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Questão de Biologia — Vertebrados — FGV 2023

BiologiaVertebrados
Código
fg069746
Banca
FGV
Órgão
SME - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental II e Médio - Biologia
À medida que um mamífero moderno se desenvolve no corpo da mãe, dois ossos do crânio se tornam ossos da orelha média. No entanto, à medida que um lagarto moderno se desenvolve em seu ovo, os mesmos dois ossos estão ligados à mandíbula. Os ossos são o articular e o quadrado que, na orelha média dos mamíferos, são, respectivamente, o martelo e a bigorna, como indica a imagem a seguir.Imagem associada para resolução da questão(Adaptado de https://evolution.berkeley.edu/examples-of-homology/from-jaws-to-ears/)O exemplo citado é um caso de estruturas
  1. Ahomólogas, que apresentam funções diferentes, por conta da irradiação adaptativa.
  2. Banálogas, que apresentam funções diferentes, por conta da evolução divergente.
  3. Canálogas, que apresentam origens embrionárias diferentes e evoluíram por irradiação adaptativa.
  4. Dhomólogas, que apresentam funções diferentes, por conta da evolução convergente.
  5. Evestigiais, pois nos mamíferos os dois ossos se atrofiam e perdem suas funções, graças à evolução divergente.
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GabaritoA — homólogas, que apresentam funções diferentes, por conta da irradiação adaptativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estruturas homólogas e análogas: evidências da evolução

Gabarito: letra A. O exemplo do articular/quadrado (lagarto) e martelo/bigorna (mamífero) é um caso clássico de estruturas homólogas — mesma origem embrionária, funções diferentes —, resultado da irradiação adaptativa (evolução divergente). A alternativa A é a única que combina corretamente os dois conceitos.

O que está em jogo aqui é a distinção entre dois tipos de estruturas que a evolução produz. Estruturas homólogas são aquelas que compartilham a mesma origem embrionária e o mesmo plano básico de construção, mas que podem desempenhar funções diferentes em espécies distintas. Elas são a evidência mais forte de ancestralidade comum: dois grupos que herdam a mesma estrutura de um ancestral compartilhado. Já as estruturas análogas têm origens embrionárias diferentes, mas exercem a mesma função — são o resultado da evolução convergente, em que pressões seletivas semelhantes moldam soluções parecidas em linhagens não aparentadas.

O caso dos ossículos da orelha média é um dos exemplos mais didáticos de homologia. Nos répteis (como o lagarto), o osso articular e o osso quadrado fazem parte da articulação da mandíbula. Nos mamíferos, esses mesmos dois ossos migraram para a orelha média e se transformaram, respectivamente, no martelo e na bigorna — ossículos responsáveis por transmitir as vibrações sonoras do tímpano para a janela oval. A origem embrionária é a mesma (derivados do primeiro arco branquial, o arco mandibular), mas a função mudou completamente: de articulação da mandíbula para transmissão do som. É exatamente isso que caracteriza uma homologia: a mesma estrutura ancestral, modificada por seleção natural em diferentes linhagens, assumindo funções distintas.

A irradiação adaptativa é o processo evolutivo que explica essa diversificação. Quando um grupo ancestral dá origem a várias linhagens que ocupam diferentes nichos ecológicos, cada uma delas passa por adaptações específicas — e estruturas que eram homogêneas no ancestral se diversificam. No caso dos ossículos, a linhagem que levou aos mamíferos sofreu uma reorganização craniana que permitiu a audição mais eficiente, enquanto a linhagem dos répteis manteve a função mandibular. É importante notar que irradiação adaptativa é um tipo de evolução divergente: as linhagens se separam e acumulam diferenças ao longo do tempo. O termo "evolução convergente" se aplica ao caso oposto — quando estruturas de origens diferentes se tornam semelhantes por pressões seletivas parecidas, como as asas de aves e insetos.

