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Questão de Geografia — História da Geografia — FGV 2023

GeografiaHistória da Geografia
Código
fg069208
Banca
FGV
Órgão
SEE-MG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica (PEB) - Geografia
Leia o fragmento a seguir.

Armand Frémont pretende renovar e revalorizar o estudo das regiões sob o ângulo do ___, isto é, considerando o espaço como uma dimensão da experiência humana dos lugares. Há, portanto, com a geografia humanista, a valorização de uma dimensão frequentemente esquecida pela ___, que trata o espaço como simples extensão ou como conjunto de entidades físicas puras e desconsidera o fato de que o espaço é cotidianamente apropriado pelos grupos que nele habitam e lhe conferem dimensões simbólicas e estéticas. Assim, Frémont se voltou então, para o passado, e recomendou um retorno ao antigo ___ que tinha caracterizado a escola francesa de geografia desenvolvida por Paul Vidal de Blache.

GOMES, Paulo C. C. Geografia e Modernidade. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro, 1996. (Adaptado)


Em relação à abordagem geográfica proposta pelo geógrafo francês Armand Frémont, assinale a opção cujos termos completam corretamente as lacunas do fragmento acima.

  1. Aterreno – geografia clássica – método regional
  2. Blugar – geografia radical – método crítico
  3. Cterritório – geografia humana – método comparativo
  4. Despaço vivido – geografia racionalista – método monográfico
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GabaritoD — espaço vivido – geografia racionalista – método monográfico

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Armand Frémont e a Geografia Humanista

Gabarito: letra D. O fragmento trata da proposta de Armand Frémont de renovar o estudo das regiões a partir do espaço vivido, contrapondo-se à geografia racionalista (que trata o espaço como mera extensão física) e resgatando o método monográfico da escola regional francesa de Vidal de la Blache. A alternativa D é a única que preenche as três lacunas com os termos corretos.

A questão exige conhecimento da história do pensamento geográfico, especialmente da chamada Geografia Humanista ou Geografia da Percepção, que floresceu na França a partir dos anos 1970. Armand Frémont, geógrafo francês, é um dos principais expoentes dessa corrente, que buscava superar a visão excessivamente quantitativa e abstrata da Geografia Teorética (também chamada de Nova Geografia ou Geografia Pragmática). Para Frémont, a região não deveria ser entendida apenas como uma porção do espaço delimitada por critérios objetivos, mas como um espaço vivido, ou seja, como o conjunto de relações afetivas, simbólicas e cotidianas que os grupos humanos estabelecem com o lugar onde vivem.

Essa abordagem se opõe à geografia racionalista, que, influenciada pelo positivismo e pelo neopositivismo, tratava o espaço como uma superfície mensurável, composta por entidades físicas e passível de análise estatística. Para os racionalistas, o espaço era um dado objetivo, independente da experiência humana. Frémont e os geógrafos humanistas criticam essa visão, argumentando que o espaço é cotidianamente apropriado pelos grupos que nele habitam, que lhe conferem dimensões simbólicas e estéticas. Assim, a região não é apenas uma unidade administrativa ou física, mas um espaço de vida, carregado de significados.

Ao propor o retorno ao método monográfico, Frémont resgata a tradição da escola regional francesa, fundada por Paul Vidal de la Blache. O método monográfico consiste no estudo aprofundado de uma região específica, considerando suas particularidades físicas, humanas e históricas, em contraposição à abordagem generalizante e quantitativa da Geografia Teorética. Vidal de la Blache e seus discípulos, como Jean Brunhes e Albert Demangeon, desenvolveram estudos regionais detalhados, que serviram de base para a compreensão das relações entre sociedade e natureza. Frémont, ao revisitar essa tradição, busca integrar a dimensão subjetiva e vivida do espaço, que havia sido negligenciada pela geografia racionalista.

