Questão de Física — Física Atômica e Nuclear — FGV 2023
Física›Física Atômica e Nuclear
Código
fg069898
Banca
FGV
Órgão
SME - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental II e Médio - Física
Os espectros de emissão de energia de radiação ionizante, podem ser caracterizados em dois principais grupos: aqueles que consistem em uma ou mais energias específicas – espectro discreto e aqueles que consistem em uma distribuição contínua de energia – espectro contínuo.Dentre as emissões de radiações a seguir, assinale a opção que apresenta a única que apresenta um espectro contínuo.
APartículas β.
BRaios ɣ.
CElétron de conversão interna.
DRaios X.
EAuger.
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GabaritoA — Partículas β.
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Espectros de emissão de radiação ionizante: discreto × contínuo
Gabarito: letra A. As partículas β (beta) são elétrons ou pósitrons emitidos no decaimento nuclear com uma distribuição contínua de energias, que vai de zero até um valor máximo característico — por isso seu espectro é contínuo. As demais opções (raios γ, elétrons de conversão interna, raios X característicos e elétrons Auger) apresentam espectro discreto, com energias bem definidas. Essa é a distinção central que a questão explora.
O espectro de emissão de uma radiação descreve como a energia se distribui entre as partículas ou fótons emitidos. Quando a radiação é emitida com uma ou poucas energias específicas, temos um espectro discreto (linhas bem definidas); quando a energia se distribui de forma contínua entre um valor mínimo e um máximo, temos um espectro contínuo. Essa diferença não é meramente acadêmica: ela revela o mecanismo físico de emissão.
No decaimento beta, um nêutron se transforma em próton (ou vice-versa) no núcleo, emitindo uma partícula β (elétron ou pósitron) e um antineutrino (ou neutrino). A energia liberada no decaimento é compartilhada entre a partícula β e o neutrino de forma aleatória: ora a partícula β leva quase toda a energia, ora o neutrino leva quase tudo. Como essa partilha é estatística, as partículas β emergem com energias que variam continuamente de zero até a energia máxima do decaimento (Q). Por isso, o espectro beta é contínuo — essa é a assinatura experimental clássica da radioatividade beta.
Já as emissões gama, os raios X característicos, os elétrons de conversão interna e os elétrons Auger têm origem em transições entre níveis de energia quantizados. No caso dos raios γ, o núcleo excitado decai para um nível de menor energia emitindo um fóton com energia exatamente igual à diferença entre os dois níveis — um valor discreto. O mesmo ocorre com os raios X característicos: um elétron de uma camada mais externa preenche uma vacância em uma camada mais interna, e a diferença de energia entre os níveis é emitida como fóton de energia bem definida. Na conversão interna, o núcleo excitado transfere sua energia diretamente a um elétron orbital, que é ejetado com energia cinética igual à diferença entre a energia de transição e a energia de ligação do elétron — também um valor discreto. No efeito Auger, a vacância deixada por um elétron ejetado é preenchida e a energia liberada é transferida a outro elétron do átomo, que é ejetado com energia cinética característica — novamente discreta.
A pegadinha da questão está em associar "raios X" a espectro contínuo, pois os raios X de frenamento (bremsstrahlung) realmente têm espectro contínuo. No entanto, a alternativa D se refere aos raios X característicos, que são emitidos com energias discretas, específicas de cada elemento. A banca explora exatamente essa confusão entre raios X característicos (discretos) e raios X de frenamento (contínuos).
Guarde a fronteira: emissões que envolvem transições entre níveis de energia quantizados (núcleo ou átomo) produzem espectro discreto; emissões que envolvem partilha estatística de energia (como no decaimento beta) produzem espectro contínuo. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Tipo de radiação
Espectro
Origem da emissão
Partículas β
Contínuo
Partilha estatística de energia entre a partícula β e o neutrino/antineutrino no decaimento nuclear
Raios γ
Discreto
Transição entre níveis de energia quantizados do núcleo excitado
Elétron de conversão interna
Discreto
Transferência direta da energia de transição nuclear a um elétron orbital
Raios X (característicos)
Discreto
Transição eletrônica entre níveis atômicos quantizados (preenchimento de vacância)
Elétron Auger
Discreto
Transferência da energia de transição eletrônica a outro elétron do átomo
Espectros de emissão
1Contínuo
Partículas β (partilha estatística com neutrino)
2Discreto
Raios γ (transição nuclear)
Raios X característicos (transição atômica)
Conversão interna (energia bem definida)
Elétrons Auger (energia característica)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As partículas β são emitidas no decaimento beta com uma distribuição contínua de energias, de zero até a energia máxima do decaimento (Q). Isso ocorre porque a energia liberada é partilhada aleatoriamente entre a partícula β e o neutrino/antineutrino. O espectro beta é, portanto, contínuo — é a única das opções com essa característica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os raios γ são fótons emitidos quando o núcleo excitado decai para um nível de menor energia. A energia do fóton é exatamente a diferença entre os dois níveis nucleares, um valor discreto. O espectro gama é, portanto, discreto, com linhas bem definidas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O elétron de conversão interna é ejetado com energia cinética igual à diferença entre a energia de transição nuclear e a energia de ligação do elétron orbital. Como essa diferença é um valor bem definido, o espectro é discreto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Os raios X característicos são emitidos quando um elétron de uma camada mais externa preenche uma vacância em uma camada mais interna, com energia igual à diferença entre os níveis atômicos — um valor discreto. A confusão possível é com os raios X de frenamento (bremsstrahlung), que têm espectro contínuo, mas a alternativa se refere aos raios X característicos, que são discretos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O elétron Auger é ejetado com energia cinética característica, igual à diferença entre a energia da transição eletrônica e a energia de ligação do elétron ejetado. Como essa energia é bem definida, o espectro é discreto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre raios X característicos (espectro discreto) e raios X de frenamento/bremsstrahlung (espectro contínuo). Na prova, ao ver "raios X", verifique se o contexto indica emissão característica (transição entre níveis atômicos → discreto) ou frenamento (desaceleração de elétrons → contínuo). Aqui, o contexto de radiação ionizante e a comparação com outras emissões nucleares apontam para os raios X característicos, discretos.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se: espectro contínuo = partilha estatística de energia (decaimento beta). Espectro discreto = transição entre níveis quantizados (gama, raios X característicos, conversão interna, Auger). Se a questão perguntar qual é contínuo, a resposta quase sempre será partículas beta.