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Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2023

PortuguêsCoesão e coerência
Código
fg071691
Banca
FGV
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Leigo
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]

Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

Agência Fapesp

Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

[...]

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas. "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/06/ estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-adoenca-de-parkinson.shtml
“Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas.” (Texto 1, 8º parágrafo)

A única reescritura da passagem acima em que se verifica desvio em relação à norma padrão é:
  1. AEsses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que havia menos micróglias.
  2. BEsses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que se eliminou as micróglias.
  3. CEsses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos cujos animais tinham menos micróglias.
  4. DEsses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos nos quais as micróglias foram eliminadas.
  5. EEsses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que se procedeu à eliminação das micróglias.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que se eliminou as micróglias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura com desvio da norma padrão – Concordância verbal

Gabarito: letra B. A única alternativa que apresenta desvio da norma padrão é a B, pois nela o verbo "eliminar" deveria concordar com o sujeito paciente "as micróglias" (plural), resultando em "se eliminaram" ou "eliminaram-se". A construção "se eliminou as micróglias" viola a regra de concordância da voz passiva sintética.

Análise do comando

A questão pede a reescritura que apresenta desvio em relação à norma padrão – ou seja, a que contém erro gramatical. As demais são formulações corretas, ainda que possam diferir em sentido ou estrutura.

Alternativa A — ✅ Correta

"Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que havia menos micróglias."

O verbo "haver" no sentido existencial é impessoal e permanece no singular, independentemente do complemento plural. Portanto, a concordância está adequada. Não há erro.

Alternativa B — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

"Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que se eliminou as micróglias."

O pronome "se" atua como partícula apassivadora, tornando "as micróglias" o sujeito paciente. Com sujeito plural, o verbo deve ir para o plural: "se eliminaram as micróglias" (ou "eliminaram-se as micróglias"). A forma singular "eliminou" é um erro de concordância verbal.

NÃO CAIA NESSA!

Confundir a partícula apassivadora com o índice de indeterminação do sujeito. Se fosse indeterminação, o verbo ficaria no singular (ex.: "Precisa-se de funcionários"), mas aqui o verbo é transitivo direto e o "se" é apassivador, exigindo concordância.

Alternativa C — ✅ Correta

"Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos cujos animais tinham menos micróglias."

O pronome relativo "cujos" concorda com o substantivo seguinte (animais), e o verbo "tinham" está corretamente flexionado. Não há desvio.

Alternativa D — ✅ Correta

"Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos nos quais as micróglias foram eliminadas."

É uma paráfrase direta da original, trocando "em que" por "nos quais". A concordância está perfeita: "as micróglias foram eliminadas".

Alternativa E — ✅ Correta

"Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que se procedeu à eliminação das micróglias."

O verbo "proceder" rege a preposição "a"; a crase em "à eliminação" é obrigatória. O sujeito é "a eliminação" (singular), portanto "se procedeu" está correto. Não há erro.

Conclusão

A única reescritura que fere a norma culta é a B, por erro de concordância na voz passiva sintética. As demais alternativas estão gramaticalmente corretas.

Gabarito: letra B

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