A pegadinha da questão está na distinção entre os termos que preenchem as lacunas. A alternativa A, por exemplo, sugere "terreno" e "método regional", mas o termo correto para a primeira lacuna é "espaço vivido", que é um conceito central na obra de Frémont. A alternativa B propõe "lugar" e "método crítico", mas o "lugar" é uma categoria mais ampla, enquanto "espaço vivido" é específico da abordagem humanista. A alternativa C sugere "território" e "método comparativo", mas o "território" está mais associado à Geografia Política, e o "método comparativo" não é o foco da proposta de Frémont. A alternativa D, por sua vez, apresenta os termos corretos: "espaço vivido", "geografia racionalista" e "método monográfico".

Armand Frémont
  • 1Geografia Humanista
    • Espaço vivido
    • Experiência humana dos lugares
  • 2Crítica à geografia racionalista
    • Espaço como extensão física
    • Desconsidera dimensão simbólica
  • 3Resgate do método monográfico
    • Escola regional francesa
    • Vidal de la Blache
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A propõe "terreno – geografia clássica – método regional". O termo "terreno" não é utilizado por Frémont para designar o espaço da experiência humana; o correto é "espaço vivido". Além disso, "geografia clássica" não é a corrente criticada por Frémont, que se opõe à "geografia racionalista". O "método regional" é uma expressão genérica, mas o termo específico resgatado por Frémont é o "método monográfico", que caracteriza a escola vidaliana. Portanto, a alternativa A está incorreta por não utilizar os termos precisos do fragmento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B propõe "lugar – geografia radical – método crítico". O termo "lugar" é uma categoria da Geografia Humanista, mas não é o termo central da proposta de Frémont, que utiliza "espaço vivido". A "geografia radical" é uma corrente diferente, associada a autores como Milton Santos e David Harvey, que enfatiza a crítica social e a justiça espacial, não a dimensão simbólica e estética do espaço. O "método crítico" também não é o método resgatado por Frémont, que se volta ao "método monográfico" da escola regional francesa. Portanto, a alternativa B está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C propõe "território – geografia humana – método comparativo". O termo "território" está mais associado à Geografia Política e à noção de poder e controle, não à dimensão vivida e simbólica do espaço. A "geografia humana" é uma área ampla, mas a corrente criticada por Frémont é a "geografia racionalista", que trata o espaço como extensão física. O "método comparativo" é uma abordagem metodológica, mas não é o método específico resgatado por Frémont, que é o "método monográfico". Portanto, a alternativa C está incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D propõe "espaço vivido – geografia racionalista – método monográfico", que são exatamente os termos que completam as lacunas do fragmento. O "espaço vivido" é o conceito central da proposta de Frémont, que considera o espaço como dimensão da experiência humana. A "geografia racionalista" é a corrente criticada, que trata o espaço como simples extensão ou conjunto de entidades físicas. O "método monográfico" é o método resgatado por Frémont, que caracterizou a escola regional francesa de Vidal de la Blache. Portanto, a alternativa D está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os termos "espaço vivido" e "lugar". Enquanto "lugar" é uma categoria mais ampla da Geografia Humanista, "espaço vivido" é o termo específico utilizado por Frémont para designar a região como experiência humana. Além disso, a banca troca "geografia racionalista" por "geografia clássica" ou "geografia humana", e "método monográfico" por "método regional" ou "método comparativo". Fique atento a essas distinções para não cair na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre história do pensamento geográfico, memorize os principais autores e suas contribuições: Vidal de la Blache (método monográfico, escola regional), Armand Frémont (espaço vivido, Geografia Humanista), Milton Santos (geografia crítica, espaço como totalidade), e a Geografia Teorética (quantitativa, racionalista). Essa tabela ajuda a fixar:

Autor

Corrente

Conceito-chave

Método

Vidal de la Blache

Escola Regional Francesa

Região

Monográfico

Armand Frémont

Geografia Humanista

Espaço vivido

Monográfico (resgatado)

Milton Santos

Geografia Crítica

Espaço como totalidade

Crítico

Geografia Teorética

Quantitativa

Espaço como extensão

Racionalista

Gabarito: letra D

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