Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2023
Português›Coesão e coerência
Código
fg072550
Banca
FGV
Órgão
TJ-RN
Ano
2023
Nível
Médio
Cargo
Técnico Judiciário - Área Judiciária
John Ruskin, crítico de arte britânico, declarou o seguinte:"Nós devemos ser lembrados na história como mais cruel, e, portanto, a menos sábia, geração de homens que jamais agitou a Terra: a mais cruel em proporção à sua sensibilidade, a menos sábia em proporção à sua ciência. Nenhum povo, entendendo a dor, tanto a infligiu; nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles". (adaptado)Sobre os componentes desse segmento textual, é correto afirmar que:
Ao termo "nós", no início do texto, compreende o autor e o leitor do texto;
Bo termo "sábia" deveria ser substituído por "bondosa" para tornar o texto mais coerente;
Ca forma verbal "infligiu" deveria ser substituída pela forma "infringiu";
Do termo "tampouco" deveria ser corretamente modificado para "tão pouco";
Eo termo "neles", ao final do texto, se refere coesivamente a "povos", que engloba os povos citados.
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GabaritoD — o termo "tampouco" deveria ser corretamente modificado para "tão pouco";
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Interpretação dos Componentes Textuais
Gabarito: letra D. A única afirmação correta é a de que o termo "tampouco" deveria ser modificado para "tão pouco" no contexto em que aparece. No excerto, "Nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles", a intenção é expressar ideia de intensidade (agiu muito pouco), e não de adição de negação. Por isso, a grafia adequada é "tão pouco" (separado, com sentido de "em pequena quantidade"). A banca cobra justamente a confusão clássica entre as duas formas.
Distinção "tampouco" × "tão pouco": "tampouco" (junto) (Sentido: "também não", Adição de negação); "tão pouco" (separado) (Sentido: "em pequena quantidade", Advérbio de intensidade); Contexto do texto ("Nenhum povo... agiu com base neles", Ideia de agiu muito pouco, "tampouco" inadequado, "tão pouco" adequado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O texto diz: "Nós devemos ser lembrados na história como mais cruel... geração de homens". O pronome "nós" refere-se à geração mencionada (a que o autor pertence), mas não há evidência de que inclua o leitor. Afirmar que compreende autor e leitor é extrapolar — o texto não cita o leitor.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A substituição de "sábia" por "bondosa" quebraria a relação lógica do texto: "mais cruel, e, portanto, a menos sábia". A crueldade é apresentada como causa da falta de sabedoria, não de bondade. A coerência exige que se mantenha a oposição semântica entre "cruel" e "sábia", que não são equivalentes a "bondosa".
Alternativa C — ❌ Incorreta
O verbo correto no trecho "entendendo a dor, tanto a infligiu" é "infligir" (causar dor). "Infringir" significa "violar, desrespeitar" (lei, regra). Não há qualquer indicação de violação no contexto; logo, a troca alteraria o sentido e não é necessária.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No trecho "Nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles", a forma "tampouco" (junto, sinônimo de "também não") não se adequa ao sentido pretendido. A oração quer dizer que os povos agiram muito pouco — ideia de quantidade reduzida —, e não de negação adicional. A expressão correta é "tão pouco" (separado, advérbio de intensidade). A banca testa exatamente essa distinção semântica.
"Nenhum povo, entendendo os fatos, tam pouco agiu com base neles" (grafia correta: tão pouco).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O termo "neles" retoma anaforicamente "os fatos", não "povos". A frase completa: "Nenhum povo, entendendo os fatos, tampouco agiu com base neles". O pronome refere-se ao termo imediatamente anterior (os fatos). Dizer que se refere a "povos" contradiz a estrutura coesiva do período.
Conclusão: Apenas a alternativa D está correta, pois reconhece a impropriedade do uso de "tampouco" no contexto, que exige "tão pouco".