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Questão de História — História do Brasil — FGV 2023

HistóriaHistória do Brasil
Código
fg067593
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor II - História
“Ora, não há dúvida de que os índios foram atores políticos importantes de sua própria história e de que, nos interstícios da política indigenista, se vislumbra algo do que foi a política indígena. Sabe-se que as potências metropolitanas perceberam desde cedo as potencialidades estratégicas das inimizades entre grupos indígenas: no século XVI, os franceses e os portugueses em guerra aliaram-se respectivamente aos Tamoios e aos Tupiniquins (Fausto in Carneiro da Cunha [org.] 1992); e no século XVII os holandeses pela primeira vez se aliaram a grupos ‘tapuias” contra os portugueses (Dantas, Sampaio, e Carvalho in Carneiro da Cunha [org] 1992). No século XIX, os Munduruku foram usados para ‘desinfestar’ o Madeira de grupos hostis e os Krahô, no Tocantis, para combater outras etnias Jê.”(CUNHA, Manuela Carneiro da. Índios no Brasil: História, direitos e cidadania. São Paulo: Claroenigma, 2012. p. 23)Entre o impacto da política indígena metropolitana e as iniciativas dos povos originários, há ainda amplo campo de estudos sobre o protagonismo indígena em sua relação com o colonizador.Nesse sentido, a abordagem historiográfica que pode melhor contribuir para esses estudos é a história
  1. Aeconômica.
  2. Bmetódica.
  3. Cdas civilizações.
  4. Dlocal.
  5. Edemográfica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — local.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Protagonismo indígena e abordagem historiográfica

Gabarito: letra D. A abordagem que melhor contribui para o estudo do protagonismo indígena em sua relação com o colonizador é a história local, pois ela permite analisar as alianças, estratégias e ações específicas de grupos indígenas em contextos concretos, como exemplificado no texto com os Tamoios, Tupiniquins, Tapuias, Munduruku e Krahô.

O texto destaca que os índios foram "atores políticos importantes de sua própria história" e que, nos interstícios da política indigenista, se percebe a política indígena. Os exemplos — franceses aliados aos Tamoios, portugueses aos Tupiniquins, holandeses a grupos tapuias, uso dos Munduruku e Krahô — são todos fenômenos localizados, que exigem uma análise micro-histórica para compreender as motivações, negociações e resultados dessas relações. A história local, ao focar em comunidades e regiões específicas, dá voz à agência indígena e evita generalizações excessivas.

1História local
Foco em comunidades e regiões
Capta alianças e agência indígena
Evita generalizações
2História econômica
Privilegia macroprocessos
Invisibiliza agência política
3História metódica
Ênfase em eventos oficiais
Eurocêntrica
4História das civilizações
Categorias amplas
Dificulta especificidade local
Abordagens historiográficas
LEVELsoulevel.com.br
Abordagens historiográficas: História local (Foco em comunidades e regiões, Capta alianças e agência indígena, Evita generalizações); História econômica (Privilegia macroprocessos, Invisibiliza agência política); História metódica (Ênfase em eventos oficiais, Eurocêntrica); História das civilizações (Categorias amplas, Dificulta especificidade local)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A história econômica, embora relevante para entender estruturas produtivas e exploração colonial, não é a mais adequada para captar as alianças políticas e a capacidade de escolha dos grupos indígenas no nível local. Ela tende a privilegiar macroprocessos (ciclos econômicos, comércio, escravidão) em detrimento da agência política dos povos originários.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A história metódica (escola metódica ou positivista) valoriza a narrativa factual e a crítica documental, mas sua ênfase em grandes eventos e personagens oficiais frequentemente invisibiliza a atuação indígena. Além disso, seu caráter eurocêntrico a torna menos sensível às perspectivas nativas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A história das civilizações opera com categorias amplas (como "civilização ocidental", "civilização asteca") e comparações entre grandes conjuntos, o que dificulta a apreensão da especificidade das relações interétnicas em contextos coloniais brasileiros, onde as alianças variavam localmente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A história local permite "esticar as escalas" (no sentido de Revel) para examinar as estratégias indígenas em suas próprias comunidades e em suas interações com agentes coloniais. Ela é capaz de revelar como os índios usavam as rivalidades europeias a seu favor, preservavam autonomia e reinterpretavam políticas metropolitanas. O texto citado é um exemplo clássico desse tipo de análise.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A história demográfica concentra-se em dados populacionais (natalidade, mortalidade, deslocamentos), sendo útil para quantificar impactos, mas insuficiente para compreender as motivações políticas e as alianças que marcam o protagonismo indígena referido no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre abordagens historiográficas, o segredo é atentar para o recorte proposto. Quando o enunciado enfatiza exemplos localizados e a agência de grupos específicos (e não processos gerais), a história local (ou micro-história) é quase sempre a resposta. Treine identificar nas alternativas qual delas foca no particular, no concreto, nas relações face a face — é aí que mora o protagonismo indígena e de outros grupos subalternos.

Gabarito: letra D — história local.

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