tuberculose, histoplasmose) ou em neoplasias, mas não são característicos de hemorragia alveolar. O vidro fosco apical também não é o padrão esperado, que é peri-hilar poupando ápices.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Descreve infiltrado intersticial difuso com opacidades em vidro fosco predominando nos lobos superiores. Esse padrão é mais típico de doenças intersticiais como sarcoidose, pneumonite de hipersensibilidade ou tuberculose, que cursam com acometimento de lobos superiores. Na HAD, o padrão é alveolar (não intersticial) e tem distribuição peri-hilar, poupando os ápices.

Gabarito: letra B — o padrão tomográfico da hemorragia alveolar difusa é o infiltrado alveolar difuso em vidro fosco e consolidações peri-hilares, poupando ápices.

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