Questão de História — História do Brasil — FGV 2023
- Código
- fg067593
- Banca
- FGV
- Órgão
- Prefeitura de São José dos Campos - SP
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor II - História
- Aeconômica.
- Bmetódica.
- Cdas civilizações.
- Dlocal.
- Edemográfica.
GabaritoD — local.
Gabarito: letra D. A abordagem que melhor contribui para o estudo do protagonismo indígena em sua relação com o colonizador é a história local, pois ela permite analisar as alianças, estratégias e ações específicas de grupos indígenas em contextos concretos, como exemplificado no texto com os Tamoios, Tupiniquins, Tapuias, Munduruku e Krahô.
O texto destaca que os índios foram "atores políticos importantes de sua própria história" e que, nos interstícios da política indigenista, se percebe a política indígena. Os exemplos — franceses aliados aos Tamoios, portugueses aos Tupiniquins, holandeses a grupos tapuias, uso dos Munduruku e Krahô — são todos fenômenos localizados, que exigem uma análise micro-histórica para compreender as motivações, negociações e resultados dessas relações. A história local, ao focar em comunidades e regiões específicas, dá voz à agência indígena e evita generalizações excessivas.
A história econômica, embora relevante para entender estruturas produtivas e exploração colonial, não é a mais adequada para captar as alianças políticas e a capacidade de escolha dos grupos indígenas no nível local. Ela tende a privilegiar macroprocessos (ciclos econômicos, comércio, escravidão) em detrimento da agência política dos povos originários.
A história metódica (escola metódica ou positivista) valoriza a narrativa factual e a crítica documental, mas sua ênfase em grandes eventos e personagens oficiais frequentemente invisibiliza a atuação indígena. Além disso, seu caráter eurocêntrico a torna menos sensível às perspectivas nativas.
A história das civilizações opera com categorias amplas (como "civilização ocidental", "civilização asteca") e comparações entre grandes conjuntos, o que dificulta a apreensão da especificidade das relações interétnicas em contextos coloniais brasileiros, onde as alianças variavam localmente.
A história local permite "esticar as escalas" (no sentido de Revel) para examinar as estratégias indígenas em suas próprias comunidades e em suas interações com agentes coloniais. Ela é capaz de revelar como os índios usavam as rivalidades europeias a seu favor, preservavam autonomia e reinterpretavam políticas metropolitanas. O texto citado é um exemplo clássico desse tipo de análise.
A história demográfica concentra-se em dados populacionais (natalidade, mortalidade, deslocamentos), sendo útil para quantificar impactos, mas insuficiente para compreender as motivações políticas e as alianças que marcam o protagonismo indígena referido no texto.
Em questões sobre abordagens historiográficas, o segredo é atentar para o recorte proposto. Quando o enunciado enfatiza exemplos localizados e a agência de grupos específicos (e não processos gerais), a história local (ou micro-história) é quase sempre a resposta. Treine identificar nas alternativas qual delas foca no particular, no concreto, nas relações face a face — é aí que mora o protagonismo indígena e de outros grupos subalternos.
Gabarito: letra D — história local.
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