Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2023
- Código
- fg067925
- Banca
- FGV
- Órgão
- Receita Federal
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Auditor-Fiscal (manhã)
- AV, V e V.
- BV, V e F.
- CV, F e F.
- DF, F e V.
- EF, F e F.
GabaritoE — F, F e F.
Gabarito: letra E — as três afirmativas são falsas (F, F, F). A chave da questão é a equivalência entre o teste de hipóteses bilateral ao nível de 5% e o intervalo de 95% de confiança: se o valor de cai dentro do intervalo, a hipótese nula não é rejeitada; se cai fora, é rejeitada. Como o intervalo é (0,18; 0,22), apenas está dentro — logo, a afirmativa I é falsa (não se rejeita), a II é falsa (0,15 está fora, então se rejeita) e a III é falsa (0,23 está fora, então a decisão é rejeitar, não inconclusiva).
A relação entre intervalo de confiança e teste de hipóteses é um dos pontos mais cobrados em inferência. Para um teste bilateral com nível de significância , a regra é direta: o conjunto de valores de que não levam à rejeição de coincide exatamente com o intervalo de confiança de nível . Em outras palavras, se o valor hipotético está dentro do intervalo, a decisão é não rejeitar ; se está fora, a decisão é rejeitar . Essa equivalência vale para testes bilaterais e é exatamente o que a questão explora.
Aqui, o intervalo de 95% de confiança para é (0,18; 0,22). Vamos aplicar a regra a cada afirmativa:
I. → está dentro do intervalo → não rejeita . A afirmativa diz que deve ser rejeitada → FALSA.
II. → está fora do intervalo (à esquerda) → rejeita . A afirmativa diz que não deve ser rejeitada → FALSA.
III. → está fora do intervalo (à direita) → rejeita . A afirmativa diz que a decisão é inconclusiva → FALSA.
Portanto, a sequência correta é F, F, F.
Caso | Posição de p₀ no IC (0,18; 0,22) | Decisão correta ao nível de 5% | Afirmativa | Valor lógico |
|---|---|---|---|---|
I (p₀ = 0,2) | Dentro do intervalo | Não rejeitar H₀ | "Deve ser rejeitada" | F |
II (p₀ = 0,15) | Fora do intervalo (à esquerda) | Rejeitar H₀ | "Não deve ser rejeitada" | F |
III (p₀ = 0,23) | Fora do intervalo (à direita) | Rejeitar H₀ | "Decisão inconclusiva" | F |
A afirmativa diz que, se , a hipótese nula deve ser rejeitada ao nível de 5%. Isso está errado: está dentro do intervalo (0,18; 0,22), então a decisão correta é não rejeitar . A banca inverteu a lógica: o valor que coincide com o centro do intervalo é justamente o que mais favorece a hipótese nula.
A afirmativa diz que, se , a hipótese nula não deve ser rejeitada. Isso está errado: está fora do intervalo (à esquerda de 0,18), portanto a decisão correta é rejeitar . O valor está distante do intervalo, indicando que a proporção observada (0,20) é significativamente diferente de 0,15.
A afirmativa diz que, se , a decisão é inconclusiva. Isso está errado: está fora do intervalo (à direita de 0,22), portanto a decisão é rejeitar — não há inconclusão. A banca usou o termo "inconclusiva" para sugerir que valores próximos do limite gerariam dúvida, mas a regra do intervalo é binária: dentro ou fora.
A banca explora a confusão entre "estar dentro do intervalo" e "rejeitar". Muitos candidatos pensam que, se o valor está dentro, a hipótese é rejeitada — mas é o contrário: dentro do intervalo = não rejeita; fora = rejeita. Além disso, o item III usa "inconclusiva" para induzir a ideia de que valores próximos do limite (0,23 vs. 0,22) gerariam dúvida — mas a regra é objetiva: qualquer valor fora do intervalo leva à rejeição. Fique atento: a equivalência entre intervalo e teste é bilateral e vale apenas para o mesmo nível de confiança/significância.
Para resolver questões desse tipo rapidamente, desenhe o intervalo na reta numérica e marque os valores de : se o ponto cai dentro do intervalo, a resposta é "não rejeita"; se cai fora, é "rejeita". Isso evita qualquer cálculo extra e elimina a tentação de usar a estatística do teste. Lembre-se: a equivalência só vale para teste bilateral; em teste unilateral, a relação é diferente (o intervalo de confiança é unilateral).
Gabarito: letra E — F, F, F.
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