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Questão de Direito Constitucional — Controle de Constitucionalidade — FGV 2023

Direito ConstitucionalControle de Constitucionalidade
Código
fg071801
Banca
FGV
Órgão
TJ-ES
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Substituto
Em razão de uma grande mobilização popular, o Estado Beta editou a Lei nº X, que delineou o alcance de determinado direito social de grande importância para o trabalhador. Pouco tempo depois, o Partido Político Alfa, cujo entendimento fora vencido no âmbito da Assembleia Legislativa de Beta, constatou que a Lei nº X colidia materialmente com a Lei nº Y, editada pela União e que veiculara normas gerais sobre a matéria.Ao ser instada a se pronunciar sobre a possibilidade de ser deflagrado o controle concentrado de constitucionalidade, perante o tribunal nacional competente da União, para que a referida colidência fosse reconhecida, com a correlata declaração de inconstitucionalidade da Lei nº X, a assessoria jurídica do Partido Político Alfa afirmou, corretamente, que:
  1. Aquer a Lei nº Y seja posterior, quer seja anterior à Lei nº X, não será possível a deflagração do controle, pois a ofensa à Constituição da República de 1988 seria meramente reflexa;
  2. Bcaso a Lei nº Y seja anterior à Lei nº X, não será possível a deflagração do controle, em razão da falta de interesse de agir, pois a eficácia da Lei nº X já terá sido suspensa;
  3. Ccaso a Lei nº Y seja posterior à Lei nº X, somente será possível a deflagração do controle caso aquele diploma normativo reproduza comandos da Constituição da República de 1988;
  4. Dcaso a Lei nº Y seja anterior à Lei nº X, será possível a deflagração do controle, apesar de a análise pressupor o cotejo com a norma interposta, vale dizer, a Lei nº Y;
  5. Ecaso a Lei nº Y seja posterior à Lei nº X, será possível a deflagração do controle desde que seja estabelecida controvérsia, em algum processo, em relação à revogação desta última.
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GabaritoD — caso a Lei nº Y seja anterior à Lei nº X, será possível a deflagração do controle, apesar de a análise pressupor o cotejo com a norma interposta, vale dizer, a Lei nº Y;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle de constitucionalidade: lei estadual × lei federal (norma interposta)

Gabarito: letra D. O controle concentrado de constitucionalidade perante o STF é cabível quando uma lei estadual viola lei federal que veicula normas gerais editadas no âmbito da competência da União. Nesse caso, a lei federal atua como norma interposta (parâmetro intermediário de constitucionalidade), e a ofensa à Constituição é indireta, mas admitida pela jurisprudência do STF. A alternativa D capta corretamente essa possibilidade: se a Lei Y (federal) é anterior à Lei X (estadual), esta última não pode contrariar a norma geral federal, sendo passível de declaração de inconstitucionalidade via ADI.

A questão exige conhecer o instituto da norma interposta e a ofensa reflexa à Constituição. O STF firmou entendimento de que, quando a União edita normas gerais sobre determinado tema (ex.: direito do trabalho, educação, saúde), os Estados devem observar essas normas. Se uma lei estadual as contraria, ela viola indiretamente a Constituição, que atribuiu à União a competência para editar tais normas. Assim, o STF pode exercer o controle concentrado, tendo como parâmetro a lei federal (norma interposta) e, por consequência, a Constituição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre revogação e inconstitucionalidade. Se a lei federal for posterior à estadual, havendo incompatibilidade, pode ocorrer revogação (conflito de normas no tempo), e não inconstitucionalidade. Já se a lei federal for anterior, a estadual que a contrarie é inválida desde a origem, configurando inconstitucionalidade. A alternativa D é a única que distingue corretamente essa situação.

Critério

Alternativa A

Alternativa B

Alternativa C

Alternativa D

Alternativa E

Possibilidade de controle concentrado

Não é possível

Não é possível

Possível apenas se a Lei Y reproduzir comandos constitucionais

Possível

Possível desde que haja controvérsia sobre revogação

Fundamento principal

Ofensa meramente reflexa à CF impede o controle

Falta de interesse de agir por suspensão da eficácia da Lei X

Necessidade de reprodução de comandos constitucionais pela Lei Y

Cotejo com norma interposta (Lei Y)

Controvérsia sobre revogação em algum processo

Relação temporal entre as leis

Indiferente

Lei Y anterior à Lei X

Lei Y posterior à Lei X

Lei Y anterior à Lei X

Lei Y posterior à Lei X

Correção (conforme comentário)

❌ Incorreta

❌ Incorreta

❌ Incorreta

✅ Correta

❌ Incorreta

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que não será possível o controle, pois a ofensa à CF seria meramente reflexa. Erro: embora a ofensa seja reflexa (indireta), o STF admite o controle concentrado por meio da norma interposta. A jurisprudência consolidada do STF (ex.: ADI 221, ADI 3375) reconhece essa possibilidade. A ofensa reflexa não impede o controle, desde que haja um parâmetro de constitucionalidade adequado — no caso, a lei federal de normas gerais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aduz que, se a Lei Y for anterior, não haveria interesse de agir porque a eficácia da Lei X já estaria suspensa. Erro: Não há suspensão automática. A lei estadual X continua vigente até eventual declaração de inconstitucionalidade. O interesse de agir do partido político é pleno, pois a lei X produz efeitos e conflita com a norma federal anterior. Não há qualquer dispositivo que suspenda a eficácia de lei estadual por simples existência de lei federal anterior.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sustenta que, se a Lei Y for posterior, só seria possível o controle se a Lei Y reproduzisse comandos constitucionais. Erro: Se a Lei Y é posterior e incompatível com a Lei X, ocorre o fenômeno da revogação (derrogação) da lei anterior pela posterior, e não inconstitucionalidade. Nesse caso, a lei estadual X perde a vigência por conflito com norma federal posterior, e não há necessidade de controle de constitucionalidade (salvo se a lei federal for declarada inconstitucional, o que não é o caso). A reprodução de comandos constitucionais é irrelevante para essa hipótese.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que, se a Lei Y for anterior, será possível o controle, e a análise pressupõe o cotejo com a norma interposta (Lei Y). Correto. A lei federal anterior (norma geral) serve como parâmetro de constitucionalidade para a lei estadual. O STF, ao julgar ADI, examina se a lei estadual viola a lei federal, configurando ofensa indireta à Constituição. Essa é a hipótese clássica de controle por norma interposta, amplamente aceita pela doutrina e jurisprudência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que, se a Lei Y for posterior, seria possível o controle desde que houvesse controvérsia em algum processo sobre a revogação. Erro: A existência de controvérsia sobre revogação não transforma o conflito em questão constitucional. A revogação é matéria de direito intertemporal (lei no tempo), e não de controle de constitucionalidade. O controle concentrado visa verificar a compatibilidade vertical com a Constituição, e não resolver conflitos de normas no tempo. Além disso, a jurisprudência do STF não admite essa via.

PEGA ESSA DICA!

Grave o esquema: Anterioridade da lei federal → controle possível (norma interposta). Posterioridade da lei federal → revogação, não inconstitucionalidade. Esse é o critério-chave para questões sobre conflito entre lei estadual e lei federal no controle concentrado.

MNEMÔNICO
Ex TUNC bate na TESTA / Ex NUNC bate na NUCA
TUNCbate na TESTA (retroage, efeitos retroativos, desde a origem)NUNCbate na NUCA (não retroage, efeitos a partir de agora)
Efeitos das decisões no controle de constitucionalidade

Gabarito: letra D.

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