Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2023
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg068091
Banca
FGV
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental e Médio (Educação Profissional) - Eixo 2 - Ambiente e Saúde
De acordo com as orientações do Ministério da Saúde para avaliação e rastreamento do risco cardiovascular, um fator considerado de alto risco é
Aobesidade.
Bhipertensão.
Csedentarismo.
Didade > 65 anos.
Ediabetes Melittus.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — diabetes Melittus.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estratificação de risco cardiovascular: o diabetes como condição de alto risco
Gabarito: letra E. Segundo as orientações do Ministério da Saúde para avaliação e rastreamento do risco cardiovascular, o diabetes mellitus é considerado um fator de alto risco, pois confere ao paciente uma probabilidade elevada de evento cardiovascular maior (infarto, AVC ou morte cardiovascular) em 10 anos. As demais alternativas (obesidade, hipertensão, sedentarismo e idade > 65 anos) são fatores de risco importantes, mas não são classificados isoladamente como de alto risco nesse contexto — eles entram como componentes de estratificação ou como fatores agravantes.
A avaliação do risco cardiovascular global é a ferramenta que estima a probabilidade de um indivíduo sofrer um evento vascular maior (infarto, acidente vascular cerebral ou morte cardiovascular) em um período de, por exemplo, 10 anos. Essa estimativa é feita por meio de escores de predição (como as tabelas da OMS, o escore de Framingham ou o escore PREVENT), que utilizam dados como idade, sexo, pressão arterial sistólica, colesterol total, HDL e tabagismo. O diabetes mellitus, por sua vez, é tratado de forma especial: pacientes com diabetes são classificados por tabela específica, e a presença da doença, por si só, já os coloca em uma categoria de risco elevado — embora nem todo diabético seja automaticamente de alto risco, a doença é um dos principais determinantes dessa classificação.
A lógica por trás dessa classificação é que o diabetes acelera o processo aterosclerótico, aumentando a incidência de eventos cardiovasculares. Por isso, as diretrizes e o Ministério da Saúde consideram o diabetes um "equivalente de risco" — ou seja, o paciente diabético tem risco cardiovascular semelhante ao de quem já teve um evento cardiovascular prévio. Isso justifica a adoção de metas terapêuticas mais agressivas para esses pacientes, como controle rigoroso da pressão arterial, uso de estatinas e controle glicêmico.
Na prática, um paciente com diabetes mellitus, mesmo sem doença cardiovascular estabelecida, já é classificado como de alto risco e deve receber intervenções de alta intensidade. Já a obesidade, a hipertensão e o sedentarismo são fatores de risco que, isoladamente, não definem alto risco — eles contribuem para o risco global, mas precisam ser combinados com outros fatores ou com a presença de doença aterosclerótica para elevar o paciente a essa categoria. A idade > 65 anos também é um fator de risco importante, mas não é, por si só, um critério de alto risco; ela aumenta o risco absoluto, mas a classificação depende da combinação com outros fatores.
A pegadinha desta questão está em distinguir "fator de risco" de "condição de alto risco". Todos os itens listados são fatores de risco cardiovascular, mas apenas o diabetes mellitus é considerado, isoladamente, uma condição de alto risco nas orientações do Ministério da Saúde. As demais opções são fatores que, quando presentes, aumentam o risco, mas não o definem como alto por si só.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A obesidade é um fator de risco cardiovascular importante, mas não é classificada isoladamente como condição de alto risco. Ela entra como um dos componentes na estratificação de risco (por exemplo, o IMC ≥ 30 kg/m² é um dos critérios para indicar avaliação de risco), mas o paciente obeso sem outros fatores ou sem doença estabelecida não é automaticamente classificado como alto risco.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipertensão arterial é um fator de risco cardiovascular clássico, mas, isoladamente, não define alto risco. A hipertensão é um dos dados utilizados nos escores de predição (pressão arterial sistólica), e o risco do paciente hipertenso depende da associação com outros fatores, como diabetes, dislipidemia, tabagismo ou lesão de órgão-alvo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sedentarismo é um fator de risco comportamental, mas não é classificado como condição de alto risco. Ele contribui para o risco cardiovascular global, mas a classificação de alto risco depende da presença de doença aterosclerótica estabelecida ou da combinação de múltiplos fatores de risco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A idade > 65 anos é um fator de risco importante, pois aumenta o risco absoluto de eventos cardiovasculares. No entanto, não é, por si só, um critério de alto risco. A idade é um dos componentes dos escores de predição, mas a classificação de alto risco depende da combinação com outros fatores ou da presença de doença cardiovascular estabelecida.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diabetes mellitus é considerado, pelas orientações do Ministério da Saúde, um fator de alto risco cardiovascular. Isso porque o diabetes é um "equivalente de risco": o paciente diabético tem risco cardiovascular semelhante ao de quem já teve um evento cardiovascular prévio, mesmo sem doença estabelecida. Por isso, o diabetes é tratado como condição de alto risco, exigindo intervenções de alta intensidade.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de estratificação de risco, lembre-se: diabetes mellitus é a única condição que, isoladamente, classifica o paciente como alto risco. Obesidade, hipertensão, sedentarismo e idade são fatores de risco que contribuem para o risco global, mas não o definem como alto por si só. Essa distinção é clássica em provas de cardiologia e clínica médica.