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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — FGV 2023

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
fg071693
Banca
FGV
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Leigo
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]

Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

Agência Fapesp

Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

[...]

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas. "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/06/ estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-adoenca-de-parkinson.shtml
“Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.” (Texto 1, 5º parágrafo)

A frase em que a partícula “se” serve à mesma função comunicativa do “se” presente na passagem acima é:
  1. ADentre os presentes, cerca de 20% se animaram com o plano descrito pelo anfitrião.
  2. BVocê não vai se arrepender de ter tentado.
  3. CDesta vez, eles se viram muito rapidamente.
  4. DDepois que Marcelo se acabou de chorar é que eu entendi o tamanho do problema.
  5. EAqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa no início da semana.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Aqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa no início da semana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função comunicativa da partícula “se”

Gabarito: letra E. O “se” em “acreditava-se o contrário” (5º parágrafo do Texto 1) é índice de indeterminação do sujeito (ou partícula apassivadora, já que “acreditar” é transitivo direto), indicando uma ação sem agente específico. A alternativa E repete essa mesma função comunicativa: “sempre se procede a uma fiscalização” – o sujeito é indeterminado, e o verbo é transitivo indireto, o que também configura indeterminação do sujeito (e não voz passiva, mas a função de omitir o agente é idêntica).

Função do “se”

Frase original (acreditava-se)

Alternativa E (procede-se)

Alternativas A–D

Classificação

Índice de indeterminação do sujeito (verbo transitivo direto)

Índice de indeterminação do sujeito (verbo transitivo indireto)

Reflexivo, recíproco ou parte integrante do verbo

Efeito comunicativo

Torna o agente genérico/desconhecido

Torna o agente genérico/desconhecido

Sujeito determinado (agente explícito ou ação reflexiva)

Verbo

Acreditava (VTD)

Procede (VTI)

Animaram (VTD + reflexivo), arrepender (pronominal), viram (VTD + reflexivo/recíproco), acabou (pronominal)

Sujeito

Indeterminado

Indeterminado

Determinado (20%, você, eles, Marcelo)

1Índice de indeterminação do sujeito
"acreditava-se" (original)
"procede-se a" (gabarito E)
2Pronome reflexivo/recíproco
"se animaram" (A)
"se viram" (C)
3Parte integrante do verbo
"arrepender-se" (B)
"acabar-se" (D)
Funções do "se"
LEVELsoulevel.com.br
Funções do "se": Índice de indeterminação do sujeito ("acreditava-se" (original), "procede-se a" (gabarito E)); Pronome reflexivo/recíproco ("se animaram" (A), "se viram" (C)); Parte integrante do verbo ("arrepender-se" (B), "acabar-se" (D))

Alternativa A — ❌ Incorreta

“cerca de 20% se animaram com o plano”

Aqui “se” é pronome reflexivo (animaram a si mesmos) ou parte integrante do verbo – não indetermina o sujeito. Erro: troca de função (reflexivo × indeterminação).

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Você não vai se arrepender”

“Arrepender-se” é verbo essencialmente pronominal; o “se” é parte integrante do verbo, sem função sintática de indeterminação. Erro: troca de função (pronominal × indeterminação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

“eles se viram muito rapidamente”

“Se” pode ser reflexivo (viram a si mesmos) ou recíproco (viram uns aos outros). Em nenhum caso indetermina o sujeito. Erro: troca de função (reflexivo/recíproco × indeterminação).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Marcelo se acabou de chorar”

“Acabar-se” é verbo pronominal; o “se” é parte integrante do verbo. Erro: troca de função (pronominal × indeterminação).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Aqui, sempre se procede a uma fiscalização rigorosa”

O verbo “proceder”, no sentido de “realizar”, é transitivo indireto (procede-se a algo). Nesse caso, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, assim como em “acreditava-se” – ambos indeterminam quem pratica a ação. A função comunicativa é idêntica: tornar o agente genérico ou desconhecido. A única diferença é que, na frase original, o verbo é transitivo direto, e aqui é indireto, mas ambas as construções atendem ao mesmo propósito de indeterminação.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar a função do “se”, verifique a transitividade do verbo e se há sujeito explícito. O “se” apassivador/indeterminador aparece com verbos transitivos (diretos ou indiretos) e indica que a ação não é atribuída a um agente específico. Já o reflexivo e o pronominal exigem sujeito determinado que pratica e sofre a ação ou que é inerente ao verbo.

Conclusão: A única alternativa que preserva a função comunicativa de indeterminação do sujeito é a letra E.

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