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Questão de História — História da América Latina — FGV 2023

HistóriaHistória da América Latina
Código
fg069953
Banca
FGV
Órgão
SME - SP
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Fundamental II e Médio - História
“Na América Latina, e particularmente no Equador, sob o guardachuva da ‘interculturalidade’, os livros escolares respondem a uma política de representação que, incorporando muitas imagens de indígenas e povos negros, só servem para reforçar estereótipos e processos coloniais de racialização. Na formação docente, a discussão sobre a interculturalidade encontra-se, em geral, limitada ao tratamento antropológico da tradição folclórica. Em sala de aula, sua aplicação é, na melhor das hipóteses, marginal”.Adaptado de WALSH, Catherine. Interculturalidade e decolonialidade do poder, Revista Eletrônica da Faculdade de Direito de Pelotas, 2019.A partir do trecho, e com base na obra citada, assinale a afirmativa correta sobre os conceitos de interculturalidade e decolonialidade aplicados ao ensino de história.
  1. AO conceito de interculturalidade legitima a incorporação de uma etnoeducação, sustentando que o currículo inclua elementos da prática local.
  2. BA política de representação intercultural, recorrente nos livros didáticos, critica uma visão estereotipada da diversidade étnica americana.
  3. CO projeto intercultural dos movimentos indígenas exige o reconhecimento da colonialidade do domínio metropolitano na Época Moderna, encarnado em seus agentes políticos e educacionais.
  4. DInterculturalidade e multiculturalidade são termos sinônimos, oriundos dos movimentos sociais subalternos e dos processos históricos locais andinos.
  5. EO reconhecimento da alteridade e a tolerância para com os outros no multiculturalismo mantêm a desigualdade social, deixando intacta a estrutura institucional que reproduz as desigualdades.
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GabaritoE — O reconhecimento da alteridade e a tolerância para com os outros no multiculturalismo mantêm a desigualdade social, deixando intacta a estrutura institucional que reproduz as desigualdades.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interculturalidade e decolonialidade no ensino de história

Gabarito: letra E. A alternativa E captura a crítica central do pensamento decolonial ao multiculturalismo: o simples reconhecimento da diferença e a tolerância, sem questionar as estruturas de poder, mantêm a desigualdade intocada. O texto de Catherine Walsh denuncia que a “interculturalidade” aplicada nos livros escolares e na formação docente, sob o discurso de incluir indígenas e negros, acaba por reforçar estereótipos e processos coloniais de racialização. Essa crítica se alinha à perspectiva decolonial, que distingue o multiculturalismo (superficial) da interculturalidade (transformadora).

O trecho apresentado questiona a política de representação que, em nome da interculturalidade, apenas reitera visões estereotipadas, sem alterar a estrutura institucional que reproduz as desigualdades. A partir dessa leitura, vamos analisar cada alternativa.

Crítica decolonial ao multiculturalismo
  • 1Multiculturalismo (superficial)
    • Reconhecimento da diferença
    • Tolerância
    • Mantém desigualdade estrutural
  • 2Interculturalidade (transformadora)
    • Questiona estruturas de poder
    • Supera estereótipos
    • Ação política efetiva
  • 3Denúncia de Walsh
    • Livros didáticos
      • Incluem imagens de indígenas/negros
      • Reforçam estereótipos coloniais
    • Formação docente
      • Limitada ao folclore
    • Sala de aula
      • Aplicação marginal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a interculturalidade legitima uma etnoeducação que inclui elementos da prática local. O texto, porém, critica justamente o uso da interculturalidade para reforçar estereótipos, e não para uma verdadeira incorporação transformadora. A etnoeducação não é defendida no trecho; ao contrário, a interculturalidade é apresentada como limitada ao folclore.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Inverte o sentido do texto. Walsh afirma que a política de representação intercultural “só servem para reforçar estereótipos e processos coloniais de racialização”. Logo, ela não critica a visão estereotipada; ela a perpetua. A banca faz o candidato confundir o discurso oficial com a prática denunciada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Menciona o projeto intercultural dos movimentos indígenas e exige o reconhecimento da colonialidade do domínio metropolitano na Época Moderna. Embora a colonialidade seja um conceito central para pensar a dominação, o texto de Walsh e a crítica decolonial não restringem essa colonialidade à “Época Moderna”. A colonialidade do poder é uma estrutura que persiste após o fim do colonialismo formal. Além disso, o trecho não trata especificamente de movimentos indígenas nem de “agentes políticos e educacionais” metropolitanos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que interculturalidade e multiculturalidade são sinônimos. Autores decoloniais, como Catherine Walsh, fazem questão de diferenciá-los: o multiculturalismo é criticado por manter a ordem social desigual ao simplesmente “tolerar” a diferença, enquanto a interculturalidade proposta pelos movimentos indígenas busca uma transformação radical das estruturas de poder. Portanto, não são sinônimos. O próprio trecho, ao falar de “interculturalidade” sob aspas, sugere uma versão distorcida que se aproxima do multiculturalismo superficial.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que “o reconhecimento da alteridade e a tolerância para com os outros no multiculturalismo mantêm a desigualdade social, deixando intacta a estrutura institucional que reproduz as desigualdades”. Essa é uma tese central da crítica decolonial: o multiculturalismo liberal reconhece a diferença cultural, mas não questiona as hierarquias raciais, econômicas e políticas que produzem a desigualdade. O texto de Walsh, ao criticar a “interculturalidade” como fachada para a reprodução de estereótipos, exemplifica exatamente esse mecanismo. Portanto, a alternativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte o sentido da crítica na alternativa B: ela diz que a política de representação intercultural “critica” a visão estereotipada, quando o texto afirma que ela a reforça. Fique atento ao verbo: a questão testa a compreensão literal do trecho. Na dúvida, volte ao texto e confirme o que está sendo afirmado.

Gabarito: letra E.

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