Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2023
- Código
- fg067336
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Urologista
- Aa abiraterona.
- Ba enzalutamda.
- Co rádio-223.
- Do ácido zoledrômico.
- Eo silipucel-T.
GabaritoA — a abiraterona.
Gabarito: letra A. A abiraterona é um inibidor seletivo e irreversível da isoforma 17 do citocromo P450 (CYP17A1), enzima essencial na síntese de andrógenos — é exatamente esse mecanismo que a questão cobra. As demais drogas atuam por vias distintas: a enzalutamida bloqueia o receptor de androgênio, o rádio-223 é um emissor alfa que visa metástases ósseas, o ácido zoledrônico é um bifosfonato e o sipuleucel-T é uma imunoterapia celular autóloga.
A CYP17 é uma enzima-chave na esteroidogênese, presente tanto nas gônadas quanto nas glândulas adrenais e no próprio tecido tumoral prostático. Ela catalisa duas reações: a 17α-hidroxilação (convertendo pregnenolona e progesterona em seus derivados 17-hidroxi) e a clivagem da cadeia lateral 17,20-liase (que gera DHEA e androstenediona, precursores diretos da testosterona). Ao bloquear essa enzima, a abiraterona suprime a produção de andrógenos em todas as fontes — testicular, adrenal e intratumoral — o que a torna eficaz no câncer de próstata resistente à castração (CPRC), mesmo quando a castração cirúrgica ou química já foi realizada.
O mecanismo de ação é o que diferencia as drogas listadas. A enzalutamida (e também apalutamida e darolutamida) atua como antagonista competitivo do receptor de androgênio, impedindo a translocação nuclear e a transcrição gênica — não interfere na síntese do hormônio. O rádio-223 é um radiofármaco que mimetiza o cálcio e se deposita seletivamente na matriz óssea, emitindo partículas alfa de curto alcance que causam quebra de DNA nas células tumorais ósseas. O ácido zoledrônico é um bifosfonato que inibe a reabsorção óssea osteoclástica, usado para prevenir eventos esqueléticos em metástases ósseas. O sipuleucel-T é uma vacina celular autóloga: as células apresentadoras de antígeno do próprio paciente são coletadas, ativadas ex vivo com uma proteína de fusão (PAP-GM-CSF) e reinfundidas para estimular resposta imune contra o antígeno prostático.
Na prática clínica, a abiraterona é utilizada em combinação com prednisona (para mitigar os efeitos do excesso de mineralocorticoides, como hipertensão e hipocalemia, decorrentes do acúmulo de precursores) tanto no CPRC metastático quanto no câncer de próstata metastático sensível à castração. O contexto de apoio confirma que, em pacientes com doença metastática, a terapia de privação androgênica combinada com abiraterona prolonga a sobrevida global — reforçando seu papel central no arsenal terapêutico.
A pegadinha da banca está em confundir o alvo farmacológico: enquanto a abiraterona bloqueia a síntese do andrógeno (inibindo a CYP17), a enzalutamida bloqueia a ação do andrógeno (no receptor). Essa distinção — inibição enzimática versus antagonismo receptor — é o critério que separa a alternativa correta das demais.
A abiraterona é um inibidor da CYP17A1, a isoforma 17 do citocromo P450. Esse é exatamente o mecanismo descrito no enunciado: bloqueio da enzima que participa da síntese de andrógenos. O contexto de apoio a nomeia como "um novo inibidor de CYP17A1", confirmando a associação direta entre a droga e o alvo enzimático.
A enzalutamida é um antagonista do receptor de androgênio, não um inibidor da CYP17. Ela age bloqueando a ligação da testosterona e da diidrotestosterona ao seu receptor, impedindo a ativação da transcrição gênica — um mecanismo pós-síntese, completamente distinto do bloqueio enzimático da CYP17.
O rádio-223 é um radiofármaco emissor de partículas alfa, que se acumula seletivamente em áreas de remodelação óssea (metástases osteoblásticas) e causa morte celular por dano ao DNA. Não tem qualquer relação com a inibição da CYP17 ou com a via de síntese androgênica.
O ácido zoledrônico é um bifosfonato que inibe a reabsorção óssea mediada por osteoclastos. Seu papel no câncer de próstata é a prevenção de eventos esqueléticos (fraturas, compressão medular) em pacientes com metástases ósseas — não interfere na esteroidogênese nem na CYP17.
O sipuleucel-T é uma imunoterapia celular autóloga: células apresentadoras de antígeno do paciente são ativadas ex vivo e reinfundidas para induzir resposta imune contra o antígeno prostático (fosfatase ácida prostática). Seu mecanismo é imunológico, não enzimático.
Gabarito: letra A
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