Questão de História — Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura — FGV 2023
História›Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura
Código
fg067599
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de São José dos Campos - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor II - História
“A escrita da história implica, portanto, a produção de um discurso no qual um narrador oculto ou explicito, o historiador, recompõe, recria, produz fatos e processos a partir das fontes – documentos definidos e classificados institucionalmente ou não -, de forma a atribuir sentido aos processos objetos de análise, buscando compreendê-los e explicá-los na perspectiva da sociedade ou dos grupos que os vivenciaram. Mas a compreensão e a explicação são aquelas de uma pessoa de seu tempo, com suas referências culturais e também teóricas. O pensamento histórico que realiza análise histórica, é do historiador que é um homem ou mulher de uma comunidade profissional de seu tempo. Nesse contexto, o anacronismo é inevitável?”(MONTEIRO, Ana Maria. Tempo presente no ensino de História: o anacronismo em questão. In: GONÇALVES. Marcia de Almeida; ROCHA, Helenice; REZNIK, Luis; MONTEIRO, Ana Maria. Qual o valor da História Hoje? Rio de Janeiro: FGV, 2012. p. 194)A pesquisa e a escrita historiográfica são plenas de questões que desafiam o historiador no exercício de seu ofício. A partir da interpretação do texto, é correto afirmar que
Aa influência do tempo presente torna a escrita da história carente de rigor científico.
Bo tempo presente na vivência do historiador é fator central na operação historiográfica.
Co historiador é o profissional que constrói o seu trabalho afastado das questões políticas.
Do afastamento do historiador do tempo presente é garantia de objetividade científica.
Eo historiador deve evitar a atribuição de sentido aos processos históricos.
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GabaritoB — o tempo presente na vivência do historiador é fator central na operação historiográfica.
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A escrita da história e o tempo presente
Gabarito: letra B. O texto de Ana Maria Monteiro afirma que o historiador é um sujeito de seu tempo, com referências culturais e teóricas que moldam sua análise, e questiona se o anacronismo é inevitável. Isso torna o tempo presente um fator central na operação historiográfica, conforme expresso na alternativa B.
A questão testa a capacidade de interpretar o texto e identificar a ideia central: o historiador não pode se afastar de seu tempo; ao contrário, sua vivência e contexto são parte constitutiva do conhecimento histórico produzido. As demais alternativas distorcem ou contrariam essa premissa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que “a influência do tempo presente torna a escrita da história carente de rigor científico”. O texto não diz que o rigor é perdido; apenas reconhece que a perspectiva do presente é inevitável e influencia a análise. O rigor científico permanece, mas a objetividade absoluta é problematizada. Portanto, a alternativa falseia o conteúdo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que “o tempo presente na vivência do historiador é fator central na operação historiográfica”. Essa é a tese do texto: o historiador é “um homem ou mulher de uma comunidade profissional de seu tempo” e “a compreensão e a explicação são aquelas de uma pessoa de seu tempo”. Logo, o tempo presente é central.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que “o historiador é o profissional que constrói o seu trabalho afastado das questões políticas”. O texto não defende afastamento; pelo contrário, situa o historiador na sociedade e em seu tempo, o que inclui dimensões políticas. A alternativa contraria a ideia de engajamento temporal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que “o afastamento do historiador do tempo presente é garantia de objetividade científica”. O texto questiona justamente a possibilidade de afastamento (“o anacronismo é inevitável?”) e não apresenta esse afastamento como garantia de objetividade. A objetividade é relativizada pela perspectiva do presente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que “o historiador deve evitar a atribuição de sentido aos processos históricos”. O texto diz exatamente o oposto: o historiador “recompõe, recria, produz fatos e processos a partir das fontes […] de forma a atribuir sentido aos processos objetos de análise”. Atribuir sentido é parte essencial do ofício.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a ideia central do texto (tempo presente como elemento inevitável e central) por seu contrário: nas alternativas A e D, sugere que o tempo presente atrapalha o rigor ou que o afastamento dá objetividade. O aluno deve atentar ao que o texto defende — não o que o senso comum pode sugerir.