Questão de Direito Civil — Elementos Essenciais – Conduta, Nexo Causal, Culpa e Dano — FGV 2023
Direito Civil›Elementos Essenciais – Conduta, Nexo Causal, Culpa e Dano
Código
fg071736
Banca
FGV
Órgão
TJ-BA
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Leigo
Léo, com a habilitação vencida, voltava de viagem por uma rodovia estadual quando, na contramão, surge, em alta velocidade, o veículo conduzido por Miguel.Para evitar a colisão, Léo empreende brusca manobra, mas acaba perdendo o controle do carro, roda e atinge, na outra pista, a motocicleta dirigida por Rafael, que morre imediatamente no local.Nesse caso, é correto afirmar que:
Ahá causalidade adequada entre a manobra empreendida por Léo e a morte de Rafael, de modo que é possível reconhecer o nexo causal;
Bé possível afastar o nexo causal entre a manobra empreendida por Léo e a morte de Rafael, com base na teoria do corpo neutro;
Cé possível presumir, no caso, a culpa de Léo contra legalidade, na medida em que estava com a carteira de habilitação vencida e acabou avançando na pista contrária, razão pela qual deve responder pelos danos causados;
Dembora haja nexo causal entre a manobra empreendida por Léo e a morte de Rafael, o dever de indenizar fica excluído por estar configurada a legítima defesa, ainda que os danos não tenham sido suportados exclusivamente por quem se defendeu;
Ehá nexo causal entre a manobra empreendida por Léo e a morte de Rafael, o que enseja o dever de reparar, ainda que seja reconhecida a legítima defesa, porque os danos não foram suportados exclusivamente por quem se defendeu.
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GabaritoB — é possível afastar o nexo causal entre a manobra empreendida por Léo e a morte de Rafael, com base na teoria do corpo neutro;
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Nexo causal e teoria do corpo neutro na responsabilidade civil
Gabarito: letra B. A manobra de Léo foi uma reação ao perigo iminente criado por Miguel (que dirigia na contramão em alta velocidade). Nesse contexto, a conduta de Léo é considerada neutra — uma reação inevitável que não estabelece nexo causal entre sua ação e a morte de Rafael. A teoria do corpo neutro (ou conduta neutra) exclui a causalidade quando o agente age sob compulsão de uma situação perigosa criada por terceiro. As demais alternativas incorrem em equívocos ao tentar afirmar a existência do nexo causal ou aplicar excludentes inaplicáveis.
Nexo causal na responsabilidade civil
1Teoria do corpo neutro
Conduta sob compulsão de perigo iminente
Reação inevitável
Não estabelece nexo causal
2Excludentes
Legítima defesa
Só contra o agressor
Não se aplica a terceiro inocente
Estado de necessidade
Cabível contra terceiro
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há causalidade adequada e que é possível reconhecer o nexo causal. Contudo, o nexo é rompido pela conduta neutra de Léo (reação defensiva). A causalidade adequada exigiria que a manobra fosse a causa típica do dano, mas aqui o fato determinante foi a conduta ilícita de Miguel.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
É possível afastar o nexo causal com base na teoria do corpo neutro. Léo agiu para evitar colisão com Miguel; sua manobra não foi livre e consciente a ponto de ser considerada causa do dano. A conduta neutra interrompe o vínculo causal, afastando a responsabilidade de Léo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Tenta presumir a culpa de Léo por dirigir com habilitação vencida e por ter invadido a pista contrária. Esquece que a invasão foi consequência do desvio para evitar o acidente, e não ato voluntário. Além disso, a culpa (se existente) não substitui a análise do nexo causal, que é pressuposto autônomo da responsabilidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que o dever de indenizar fica excluído por legítima defesa. A legítima defesa justifica o ato contra o agressor (Miguel), mas aqui o dano foi causado a terceiro (Rafael). Não se pode opor legítima defesa em relação a pessoa inocente. Caberia, no máximo, estado de necessidade, mas a alternativa erra ao nomear a excludente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que há nexo causal e dever de indenizar mesmo com legítima defesa. Incide no mesmo erro de D: a legítima defesa não se aplica a terceiro. Mesmo que houvesse nexo causal, a excludente não seria oponível a Rafael.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de trânsito com reação a perigo, lembre-se de que a conduta meramente reativa (como desviar) pode ser neutra, rompendo o nexo causal. A banca frequentemente testa essa distinção entre causa direta e conduta impulsionada por terceiro.