Questão de Direito Civil — Direito das Obrigações — FGV 2023
Direito Civil›Direito das Obrigações
Código
fg072064
Banca
FGV
Órgão
TJ-MS
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Juiz Substituto
Mário prometeu a seus três filhos, no bojo de ação de divórcio combinada com partilha, que lhes doaria os imóveis em seu nome. O termo de homologação desse acordo foi levado ao Registro Geral de Imóveis.Nesse caso, com o registro da promessa de doação, verifica-se:
Aa constituição de um ônus real stricto sensu sobre os imóveis;
Bo estabelecimento de uma obrigação com eficácia real;
Ca existência de uma obrigação natural;
Da afirmação de uma obrigação ambulatória ou propter rem;
Ea criação de um direito potestativo em favor dos filhos.
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GabaritoB — o estabelecimento de uma obrigação com eficácia real;
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Promessa de doação registrada: obrigação com eficácia real
Gabarito: letra B. O registro da promessa de doação no Registro de Imóveis confere à obrigação de doar eficácia real, tornando-a oponível a terceiros que venham a adquirir direitos sobre o imóvel. Não se trata de um ônus real (que é um direito real limitado), nem de obrigação propter rem (que decorre da titularidade de um direito real). É uma figura híbrida: uma obrigação pessoal que, por força do registro, ganha oponibilidade erga omnes.
O conteúdo de apoio esclarece que as obrigações com eficácia real são "típicas obrigações, ou seja, um direito a uma prestação que, por força de lei, tornam-se oponíveis em relação a terceiros que eventualmente possuam direitos reais sobre a coisa". No caso, a promessa de doação, uma vez registrada, passa a produzir efeitos perante terceiros adquirentes ou credores, sem se converter em direito real.
Instituto
Natureza Jurídica
Oponibilidade a Terceiros
Exemplo
Obrigação com eficácia real (Gabarito B)
Híbrida: obrigacional com eficácia real
Sim, erga omnes (após registro)
Promessa de doação registrada
Ônus real *stricto sensu* (Alternativa A)
Direito real limitado sobre coisa alheia
Sim, erga omnes
Hipoteca, usufruto, servidão
Obrigação natural (Alternativa C)
Obrigacional sem exigibilidade judicial
Não
Dívida de jogo, dívida prescrita
Obrigação *propter rem* (Alternativa D)
Obrigacional que adere à coisa (decorre da titularidade)
Sim, acompanha a coisa
Cotas condominiais, IPTU
Direito potestativo (Alternativa E)
Direito subjetivo de criar, modificar ou extinguir relação jurídica
Não se aplica (sujeição)
Direito de arrependimento, direito de preferência
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o registro constitui um ônus real *stricto sensu*. Ônus real é um direito real limitado (ex.: hipoteca, usufruto, servidão) que grava diretamente a coisa, restringindo a propriedade. A promessa de doação não cria um direito real; ela mantém a natureza obrigacional, apenas com eficácia alargada. O erro é confundir eficácia real com natureza real.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O registro estabelece uma obrigação com eficácia real. A obrigação de doar continua sendo pessoal (Mário deve doar), mas, por estar registrada, pode ser oposta a terceiros. É a figura híbrida descrita na doutrina. Correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Obrigação natural é aquela desprovida de ação judicial, como dívidas de jogo ou prescritas (art. 814 CC). A promessa de doação, registrada, é plenamente exigível; não há qualquer elemento de naturalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Obrigação *propter rem* (ambulatória) decorre da titularidade de um direito real sobre a coisa, como as cotas condominiais ou o IPTU. O devedor é o proprietário do imóvel. Na promessa de doação, o devedor é o promitente (Mário), que não é titular de direito real sobre o imóvel em razão da promessa. A obrigação não segue a coisa: é pessoal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Direito potestativo é o poder de modificar unilateralmente uma relação jurídica (ex.: direito de arrependimento, direito de preferência). Aqui, os filhos têm direito a exigir a doação, mas isso depende da conduta do pai; não é um poder autônomo. O direito dos filhos é a uma prestação (obrigação), não um direito potestativo.
PEGA ESSA DICA!
Para distinguir as figuras híbridas, pense no que a obrigação segue:
Ônus real → limita a propriedade (direito real sobre coisa alheia).
Obrigação propter rem → segue a coisa (quem é dono, deve).
Obrigação com eficácia real → obrigação pessoal que, registrada, torna-se oponível a terceiros (não segue a coisa, mas pode ser exigida contra quem a possuir).