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Questão de História — História Geral — FGV 2023

HistóriaHistória Geral
Código
fg069949
Banca
FGV
Órgão
SME - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental II e Médio - História
“A urbanização incipiente da cidade de São Paulo, a partir do último quartel do século XVIII até as vésperas da Abolição, envolvia uma população majoritariamente feminina e, no entanto, poucas mulheres aparecem nas histórias da cidade. Não admira muito o preconceito das fontes relativas ao espaço urbano, onde proliferava a pobreza e certa autonomia dos desqualificados sociais bastante incômoda para as autoridades. A rua era o espaço social das mulheres pobres, livres, forras e escravas, sendo o palco de improvisação de sua sobrevivência precária: circulavam pelas fontes públicas, tanques, lavadouros, pontes, ruas e praças da cidade”.Adaptado de DIAS, Maria Odila L. S. Mulheres sem história. Revista de História: nova série, São Paulo, USP, n. 112, 1983, p. 31.Com base no trecho, assinale a afirmativa que descreve corretamente os desafios para elaborar uma história das mulheres pobres.
  1. AMulheres socialmente desqualificadas pertencem ao domínio dos espaços e papéis informais, motivo pelo qual são pouco documentadas nas fontes oficiais.
  2. BA identidade feminina em uma sociedade patriarcal é universal e fixa, assim, ao acessar registros de mulheres letradas, conhece-se também o universo das mulheres pobres.
  3. CPapéis informais não tem um reconhecimento institucional pois são socialmente e economicamente irrelevantes, motivo pelo qual têm pouco registro.
  4. DAté a industrialização de São Paulo, o ofício de provedor do sustento da casa era exercido por homens, o que justifica a invisibilidade das mulheres na história da cidade.
  5. EO resgate da figura feminina pela história urbana deve centrar nas mulheres das classes dominantes, por estarem casadas com os agentes da economia de exportação
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GabaritoA — Mulheres socialmente desqualificadas pertencem ao domínio dos espaços e papéis informais, motivo pelo qual são pouco documentadas nas fontes oficiais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

História das mulheres pobres – Desafios da documentação

Gabarito: letra A. O texto de Maria Odila Dias mostra que as mulheres pobres (livres, forras e escravas) atuavam em espaços informais (ruas, fontes, lavadouros) e, por isso, raramente aparecem nos registros oficiais, que privilegiam atividades institucionais e formais. A alternativa A captura exatamente esse problema: a dificuldade de documentar papéis não reconhecidos oficialmente.

A questão exige interpretação do trecho e compreensão do desafio historiográfico de recuperar a experiência de grupos marginalizados. Vamos analisar cada alternativa:

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta porque o texto afirma que “a rua era o espaço social das mulheres pobres” e que “poucas mulheres aparecem nas histórias da cidade” devido ao “preconceito das fontes relativas ao espaço urbano”. As atividades dessas mulheres – carregar água, lavar roupa, vender quitutes – ocorriam na informalidade, sem registro em documentos oficiais (atas, censos, inventários). Isso torna seu resgate histórico mais difícil, exigindo o uso de fontes alternativas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a identidade feminina em uma sociedade patriarcal é “universal e fixa” e que, portanto, conhecendo mulheres letradas, conhece-se também as pobres. O texto, porém, evidencia a diversidade de experiências entre mulheres: as pobres circulavam nas ruas, enquanto as letradas provavelmente estavam confinadas ao espaço doméstico. A identidade feminina não é homogênea; classe e raça moldam vivências distintas. A generalização é indevida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Dizer que “papéis informais são social e economicamente irrelevantes” é um erro. O próprio texto mostra que as mulheres pobres exerciam funções essenciais para a economia urbana (abastecimento de água, lavagem de roupas, pequeno comércio). A irrelevância não é real, mas sim na ótica das fontes oficiais, que desprezam o trabalho informal. A alternativa confunde ausência de registro com falta de importância.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o sustento da casa era exercido por homens até a industrialização. O trecho, no entanto, descreve mulheres como provedoras (“circulavam... palco de improvisação de sua sobrevivência precária”). Em famílias pobres, escravas e forras, muitas vezes a mulher chefiava o lar e garantia o sustento. A invisibilidade não se deve à suposta ausência feminina no papel de provedor, mas sim ao preconceito das fontes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa propõe que o resgate da figura feminina deve focar nas classes dominantes, por estarem casadas com agentes da economia de exportação. Isso contradiz frontalmente o texto, que critica justamente o apagamento das mulheres pobres e defende a necessidade de estudá-las. A história urbana, para a autora, deve dar voz às desqualificadas sociais, não apenas às elites.

NÃO CAIA NESSA!

A alternativa B pode enganar quem não percebe que a condição feminina varia conforme classe e raça. A banca explora a ideia de que “ser mulher” bastaria para uniformizar a experiência, mas o texto mostra justamente o oposto: mulheres pobres viviam a cidade de forma distinta das elites. Fique atento a generalizações desse tipo.

Gabarito: letra A – única alternativa que reflete o desafio apontado pela autora: a dificuldade de documentar papéis informais em fontes oficiais.

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