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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2023

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
fg068085
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio (Educação Profissional) - Eixo 2 - Ambiente e Saúde
O seguinte fármaco usado no tratamento do diabetes mellitus oferece menor risco de hipoglicemia:
  1. Aglibenclamida.
  2. Binsulina regular.
  3. Cmetformina.
  4. Drepaglinida.
  5. Einsulina ultrarrápida.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — metformina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fármacos antidiabéticos e risco de hipoglicemia

Gabarito: letra C. A metformina é uma biguanida que atua reduzindo a produção hepática de glicose e aumentando a sensibilidade periférica à insulina, sem estimular diretamente a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas — por isso, apresenta risco mínimo de hipoglicemia quando usada em monoterapia. As demais alternativas (glibenclamida, insulina regular, repaglinida e insulina ultrarrápida) são secretagogos ou insulinas exógenas, que aumentam a disponibilidade de insulina e, portanto, têm risco significativo de hipoglicemia.

O diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada por hiperglicemia, e o tratamento farmacológico visa controlar a glicemia para prevenir complicações. Os fármacos antidiabéticos podem ser classificados em dois grandes grupos quanto ao mecanismo de ação: os que aumentam a secreção de insulina (secretagogos) e os que melhoram a ação da insulina ou reduzem a produção hepática de glicose (sensibilizadores). Essa distinção é fundamental para entender o risco de hipoglicemia: fármacos que estimulam a liberação de insulina, como as sulfonilureias e as glinidas, podem causar hipoglicemia porque a secreção de insulina ocorre mesmo quando a glicemia está baixa. Já a metformina, que não estimula a secreção de insulina, raramente causa hipoglicemia isoladamente.

A metformina é considerada o fármaco de primeira linha para o tratamento do diabetes tipo 2, conforme as principais diretrizes. Seu mecanismo de ação envolve a ativação da AMPK (proteína quinase ativada por AMP), resultando em redução da produção hepática de glicose (gliconeogênese) e aumento da captação de glicose nos tecidos periféricos. Por não aumentar a secreção de insulina, a metformina não causa hipoglicemia quando usada isoladamente, sendo segura nesse aspecto. Seus principais efeitos colaterais são gastrintestinais (náuseas, diarreia, desconforto abdominal) e, em casos raros, acidose láctica, especialmente em pacientes com insuficiência renal ou hepática grave.

As sulfonilureias, como a glibenclamida, e as glinidas, como a repaglinida, são secretagogos que estimulam a liberação de insulina pelas células beta. A glibenclamida, em particular, tem ação prolongada e está associada a hipoglicemia de longa duração, sendo recomendado evitá-la em idosos e em pacientes com alto risco de hipoglicemia. As glinidas têm ação mais curta e menor risco de hipoglicemia que as sulfonilureias, mas ainda apresentam risco significativo. As insulinas, tanto a regular quanto as ultrarrápidas, são hormônios exógenos que reduzem a glicemia diretamente e podem causar hipoglicemia se a dose não for adequada à ingestão alimentar ou ao gasto energético.

A tabela abaixo resume o risco de hipoglicemia dos fármacos mencionados na questão:

Fármaco

Classe

Mecanismo

Risco de hipoglicemia

Glibenclamida

Sulfonilureia

Aumenta secreção de insulina

Alto (ação prolongada)

Insulina regular

Insulina

Substitui/estimula ação da insulina

Alto

Metformina

Biguanida

Reduz produção hepática de glicose

Baixo (raro em monoterapia)

Repaglinida

Glinida

Aumenta secreção de insulina

Moderado

Insulina ultrarrápida

Insulina

Substitui/estimula ação da insulina

Alto

A pegadinha da questão está em reconhecer que a metformina, apesar de ser um antidiabético, não é um secretagogo. O candidato que sabe que a metformina é a primeira escolha no tratamento do diabetes tipo 2 e que seu mecanismo não envolve estimulação da secreção de insulina identifica facilmente a alternativa correta. As demais opções são todas secretagogos ou insulinas, que têm risco significativo de hipoglicemia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os mecanismos de ação dos antidiabéticos. O candidato pode pensar que todos os fármacos orais para diabetes aumentam a secreção de insulina, mas a metformina é uma exceção: ela atua reduzindo a produção hepática de glicose e aumentando a sensibilidade à insulina, sem estimular a secreção. Por isso, o risco de hipoglicemia é mínimo. Lembre-se: secretagogos (sulfonilureias, glinidas) e insulinas têm risco alto; sensibilizadores (metformina, pioglitazona) e inibidores da α-glicosidase (acarbose) têm risco baixo.

Antidiabéticos e risco de hipoglicemia
  • 1Alto risco (secretagogos/insulinas)
    • Glibenclamida (ação prolongada)
    • Insulina regular
    • Insulina ultrarrápida
    • Repaglinida (moderado)
  • 2Baixo risco (sensibilizadores)
    • Metformina (biguanida)
    • Pioglitazona
    • Acarbose (inibidora α-glicosidase)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A glibenclamida é uma sulfonilureia que estimula a secreção de insulina pelas células beta, mesmo na ausência de hiperglicemia. Isso confere risco significativo de hipoglicemia, especialmente por sua ação prolongada. O contexto menciona que a glibenclamida e a clorpropamida "por induzirem hipoglicemia de longa duração, se possível, devem ser evitadas", especialmente em idosos. Portanto, não é o fármaco com menor risco de hipoglicemia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A insulina regular é uma insulina de ação rápida, administrada por via subcutânea ou intravenosa. Como é um hormônio exógeno que reduz diretamente a glicemia, apresenta risco alto de hipoglicemia, especialmente se a dose não for ajustada à alimentação ou ao exercício. O contexto destaca que "atentar para hipoglicemias" é um dos eventos adversos das insulinas. Portanto, não é a opção com menor risco.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A metformina é uma biguanida que atua reduzindo a produção hepática de glicose e aumentando a sensibilidade periférica à insulina, sem estimular a secreção de insulina. Por isso, em monoterapia, apresenta risco mínimo de hipoglicemia. O contexto reforça que a metformina é a primeira linha no tratamento do diabetes tipo 2 e que seu perfil de segurança é favorável, com efeitos colaterais principalmente gastrintestinais. É o fármaco com menor risco de hipoglicemia entre as opções.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A repaglinida é uma glinida (meglitinida) que estimula a secreção de insulina pelas células beta, com mecanismo semelhante ao das sulfonilureias, embora com ação mais curta. O contexto menciona que as glinidas "têm menos tendência a causar hipoglicemia do que as sulfonilureias", mas ainda apresentam risco significativo, pois aumentam a secreção de insulina. Portanto, não é a opção com menor risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insulina ultrarrápida (análogo de ação rápida, como lispro, asparte ou glulisina) é uma insulina exógena que reduz a glicemia rapidamente após a administração. Como todas as insulinas, apresenta risco alto de hipoglicemia, especialmente se a dose não for adequada à refeição. O contexto destaca que as insulinas exigem atenção para hipoglicemias. Portanto, não é a opção com menor risco.

Gabarito: letra C — a metformina é o fármaco com menor risco de hipoglicemia, pois não estimula a secreção de insulina.

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