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Questão de Português — Denotação e Conotação — FGV 2023

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
fg071702
Banca
FGV
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Leigo
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]

Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

Agência Fapesp

Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

[...]

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas. "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/06/ estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-adoenca-de-parkinson.shtml
Tanto o discurso científico quanto o discurso jornalístico são tipicamente associados ao emprego de uma linguagem predominantemente conotativa. Apesar disso, é possível identificar, no texto 1, várias palavras que foram usadas em sentido figurado.A única alternativa em que a palavra sublinhada NÃO foi empregada em sentido figurado é:
  1. A“O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.”;
  2. B“Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal”;
  3. C"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. [...]”;
  4. D“O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.”;
  5. E“O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.”;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identificação de sentido denotativo e conotativo no Texto 1

Gabarito: letra A. A única alternativa em que a palavra sublinhada é empregada em sentido literal (denotativo) é a A: o verbo "registrou" significa "atestou, constatou" – sentido próprio, dicionarizado. Nas demais alternativas, as palavras sublinhadas estão em sentido figurado (conotativo), pois expressam ações ou qualidades por metáfora ou transferência de sentido.


Sentido das palavras
  • 1Denotativo (literal)
    • "registrou" = atestou, constatou
  • 2Conotativo (figurado)
    • "impulsiona" = acelera (metáfora)
    • "reforça" = corrobora (metáfora)
    • "aprofunda" = investiga (metáfora)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No trecho:

"O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores."

O verbo "registrou" está em sentido denotativo: significa "apresentou, mostrou, constatou" – uso técnico-científico, sem abstração ou transferência. O texto relata um dado observado, sem qualquer deslocamento figurado. Portanto, é a única alternativa com emprego literal.


Alternativa B — ❌ Incorreta (conotativa)

Trecho:

"...a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal..."

O verbo "impulsiona" foi empregado em sentido figurado: originalmente significa "dar impulso, empurrar", mas aqui é usado metaforicamente para indicar que a característica acelera/agrava a perda neuronal. Não há impulso físico real.


Alternativa C — ❌ Incorreta (conotativa)

Trecho:

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas..."

O verbo "reforça" está em sentido conotativo: literalmente significa "tornar mais forte, com reforço material", mas no texto é usado como metáfora para "ressaltar, corroborar, dar mais ênfase".


Alternativa D — ❌ Incorreta (conotativa)

Trecho:

"O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas..."

O verbo "aprofunda" foi empregado em sentido figurado: sentido literal é "cavar mais fundo, aumentar a profundidade física", mas aqui é metáfora para "estudar com mais detalhamento, investigar mais a fundo".


Alternativa E — ❌ Incorreta (conotativa)

A alternativa E repete o mesmo trecho da D, com o mesmo verbo "aprofunda", portanto também em sentido conotativo, pelos mesmos motivos.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar sentido denotativo, pergunte-se: "a palavra pode ser substituída pelo seu significado literal sem gerar estranhamento ou figura de linguagem?" Se exigir uma interpretação metafórica para fazer sentido no contexto, é conotativa.

NÃO CAIA NESSA!

O verbo "registrou" (alternativa A) pode enganar quem o interpreta como "guardar na memória" (figurado), mas no contexto de pesquisa científica ele é denotativo (constatação de dado). Já verbos como "impulsiona", "reforça" e "aprofunda" são claramente metafóricos no texto.

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