Questão de Estatística — Inferência estatística — FGV 2023
Estatística›Inferência estatística
Código
fg072857
Banca
FGV
Órgão
TJ-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Especialidade - Estatística
Um fabricante garante que, no mínimo, 95% de seus produtos estão dentro das especificações. Na dúvida, um auditor testa 200 peças e detecta 17 defeituosas.A 5% de significância, ele conclui que a alegação do fabricante é:Obs: Por aproximação e simplificação rejeita-se a hipótese nula para estatísticas maiores que 2, em módulo.
Aprovavelmente falsa;
Bcertamente falsa;
Cprovavelmente verdadeira;
Dcertamente verdadeira;
Eimpossível de ser verificada.
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GabaritoA — provavelmente falsa;
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Teste de hipóteses para proporção
Gabarito: letra A. A alegação do fabricante é provavelmente falsa. O auditor testa a hipótese nula de que a proporção de defeituosos é de no máximo 5% (p ≤ 0,05). Com 17 defeituosos em 200, a proporção amostral é 8,5%, e a estatística de teste calculada é aproximadamente 2,27, que é maior que o valor crítico 2 (em módulo). Portanto, rejeita-se a hipótese nula ao nível de 5% de significância, concluindo que a alegação é provavelmente falsa.
O problema envolve um teste de hipóteses para uma proporção. O fabricante afirma que, no mínimo, 95% dos produtos estão dentro das especificações, ou seja, a proporção de defeituosos é de no máximo 5% (p ≤ 0,05). O auditor, desconfiado, coleta uma amostra de 200 peças e encontra 17 defeituosas, o que dá uma proporção amostral de defeituosos de (8,5%).
A pergunta é: essa evidência amostral é suficiente para refutar a alegação do fabricante? Para responder, montamos um teste de hipóteses:
Hipótese nula (): (a alegação do fabricante é verdadeira)
Hipótese alternativa (): (a alegação é falsa, a proporção de defeituosos é maior que 5%)
A estatística de teste para proporção, aproximando a binomial pela normal, é:
Substituindo os valores: , , :
O enunciado fornece uma simplificação: rejeita-se a hipótese nula para estatísticas maiores que 2, em módulo. Como , rejeitamos ao nível de 5% de significância.
Isso significa que a evidência amostral é forte o suficiente para concluir que a alegação do fabricante é provavelmente falsa — não podemos afirmar com certeza absoluta (pois há sempre uma probabilidade de erro, o nível de significância), mas a hipótese nula é rejeitada, indicando que a proporção real de defeituosos provavelmente excede 5%.
A distinção crucial aqui é entre "provavelmente" e "certamente". Em testes de hipóteses, nunca se conclui com certeza absoluta; sempre há uma margem de erro (o nível de significância, aqui 5%). Por isso, as alternativas com "certamente" estão incorretas. A alternativa E também é incorreta, pois o teste é perfeitamente verificável com os dados fornecidos.
Hipótese
Condição
Estatística z
Valor crítico
Decisão
Conclusão
H₀: p ≤ 0,05 (alegação verdadeira)
z > 2 (rejeita H₀)
z ≈ 2,27
2
Rejeita-se H₀
Provavelmente falsa
H₀: p ≤ 0,05 (alegação verdadeira)
z ≤ 2 (não rejeita H₀)
z ≤ 2
2
Não se rejeita H₀
Provavelmente verdadeira
H0 verdadeira
H0 falsa
Rejeita
Erro tipo I
Correto
Não rejeita
Correto
Erro tipo II
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A estatística de teste calculada () é maior que o valor crítico de 2, então rejeitamos a hipótese nula de que a proporção de defeituosos é no máximo 5%. Isso indica que a alegação do fabricante é provavelmente falsa — a palavra "provavelmente" é adequada porque a decisão estatística está sujeita a erro (nível de significância de 5%), não sendo uma certeza absoluta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a alegação é "certamente falsa". Em testes de hipóteses, nunca se conclui com certeza absoluta; sempre há uma probabilidade de erro (aqui, 5%). A rejeição da hipótese nula indica que a alegação é provavelmente falsa, não certamente falsa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a alegação é "provavelmente verdadeira". Isso ocorreria se a estatística de teste fosse menor que o valor crítico, ou seja, se não houvesse evidência suficiente para rejeitar . Como , rejeitamos , então a alegação não é provavelmente verdadeira.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a alegação é "certamente verdadeira". Além de o teste indicar rejeição (o que já contraria a veracidade), a certeza absoluta não é possível em inferência estatística. Mesmo que não houvesse rejeição, a conclusão seria "provavelmente verdadeira", nunca "certamente".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que é "impossível de ser verificada". Isso é falso: o teste de hipóteses é exatamente o procedimento para verificar a alegação, e os dados fornecidos (200 peças, 17 defeituosas) são suficientes para realizar o teste e chegar a uma conclusão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com as palavras "provavelmente" e "certamente". Em testes de hipóteses, a conclusão nunca é certa — há sempre uma margem de erro (o nível de significância). Por isso, as alternativas com "certamente" (B e D) são sempre incorretas. Além disso, o candidato pode errar o cálculo da estatística de teste, esquecendo de usar o desvio padrão da proporção sob a hipótese nula () em vez do desvio padrão amostral.
PEGA ESSA DICA!
Para testes de hipóteses sobre proporções, memorize a fórmula da estatística de teste: . E lembre-se: a conclusão é sempre "provavelmente" (rejeita ou não rejeita ), nunca "certamente". Se a estatística calculada for maior que o valor crítico (em módulo), rejeita-se ; caso contrário, não se rejeita.