Questão de Português — Denotação e Conotação — FGV 2023
Português›Denotação e Conotação
Código
fg067742
Banca
FGV
Órgão
Receita Federal
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista-Tributário (manhã)
Observe o relato de uma testemunha de um processo de auditoria fiscal, num diálogo com um fiscal: “Aí o empresário tentou misturar o documento falsificado com outros negócios que estavam numa gaveta, mas ele deu azar e o documento caiu e como eu tava lá, pude apanhar o papel no chão, que é esse que tá aí.”Tendo esse texto como referência, assinale a opção que marca uma característica da língua culta e não da língua popular.
AO emprego de vocábulos de conteúdo geral, como, por exemplo, o vocábulo “negócios”.
BO emprego de conectores em lugar de outros de significados mais específicos, como, por exemplo, “Aí”, na frase inicial.
CA presença de repetições de palavras em busca de precisão, como, por exemplo, a repetição de “documento”.
DA utilização de um hiperônimo para evitar-se a repetição de palavras idênticas, como, por exemplo, “papel”.
EA utilização de expressões da linguagem popular, como, por exemplo, “deu azar”.
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GabaritoD — A utilização de um hiperônimo para evitar-se a repetição de palavras idênticas, como, por exemplo, “papel”.
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Língua culta × língua popular: uso de hiperônimo como recurso formal
Gabarito: letra D. A alternativa D aponta corretamente o uso de um hiperônimo ('papel') para evitar a repetição de 'documento', recurso típico da língua culta (formal). As demais opções ou descrevem traços da língua popular ou não são exclusivas da língua culta.
O relato da testemunha é:
“Aí o empresário tentou misturar o documento falsificado com outros negócios que estavam numa gaveta, mas ele deu azar e o documento caiu e como eu tava lá, pude apanhar o papel no chão, que é esse que tá aí.”
A banca quer identificar qual característica é própria da língua culta (padrão formal) e não da popular. Vejamos:
Hiperônimos para evitar repetição (ex.: "papel" por "documento")
Menos uso de hiperônimos
Expressões
Evita expressões coloquiais
Usa expressões populares (ex.: "deu azar")
Alternativa A — ❌ Incorreta
O emprego de vocábulos de conteúdo geral, como 'negócios', não é exclusivo da língua culta. Tanto a língua popular quanto a culta usam palavras genéricas. Aqui, 'negócios' aparece em sentido coloquial. A alternativa generaliza um traço que não diferencia os registros.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O conector 'Aí' é típico da oralidade e da língua popular, não da culta. A língua culta prefere conectivos mais específicos (como 'então', 'nesse momento'). A opção troca o conceito: apresenta um elemento popular como se fosse culto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repetições de palavras ('documento') são mais comuns na língua popular; a língua culta tende a evitá-las por meio de sinônimos, pronomes ou hiperônimos. Repetir não é recurso de precisão formal, mas sim de informalidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A palavra 'papel' é hiperônimo de 'documento' (todo documento é um papel, mas nem todo papel é documento). Ao substituir 'documento' por 'papel', o falante evita a repetição e emprega um recurso de coesão lexical típico da língua culta. O texto mostra exatamente isso: primeiro 'documento', depois 'papel'.
“...apanhar o papel no chão” (referindo-se ao documento)
Alternativa E — ❌ Incorreta
A expressão 'deu azar' é coloquial/popular, como a própria alternativa reconhece. Logo, é característica da língua popular, não da culta.
Conclusão: A única opção que descreve um traço exclusivo da língua culta é a letra D.
PEGA ESSA DICA!
Ao diferenciar língua culta de popular, lembre-se: a culta valoriza a coesão (evita repetições com sinônimos, pronomes, hiperônimos) e usa conectivos mais precisos; a popular é mais espontânea, com repetições, gírias e conectores simplificados.