A pegadinha da questão está em associar "funções diferentes" com "evolução convergente". O candidato que decora que "homólogas = funções diferentes" e "análogas = funções iguais" pode ser tentado a marcar a alternativa D, que troca irradiação adaptativa por evolução convergente. Mas a lógica é outra: estruturas homólogas com funções diferentes são o resultado da divergência (irradiação adaptativa), enquanto estruturas análogas com funções iguais são o resultado da convergência. A alternativa A é a única que acerta os dois termos.

Guarde a fronteira: homóloga = mesma origem, função pode variar, evolução divergente; análoga = origens diferentes, mesma função, evolução convergente. É exatamente nesse par que as alternativas se dividem.

Critério

Estruturas Homólogas

Estruturas Análogas

Origem embrionária

Mesma

Diferente

Função

Pode variar (diferente)

Semelhante (mesma)

Processo evolutivo

Irradiação adaptativa (evolução divergente)

Evolução convergente

Exemplo clássico

Articular/quadrado (lagarto) → martelo/bigorna (mamífero)

Asas de aves e insetos

Estruturas homólogas
  • 1Mesma origem embrionária
  • 2Funções podem diferir
  • 3Evolução divergente
  • 4Ex.: articular/quadrado → martelo/bigorna
  • 5Estruturas análogas
    • Origens embrionárias diferentes
    • Mesma função
    • Evolução convergente
    • Ex.: asas de ave e inseto
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o exemplo é de estruturas homólogas, que apresentam funções diferentes, por conta da irradiação adaptativa. Isso está perfeitamente correto: o articular e o quadrado do lagarto são homólogos ao martelo e à bigorna do mamífero, pois compartilham a mesma origem embrionária (primeiro arco branquial). A função mudou — de articulação mandibular para audição —, e essa mudança é fruto da irradiação adaptativa, um processo de evolução divergente em que linhagens descendentes de um ancestral comum se diversificam em nichos diferentes. A alternativa amarra os três conceitos (homologia, função diferente, irradiação adaptativa) de forma coerente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar as estruturas como análogas. Estruturas análogas têm origens embrionárias diferentes e funções semelhantes — exatamente o oposto do caso descrito. O articular/quadrado e o martelo/bigorna têm a mesma origem embrionária (derivados do arco mandibular) e funções diferentes (mandíbula vs. audição). Além disso, a alternativa menciona "evolução divergente", que é o processo correto para homólogas, mas o associa ao termo errado "análogas". A combinação "análogas + evolução divergente" é contraditória: análogas surgem por convergência, não por divergência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa repete o erro de classificar como análogas e ainda afirma que têm "origens embrionárias diferentes" — o que é falso, pois a origem é a mesma. Além disso, atribui a evolução à irradiação adaptativa, que é um processo de divergência, não de convergência. A alternativa mistura os conceitos de forma incoerente: análogas não evoluem por irradiação adaptativa, e a origem embrionária não é diferente. É uma alternativa que erra em todos os pontos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa acerta ao classificar as estruturas como homólogas e ao dizer que apresentam funções diferentes, mas erra ao atribuir isso à evolução convergente. A evolução convergente é o processo que gera estruturas análogas — origens diferentes, funções semelhantes. No caso dos ossículos, a função é diferente (mandíbula vs. audição), o que indica evolução divergente (irradiação adaptativa), não convergente. A alternativa troca o processo evolutivo, criando uma contradição interna: homólogas com funções diferentes não podem ser resultado de convergência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os ossos são vestigiais e que se atrofiam nos mamíferos. Isso é um erro conceitual grave. Estruturas vestigiais são resquícios de órgãos que perderam sua função original ao longo da evolução (como o apêndice humano). No caso dos ossículos, eles não se atrofiam nem perdem função — pelo contrário, adquirem uma nova função (audição) e se tornam essenciais. Além disso, a alternativa menciona "evolução divergente", que seria o processo correto para homólogas, mas o associa a um fenômeno que não ocorre. Os ossículos são um exemplo de homologia, não de vestigialidade.

Gabarito: letra A.

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