Professor de Ensino Fundamental II e Médio - Geografia
“A cartografia social tem se configurado como uma importante metodologia participativa para o engajamento político e social de comunidades tradicionais e grupos sociais fragilizados social e economicamente.”GOMES, M. de F. V. B. Cartografia social e Geografia escolar: aproximações e possibilidades. Revista Brasileira de Educação em Geografia, 2017.Sobre o tema geográfico apresentado, analise as afirmativas a seguir.I. Enquanto a cartografia convencional privilegia o espaço euclidiano, o território enquanto estado-nação, a precisão e a pretensa neutralidade, a cartografia social prioriza o espaço vivido, o território e as questões de territorialidade das comunidades e dos grupos sociais envolvidos no mapeamento.II. É na troca horizontal de saberes entre pesquisadores, técnicos e sujeitos sociais, que se alicerça a produção e o conhecimento sobre o território. Por isso, utilizam-se metodologias qualitativas em detrimento das quantitativas. Neste aspecto, quanto mais as comunidades se apropriam das tecnologias e metodologias do mapeamento, menor será sua autonomia e fortalecimento.III. Na Cartografia Social, produzir o mapa é reconhecer-se como sujeito de direito ao território e uma maneira de apropriá-lo.Está correto o que se afirma em
AI, apenas.
BI e II, apenas.
CI e III, apenas.
DII e III, apenas.
EI, II e III.
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GabaritoC — I e III, apenas.
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Cartografia Social
Gabarito: letra C. Apenas as afirmativas I e III estão corretas. A afirmativa I descreve corretamente o contraste entre cartografia convencional e social; a afirmativa III expressa a dimensão política do mapeamento participativo. A afirmativa II, porém, contém um erro crucial ao afirmar que a apropriação tecnológica pelas comunidades reduz sua autonomia — na verdade, a autonomia é ampliada.
A cartografia social é uma metodologia participativa que valoriza o conhecimento local e o engajamento político de comunidades tradicionais e grupos fragilizados. Diferencia-se da cartografia convencional, que prioriza representações técnicas, precisão métrica e neutralidade aparente, enquanto a cartografia social trabalha com o espaço vivido, o território como construção social e a territorialidade dos grupos envolvidos.
Característica
Cartografia Convencional
Cartografia Social
Espaço privilegiado
Euclidiano
Vivido
Foco territorial
Estado-nação
Território e territorialidade das comunidades
Precisão/Neutralidade
Pretensa neutralidade e precisão métrica
Representação a partir da perspectiva dos sujeitos
Metodologia
Técnica, não participativa
Participativa, com troca horizontal de saberes
Dimensão política
Apolítica (aparência de neutralidade)
Ato político de reconhecimento e afirmação do direito ao território
Item I — ✅ Correto
Afirma que a cartografia convencional privilegia o espaço euclidiano e o Estado-nação, enquanto a cartografia social prioriza o espaço vivido e as territorialidades. Essa distinção é clássica na literatura: a cartografia convencional busca precisão e neutralidade, enquanto a cartografia social incorpora a perspectiva dos sujeitos e suas experiências. Portanto, o item está correto.
Item II — ❌ Incorreto
O item começa corretamente ao mencionar a troca horizontal de saberes e metodologias qualitativas, mas erra ao afirmar que "quanto mais as comunidades se apropriam das tecnologias e metodologias do mapeamento, menor será sua autonomia e fortalecimento". Na prática, a apropriação tecnológica e metodológica pelas comunidades tende a aumentar sua autonomia, pois elas passam a dominar as ferramentas de representação e defesa de seu território. O erro é uma inversão do efeito esperado.
Item III — ✅ Correto
A afirmativa capta a essência política da cartografia social: produzir o mapa é um ato de reconhecimento e afirmação do direito ao território. O mapeamento participativo fortalece a identidade e a luta dos grupos sociais. Logo, está correto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a relação causal na afirmativa II: o senso comum poderia sugerir que o conhecimento técnico externo é que garante autonomia, mas a cartografia social defende que a apropriação das ferramentas pelas próprias comunidades é que as fortalece. Fique atento a esse tipo de inversão.