Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2023
Português›Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg069255
Banca
FGV
Órgão
SEE-MG
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Educação Básica (PEB) - Língua Portuguesa
Observe o segmento introdutório do texto de Machado de Assis:“Meses depois fui para o seminário de São José. Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto alguma exageração; mas é bom ser enfático, uma ou outra vez, para compensar este escrúpulo de exatidão que me aflige.”Sobre esse fragmento, assinale a afirmativa correta
AO fragmento “este escrúpulo de exatidão que me aflige” mostra as preocupações românticas do narrador.
BO fragmento do texto é inteiramente narrativo, abrangendo fatos da vida do narrador.
CO narrador do texto é um personagem da história narrada, daí que não possa ser onisciente.
DA história é narrada em terceira pessoa, para que haja distanciamento de uma visão crítica.
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GabaritoC — O narrador do texto é um personagem da história narrada, daí que não possa ser onisciente.
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Análise do fragmento de Machado de Assis
Gabarito: letra C. O fragmento é narrado em primeira pessoa (verbos "fui", "chorei", pronome "me"), evidenciando que o narrador é também um personagem da história. Por ser personagem, ele não tem acesso aos pensamentos de outros ou a eventos que não presenciou, ou seja, não é onisciente. O texto não fornece elementos para afirmar onisciência.
Narrador-personagem (1ª pessoa): Características (Participa da história, Visão limitada, Não é onisciente); Marcas textuais (Verbos em 1ª pessoa ("fui", "chorei"), Pronomes ("me", "eu")); Consequência (Sem acesso a pensamentos alheios, Sem acesso a eventos não presenciados)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o trecho "este escrúpulo de exatidão que me aflige" mostra preocupações românticas do narrador. O texto, porém, não associa o escrúpulo de exatidão a nenhum ideal romântico; ao contrário, o narrador ironiza sua própria preocupação com a exatidão, indicando um traço mais realista ou irônico. A alternativa extrapola ao atribuir um significado não presente no fragmento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca insere um conceito externo ("preocupações românticas") que não está ancorado no texto, tentando induzir o candidato a uma interpretação literária pré-concebida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o fragmento é "inteiramente narrativo, abrangendo fatos da vida do narrador". Embora haja trecho narrativo ("Meses depois fui para o seminário..."), o fragmento também contém reflexões subjetivas do narrador: "Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei...", "Há nisto alguma exageração...". Essas passagens são comentários do narrador sobre os fatos, não meramente fatos narrados. Portanto, o texto não é inteiramente narrativo. A alternativa restringe indevidamente o teor do fragmento, ignorando os elementos reflexivos e metalinguísticos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O fragmento emprega a primeira pessoa do singular ("fui", "eu", "me"), indicando que o narrador é um personagem da história – no caso, o protagonista que vai para o seminário. Um narrador personagem tem visão limitada, não podendo saber o que outros pensam ou sentir, ou seja, não é onisciente. Essa característica é clássica em narrativas em primeira pessoa. O texto não oferece qualquer indicação de onisciência. Portanto, a afirmativa está correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a história é narrada em "terceira pessoa, para que haja distanciamento de uma visão crítica". No fragmento, no entanto, predomina a primeira pessoa ("fui", "eu"). Não há uso de terceira pessoa. Além disso, o distanciamento crítico não é um fator presente no texto; o narrador expressa emoções pessoais ("lágrimas que chorei", "aflige"). A alternativa contradiz diretamente o texto ao afirmar o oposto do que está escrito.
Conclusão: A única alternativa integralmente sustentada pelo fragmento é a C. As demais incorrem em extrapolação, restrição ou contradição textual.