A crítica da Gazeta da Tarde ao discurso de Isabel (1888)
Gabarito: letra D. O periódico questiona diretamente o projeto de implementação de instrumentos legislativos para manter o controle sobre os libertos após a abolição, apontando a ineficácia de medidas repressivas contra a ociosidade. A alternativa D reflete exatamente essa crítica.
A Gazeta da Tarde, em 7 de maio de 1888, responde ao discurso da Princesa Isabel, que defendia o aperfeiçoamento das "leis repressivas da ociosidade" como forma de promover a educação moral pelo trabalho. O jornal ironiza essa proposta:
"Em que consiste o aperfeiçoamento das leis repressivas da ociosidade? Pretende o governo argumentar as penas do código criminal? Inventar novos delitos? Instituir uma polícia inquisitorial e arbitrária, encarregada de regular o trabalho alheio?"
E conclui que tais medidas seriam "ineficazes ou inúteis". Assim, a crítica central é contra a tentativa de usar a legislação para controlar a população liberta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto não menciona pressão internacional; o discurso de Isabel fala em "influxo do sentimento nacional" e "liberalidades particulares", sem referência a governos estrangeiros. A crítica do jornal é voltada para a política interna.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há qualquer ironia quanto à capacidade administrativa de uma mulher. O comentário dirige-se ao conteúdo da fala, não ao gênero da regente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O jornal não aborda sentenças a escravizados acusados de delitos; o foco é a proposta de leis contra a ociosidade, que atingiria os libertos em geral.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Gazeta da Tarde questiona exatamente o projeto de criar instrumentos legislativos (aperfeiçoamento de leis repressivas) para manter o controle social após a abolição. A crítica é explícita: o governo parte da falsa ideia de que o liberto se tornaria inimigo da ordem, e a repressão legislativa seria ineficaz.
Gabarito: letra D.