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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg068087
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio (Educação Profissional) - Eixo 2 - Ambiente e Saúde
A valsartana é um fármaco utilizado no tratamento da hipertensão arterial sistêmica e exerce seus efeitos hipotensores
  1. Abloqueando os canais de cálcio presentes nas células do músculo cardíaco.
  2. Bbloqueando os receptores de angiotensina II presentes na musculatura lisa vascular.
  3. Cinibindo a conversão de angiotensina I em angiotensina II.
  4. Dagindo como agonistas de receptores alfa-2 adrenérgicos no sistema nervoso central.
  5. Epromovendo efeito diurético sem perda de potássio pela urina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — bloqueando os receptores de angiotensina II presentes na musculatura lisa vascular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Farmacologia dos anti-hipertensivos: mecanismo de ação da valsartana

Gabarito: letra B. A valsartana é um bloqueador dos receptores de angiotensina II (BRA), exercendo seus efeitos hipotensores ao bloquear os receptores AT1 da angiotensina II presentes na musculatura lisa vascular, impedindo a vasoconstrição mediada por esse hormônio. Essa é a definição clássica da classe dos BRA, que se distingue dos inibidores da ECA (IECA) por atuar diretamente no receptor, e não na enzima conversora.

A valsartana pertence à classe dos bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA), também chamados de antagonistas dos receptores AT1. Para entender seu mecanismo, é preciso revisar o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA): a renina converte angiotensinogênio em angiotensina I; a enzima conversora de angiotensina (ECA) converte angiotensina I em angiotensina II; e a angiotensina II, por sua vez, liga-se aos receptores AT1 presentes na musculatura lisa vascular, glândulas adrenais, rins e coração, desencadeando vasoconstrição, liberação de aldosterona e proliferação de células musculares lisas. Os BRA, como a valsartana, ligam-se seletivamente ao receptor AT1, bloqueando todas essas ações fisiologicamente relevantes da angiotensina II — é exatamente esse o mecanismo que a alternativa B descreve.

A confusão mais comum neste tema é misturar os BRA com os IECA (inibidores da enzima conversora de angiotensina). Os IECA, como captopril e enalapril, atuam inibindo a conversão de angiotensina I em angiotensina II (alternativa C); já os BRA bloqueiam o receptor onde a angiotensina II se liga. Ambos reduzem a ação da angiotensina II, mas em pontos diferentes da via. Outra distinção importante: os BRA não aumentam os níveis de bradicinina (diferentemente dos IECA), o que explica a ausência de tosse como efeito colateral típico.

Na prática clínica, a valsartana é utilizada no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca e pós-infarto, com doses habituais de 80 a 320 mg/dia em tomada única. Seu efeito hipotensor decorre do bloqueio da vasoconstrição mediada pela angiotensina II, reduzindo a resistência vascular periférica. É importante notar que a alternativa B especifica "musculatura lisa vascular" — local onde os receptores AT1 estão presentes e onde o bloqueio produz o efeito hipotensor direto.

A pegadinha da banca está em confundir o mecanismo dos BRA com o de outras classes anti-hipertensivas: bloqueadores de canais de cálcio (alternativa A), IECA (alternativa C), agonistas alfa-2 adrenérgicos centrais (alternativa D) e diuréticos poupadores de potássio (alternativa E). Cada uma dessas classes tem um mecanismo distinto, e a questão testa exatamente essa diferenciação. Guarde a fronteira entre BRA e IECA: um bloqueia o receptor, o outro inibe a enzima — é nela que as alternativas se dividem.

1BRA (valsartana)
Bloqueia receptor AT1
Musculatura lisa vascular
2IECA (captopril, enalapril)
Inibe conversão de angiotensina I em II
3BCC (anlodipino, verapamil)
Bloqueia canais de cálcio
4Alfa-2 agonistas (clonidina)
Agem no SNC
5Diuréticos poupadores de K+ (espironolactona)
Excreção de sódio/água sem perder potássio
Anti-hipertensivos: mecanismos
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Anti-hipertensivos: mecanismos: BRA (valsartana) (Bloqueia receptor AT1, Musculatura lisa vascular); IECA (captopril, enalapril) (Inibe conversão de angiotensina I em II); BCC (anlodipino, verapamil) (Bloqueia canais de cálcio); Alfa-2 agonistas (clonidina) (Agem no SNC); Diuréticos poupadores de K+ (espironolactona) (Excreção de sódio/água sem perder potássio)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O bloqueio dos canais de cálcio presentes nas células do músculo cardíaco é o mecanismo dos bloqueadores de canais de cálcio (BCC), como anlodipino, nifedipino e verapamil. Esses fármacos reduzem a entrada de cálcio nas células musculares lisas vasculares e cardíacas, promovendo vasodilatação e redução da contratilidade. A valsartana não atua em canais de cálcio — seu alvo é o receptor AT1 da angiotensina II.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A valsartana é um bloqueador dos receptores AT1 da angiotensina II (BRA). Ao bloquear esses receptores na musculatura lisa vascular, impede a vasoconstrição mediada pela angiotensina II, resultando em redução da resistência vascular periférica e, consequentemente, da pressão arterial. A alternativa descreve com precisão o mecanismo de ação da classe BRA, conforme a definição clássica da farmacologia cardiovascular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A inibição da conversão de angiotensina I em angiotensina II é o mecanismo dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como captopril, enalapril e lisinopril. A valsartana não inibe a ECA; ela atua mais adiante na via, bloqueando o receptor AT1 onde a angiotensina II se liga. A confusão entre BRA e IECA é a pegadinha clássica desta questão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ação como agonista de receptores alfa-2 adrenérgicos no sistema nervoso central é o mecanismo dos simpatolíticos de ação central, como clonidina e metildopa. Esses fármacos reduzem o tônus simpático central, diminuindo a liberação de catecolaminas e, consequentemente, a pressão arterial. A valsartana não atua no sistema nervoso central — seu alvo é periférico, o receptor AT1.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O efeito diurético sem perda de potássio pela urina é característico dos diuréticos poupadores de potássio, como espironolactona (antagonista da aldosterona) e amilorida. A espironolactona, por exemplo, age no túbulo contornado distal, promovendo excreção de sódio e água com retenção de potássio. A valsartana não tem efeito diurético direto — seu mecanismo é o bloqueio do receptor AT1 da angiotensina II.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o mecanismo dos BRA pelo dos IECA — e foi exatamente isso que ela fez na alternativa C. O candidato que confunde "bloquear o receptor" com "inibir a enzima" cai direto na armadilha. Lembre-se: BRA bloqueia o receptor AT1 (valsartana, losartana); IECA inibe a ECA (captopril, enalapril). Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar os mecanismos das principais classes anti-hipertensivas, monte um mapa mental: BRA → bloqueia receptor AT1; IECA → inibe ECA; BCC → bloqueia canais de cálcio; alfa-2 agonistas → agem no SNC; diuréticos → aumentam excreção de sódio/água. Associe cada classe a um fármaco-representante e ao ponto exato da via onde atua.

Gabarito: letra B

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