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Questão de Português — Flexão de voz (ativa, passiva, reflexiva) — FGV 2023

PortuguêsFlexão de voz (ativa, passiva, reflexiva)
Código
fg071705
Banca
FGV
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Leigo
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]

Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

Agência Fapesp

Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

[...]

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas. "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/06/ estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-adoenca-de-parkinson.shtml
Em virtude do ideal de objetividade associado à ciência, textos científicos demonstram preferência por estruturas sintáticas que permitem evitar a 1ª pessoa gramatical. O texto 1, embora pertença a um gênero jornalístico, aproxima-se do discurso científico ao empregar reiteradamente algumas dessas estruturas.Uma das evidências dessa aproximação é a recorrência, no texto 1, de orações:
  1. Acom infinitivo flexionado, como em “para assim chegarmos a soluções terapêuticas”;
  2. Bna voz passiva, como em “Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]”;
  3. Ccom valor de finalidade, como em “A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados [...]”;
  4. Dem ordem inversa, como em “Em camundongos, foi observado que a micróglia [...] pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal”;
  5. Ecom locuções de tempo composto, como em “A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — na voz passiva, como em “Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]”;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Voz Passiva como recurso de impessoalidade no texto científico

Gabarito: letra B. O texto emprega reiteradamente a voz passiva para evitar a 1ª pessoa, aproximando-se do discurso científico. A passagem “Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]” exemplifica esse uso. As demais alternativas ou não se referem a uma estrutura recorrente ou não evitam a 1ª pessoa da mesma forma.

O enunciado pede “a recorrência, no texto 1, de orações” que evidenciam a aproximação com o discurso científico, ou seja, uma estrutura sintática que aparece várias vezes no texto e que elimina a 1ª pessoa. A voz passiva analítica (ser + particípio) é empregada em diversos trechos: “foi observado”, “foi aplicada”, “foram conduzidos”, “foram eliminadas”, “foram identificados”, etc. Essa recorrência atende ao critério de evitar a 1ª pessoa, pois o sujeito paciente recebe a ação sem necessidade de indicar o agente.

1Estrutura
Ser + particípio
Sujeito paciente
Agente oculto
2Exemplos recorrentes
"foram conduzidos"
"foi observado"
"foram eliminados"
3Função
Evitar 1ª pessoa
Dar objetividade
Voz passiva (impessoalidade científica)
LEVELsoulevel.com.br
Voz passiva (impessoalidade científica): Estrutura (Ser + particípio, Sujeito paciente, Agente oculto); Exemplos recorrentes ("foram conduzidos", "foi observado", "foram eliminados"); Função (Evitar 1ª pessoa, Dar objetividade)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“para assim chegarmos a soluções terapêuticas”

Esta oração usa infinitivo flexionado na 1ª pessoa do plural (“chegarmos”), o que inclui a 1ª pessoa, contrariando a ideia de evitá-la. Além disso, não há recorrência dessa estrutura no texto.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]”

A voz passiva analítica (foram conduzidos) é típica de textos científicos para ocultar o agente e dar objetividade. O texto apresenta múltiplos exemplos desse tipo de construção, confirmando a recorrência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados [...]”

A oração de finalidade (“para explicar”) é uma estrutura que pode evitar a 1ª pessoa, mas o texto não a repete de forma recorrente. A questão pede uma evidência de recorrência, e a finalidade aparece pontualmente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Em camundongos, foi observado que a micróglia [...] pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal”

Embora o trecho contenha voz passiva (“foi observado”), a alternativa destaca a ordem inversa (adjunto adverbial deslocado) como característica. A ordem inversa não é uma estrutura que evita a 1ª pessoa por si só; além disso, o texto não a repete de modo significativo. O que realmente se repete é a voz passiva, não a inversão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células”

A locução de tempo composto (haviam visto) é uma forma verbal que não evita a 1ª pessoa; pelo contrário, aparece em um trecho com sujeito explícito (“os próprios pesquisadores”). Não há recorrência dessa estrutura como recurso de impessoalidade.

Conclusão: A única alternativa que aponta uma estrutura recorrente no texto e que de fato evita a 1ª pessoa é a voz passiva (alternativa B). Todas as outras ou não se repetem ou não cumprem o papel de impessoalidade.

Gabarito: letra B

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