Questão de Português — Morfologia - Verbos — FGV 2023
Português›Morfologia - Verbos
Código
fg070539
Banca
FGV
Órgão
SMF-RJ
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Fiscal de Rendas
Leia com atenção o trecho abaixo, fragmento de uma crônica retirada do Jornal do Comércio, de 3 de junho de 2011:Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano".Sobre os componentes desse pequeno texto, é correto afirmar que:
Aa frase "Desde que me distanciei do Brasil" equivale à forma nominal" Desde que houve o meu distanciamento do Brasil";
Ba forma verbal "tenho visto" marca uma ação passada anterior a outra ação passada;
Co pronome possessivo "meus", em reiação a "compatriotas" tem o valor de propriedade;
Do pronome relativo "que" estabelece relação de coesão com o substantivo "níveis";
Eno vocábulo "sub-humano", prefixo sub- tem valor pejorativo, equivalente a "pior do que".
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GabaritoD — o pronome relativo "que" estabelece relação de coesão com o substantivo "níveis";
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Análise de componentes do texto: pronome relativo e coesão
Gabarito: letra D. O pronome relativo "que" retoma o substantivo "níveis", estabelecendo coesão referencial — como se comprova diretamente no trecho. As demais alternativas contêm imprecisões conceituais.
O comando pede que se julgue a correção de cada afirmação sobre os componentes do fragmento. Vamos a cada alternativa, provando a correta e apontando o erro das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase "Desde que me distanciei do Brasil" é uma oração subordinada temporal com verbo no pretérito perfeito ("distanciei"). A reescrita "Desde que houve o meu distanciamento do Brasil" substitui o verbo por uma forma nominal ("distanciamento") e torna o sujeito impessoal. Isso altera a estrutura sintática e o foco: no original, o sujeito é ativo ("eu me distanciei"); na reescrita, a ação é apresentada como fato impessoal. Além disso, "Desde que" pode ter sentido temporal ou condicional, mas a equivalência semântica não é exata. Erro: falsa equivalência (troca_conceito).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A forma "tenho visto" é o pretérito perfeito composto do indicativo, que indica uma ação que se iniciou no passado e se prolonga até o presente, com possível reiteração. Não denota uma ação passada anterior a outra ação passada — isso seria o pretérito mais-que-perfeito ("tinha visto"). Erro: conceito equivocado sobre o tempo verbal (troca_conceito).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O pronome possessivo "meus" em "meus compatriotas" expressa uma relação de pertencimento ou vínculo afetivo/identitário, não de propriedade material. "Propriedade" é um valor típico de posse concreta (ex.: "meu carro"), o que não se aplica a "compatriotas". Erro: interpretação inadequada do valor do possessivo (troca_conceito).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No trecho "níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano", o pronome relativo "que" retoma o termo anterior "níveis", funcionando como sujeito da oração adjetiva e estabelecendo coesão referencial. A passagem comprova:
"cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano"
O relativo "que" refere-se claramente a "níveis", e é essa relação que garante a coesão do período.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O prefixo "sub-" significa "abaixo de", "inferior a". Em "sub-humano", forma-se o sentido de "abaixo do humano" ou "menos que humano". Embora tenha conotação pejorativa no contexto, não equivale a "pior do que" (que é uma expressão comparativa genérica). A equivalência é imprecisa. Erro: falsa equivalência semântica (troca_conceito).
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar prefixos, considere o significado etimológico e o contexto. O prefixo "sub-" é de inferioridade, não de comparação direta com "pior".