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Questão de Português — Pronomes relativos — FGV 2023

PortuguêsPronomes relativos
Código
fg071706
Banca
FGV
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Leigo
Texto 1 – Estudo revela novo alvo para busca de terapias contra doença de Parkinson [fragmento]

Experimentos com camundongos feitos na USP mostraram que a micróglia, um tipo de célula imunológica presente no sistema nervoso central, ajuda a limitar a perda de neurônios

Agência Fapesp

Estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) revelou um possível mecanismo protetor contra a doença de Parkinson.

Em camundongos, foi observado que a micróglia, um tipo de célula imunológica do sistema nervoso que compõe a chamada glia – conjunto diversificado de células que dá suporte ao funcionamento dos neurônios – pode limitar a perda de capacidade motora e a morte neuronal.

Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina, uma toxina indutora de sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, aplicada diretamente no cérebro. Antes, metade dos animais teve as micróglias praticamente eliminadas por uma substância, chamada PLX5622. O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas de neurônios e de movimento quando comparado aos demais roedores.

"Esses resultados sugerem um possível alvo para o tratamento da doença no futuro, quando descobrirmos mecanismos capazes de ativar a micróglia de maneira benéfica", disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICB-USP. Ela é primeira autora de um artigo publicado no Journal of Neuroimmunology.

[...]

A descoberta contradiz o que os próprios pesquisadores do ICB e outros estudiosos da área haviam visto anteriormente sobre essas células. Até então acreditava-se o contrário, pois, quando elas eram bloqueadas por fármacos, os sintomas do Parkinson eram mitigados.

"A hipótese mais provável para explicar essa diferença nos resultados é a atuação dos dois fenótipos da micróglia, algo já identificado anteriormente na literatura científica. Uma característica, a positiva, que protege contra a perda neuronal, talvez se manifeste no início da doença, e a outra característica, a negativa, que impulsiona essa perda neuronal, vai predominando à medida que a doença vai evoluindo; o mesmo pode ocorrer em outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e algumas formas de epilepsia", detalha Luiz Roberto Giorgetti de Britto, coordenador do estudo pelo Laboratório de Neurobiologia Celular do ICB. [...]

"Isso reforça a importância de desenvolvermos formas de diagnósticos mais assertivas para as doenças neurodegenerativas, para assim chegarmos a soluções terapêuticas. Pois trata-se de doenças que podem estar ativas durante décadas antes do diagnóstico, que em geral se dá só após a manifestação de sintomas, mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos", complementa.

MUDANÇAS GENÉTICAS

No estudo também foram identificados dois genes que podem estar relacionados à doença de Parkinson. Esses genes apresentavam menor expressão apenas nos grupos em que as micróglias foram eliminadas. "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] entre alguns grupos de neurônios do sistema nervoso, o que sugere que a micróglia pode ser responsável pela modulação da expressão de genes que atuam nesses processos. Isso ajuda a explicar como a sua ausência resulta na perda de neurônios, o que causa a diminuição de dopamina, o fator responsável pelas alterações motoras", aponta Parga.

Esse conhecimento é promissor principalmente para a pequena parcela de casos de Parkinson e Alzheimer que tem causas genéticas, um total de 5% a 7% dos diagnósticos. "Conhecendo melhor o comportamento desses genes talvez possamos, no futuro, antecipar o diagnóstico da doença, além de propor terapias que consistem na manipulação deles", afirma Britto.

O Laboratório de Neurobiologia Celular agora se aprofunda nos resultados obtidos e nas hipóteses levantadas e também estuda as possíveis implicações da micróglia em modelos animais da doença de Alzheimer.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/06/ estudo-revela-novo-alvo-para-a-busca-de-terapias-contra-adoenca-de-parkinson.shtml
O texto 1 pertence ao gênero textual notícia de divulgação científica.Um reflexo formal desse fato na superfície do texto 1 é a recorrência de:
  1. Aorações subordinadas substantivas, como em “O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas [...]”;
  2. Bpronomes relativos, como em “Todos os testes foram conduzidos em animais que receberam 6-hidroxidopamina [...]”;
  3. Csujeitos pospostos ao verbo, como em "[...] disse a doutoranda Carolina Parga à assessoria de imprensa do ICBUSP”;
  4. Dapostos explicativos, como em "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] [...]”;
  5. Everbos flexionados no gerúndio, como em “[...] mas sendo mitigadas pela micróglia e outros mecanismos".
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — apostos explicativos, como em "São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções] [...]”;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gênero textual e marcas formais na notícia de divulgação científica

Gabarito: letra D. O gênero notícia de divulgação científica tem como característica explicar termos técnicos para o leitor leigo, o que se reflete no uso recorrente de apostos explicativos – expressões que esclarecem o sentido de um termo anterior. O próprio texto apresenta exemplos claros, como o aposto entre colchetes:

"São dois genes relacionados à transmissão por dopamina [substância que influencia nossas emoções, aprendizado e locomoção, além de outras funções]"

Esse recurso formal (parênteses, travessões ou colchetes com definições) é típico do gênero, pois aproxima o conhecimento científico do público geral.


Alternativa A — ❌ Incorreta

A oração destacada – "O grupo que manteve essas células registrou perdas menos significativas" – é uma oração subordinada adjetiva restritiva, introduzida pelo pronome relativo "que". Não é uma oração subordinada substantiva. A banca trocou a classificação (erro: troca de conceito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

De fato, o trecho "animais que receberam 6-hidroxidopamina" contém um pronome relativo. No entanto, pronomes relativos são comuns em qualquer tipo de texto; não constituem uma marca específica da divulgação científica. A questão pede um reflexo formal do gênero, e essa característica é genérica demais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Disse a doutoranda Carolina Parga" apresenta sujeito posposto ao verbo, estrutura frequente em discursos reportados (especialmente em jornalismo). Porém, não é um traço recorrente e distintivo da divulgação científica – ocorre também em notícias comuns. Além disso, o texto usa tanto a ordem direta quanto a inversa, sem que uma predomine como marca do gênero.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme demonstrado acima, o aposto explicativo (explicitado entre colchetes) é um recurso recorrente no texto para definir ou explicar conceitos especializados. O exemplo dado pela banca é fiel ao texto e representa bem a estratégia de clarificação terminológica típica da divulgação científica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O gerúndio em "sendo mitigadas" é uma forma nominal isolada, não recorrente no texto. O texto emprega predominantemente verbos no pretérito perfeito ("revelou", "observou", "mostraram") e no presente do indicativo ("sugerem", "reforça"). Logo, não há recorrência de gerúndios que caracterize o gênero.


NÃO CAIA NESSA!

As alternativas A e B usam exemplos gramaticalmente corretos, mas que não representam marcas formais distintivas do gênero textual. A letra B, em especial, parece atraente por ser verdadeira (há pronomes relativos), mas o enunciado pede reflexo formal do gênero, não simples ocorrência.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre gêneros textuais, busque características típicas e recorrentes que diferenciam o gênero dos demais. Na divulgação científica, os apostos explicativos (ou parênteses com definições) são uma pista fortíssima.

Conclusão: A única alternativa que aponta uma característica formal recorrente e típica da notícia de divulgação científica é a letra D. Gabarito: letra D.

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