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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FGV 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
fg072912
Banca
FGV
Órgão
TJ-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Especialidade - Medicina - Clínica Geral
Sobre a síndrome de reconstituição imune (SRI) no paciente com síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), é correto afirmar que:
  1. Ageralmente acontece na primeira semana após alteração do tratamento antirretroviral;
  2. Bpacientes com baixa queda da carga viral com o tratamento estão sob maior risco de ocorrência da SRI;
  3. Ca SRI se caracteriza apenas pela exacerbação das manifestações infecciosas oportunistas relacionadas à SIDA;
  4. Dpacientes com menor CD4 no momento de ajuste do tratamento estão sob maior risco de ocorrência da SRI;
  5. Epacientes com falha terapêutica em relação à terapia antirretroviral estão sob maior risco de desenvolvimento da SRI.
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GabaritoD — pacientes com menor CD4 no momento de ajuste do tratamento estão sob maior risco de ocorrência da SRI;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de reconstituição imune (SRI) no paciente com SIDA

Gabarito: letra D. A SRI é uma complicação da terapia antirretroviral (TARV) que ocorre tipicamente em pacientes com imunodeficiência avançada, ou seja, com baixas contagens de linfócitos T CD4 no momento do início ou ajuste do tratamento — é exatamente esse o fator de risco central que a alternativa D descreve. O mecanismo é a recuperação abrupta da resposta imune, que passa a reagir de forma exacerbada contra antígenos de infecções oportunistas (IOs) pré-existentes ou subclínicas.

A SRI, também chamada de síndrome inflamatória de reconstituição imune (SIRI), é um fenômeno paradoxal: o paciente melhora do ponto de vista virológico (queda da carga viral) e imunológico (elevação do CD4), mas piora clinicamente. Isso acontece porque, com a reconstituição da imunidade, o sistema imune "acorda" e monta uma resposta inflamatória intensa contra microrganismos que estavam controlados ou latentes. Essa resposta pode se manifestar de duas formas principais: a SIRI paradoxal, em que há agravamento de uma infecção oportunista já conhecida e em tratamento, e a SIRI desmascarada, em que uma infecção subclínica, antes não diagnosticada, torna-se evidente. Em ambas, o quadro clínico é de declínio após o início da TARV, geralmente entre 2 semanas e vários meses depois, com febre como manifestação extremamente comum.

Os fatores de risco para o desenvolvimento da SRI são bem estabelecidos na literatura: baixa contagem de CD4 basal (especialmente abaixo de 50-100 células/mm³), alta carga viral basal, início recente da TARV e presença de infecções oportunistas, particularmente tuberculose, meningite criptocócica, retinite por citomegalovírus e leucoencefalopatia multifocal progressiva. A lógica é direta: quanto mais grave a imunodeficiência, maior o "rebote" inflamatório quando a imunidade é restaurada. Por isso, pacientes com CD4 muito baixo no momento do ajuste do tratamento estão sob maior risco — exatamente o que afirma a alternativa D.

O diagnóstico da SRI é essencialmente clínico, não existindo exame complementar específico. O médico deve suspeitar quando há início recente de TARV, sobretudo em pacientes com baixas contagens basais de CD4, e uma IO conhecida parece estar se agravando, ou quando há piora clínica apesar da evidência de reconstituição imune. O manejo concentra-se no tratamento da infecção oportunista identificada e no uso de corticosteroides e/ou anti-inflamatórios não esteroidais para atenuar a resposta imunológica. Em todos os casos, exceto os que comportam risco à vida, a TARV deve ser continuada. A SRI está associada a morbidade significativa, com até 50% dos casos exigindo hospitalização.

A pegadinha central desta questão é a inversão dos fatores de risco: a banca troca a baixa contagem de CD4 (que é o fator de risco real) por elementos que, na verdade, indicam proteção ou falha terapêutica — como baixa queda da carga viral ou falha da TARV. Guarde a fronteira: SRI é um sinal de reconstituição imune bem-sucedida em um paciente que estava profundamente imunossuprimido; não é um sinal de falha do tratamento. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a SRI geralmente acontece na primeira semana após a alteração do tratamento. O erro está no prazo: a SRI tipicamente ocorre entre 2 semanas e vários meses após o início da TARV, não na primeira semana. O início dos sintomas está relacionado ao tempo necessário para a reconstituição imune e para a resposta inflamatória se manifestar, o que não ocorre de forma tão imediata.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com baixa queda da carga viral com o tratamento estão sob maior risco de SRI. Isso inverte a lógica: a SRI é uma consequência da reconstituição imune eficaz, que se acompanha de queda significativa da carga viral e elevação do CD4. Uma baixa queda da carga viral sugere resposta virológica inadequada, o que não é o cenário típico para o desenvolvimento da SRI. O fator de risco é justamente o oposto: alta carga viral basal que cai rapidamente com a TARV.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a SRI se caracteriza apenas pela exacerbação das manifestações infecciosas oportunistas. O erro está no termo "apenas": a SRI pode se manifestar tanto como exacerbação de uma IO conhecida (SIRI paradoxal) quanto como desmascaramento de uma infecção subclínica previamente não diagnosticada (SIRI desmascarada). Além disso, a SRI não se limita a manifestações infecciosas — pode envolver também reações inflamatórias não infecciosas, como sarcoidose, tireoidite e doenças autoimunes. A palavra "apenas" torna a afirmação restritiva demais e, portanto, incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que pacientes com menor CD4 no momento de ajuste do tratamento estão sob maior risco de SRI. Esta é a afirmação correta: a baixa contagem de linfócitos T CD4 basal é o principal fator de risco para o desenvolvimento da SRI. Quanto mais profunda a imunodeficiência no momento do início ou ajuste da TARV, maior a probabilidade de uma resposta inflamatória exacerbada quando a imunidade é reconstituída. O mecanismo é a recuperação abrupta de uma resposta imune que estava severamente comprometida, levando a uma reação inflamatória intensa contra antígenos de infecções oportunistas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com falha terapêutica em relação à TARV estão sob maior risco de SRI. Isso é um contrassenso: a SRI é uma complicação da resposta terapêutica bem-sucedida, não da falha. A falha terapêutica implica ausência de reconstituição imune adequada, o que não desencadeia o mecanismo fisiopatológico da SRI. Pacientes com falha terapêutica permanecem imunossuprimidos e, portanto, não apresentam o "rebote" inflamatório característico da SRI.

A regra de ouro para a prova: a SRI é um paradoxo — o paciente melhora nos exames (CD4 sobe, carga viral cai) e piora clinicamente. Os fatores de risco são CD4 baixo e carga viral alta no início da TARV, com rápida queda viral e rápida elevação do CD4. Qualquer alternativa que associe SRI a falha terapêutica, baixa queda viral ou ausência de reconstituição imune está invertendo o conceito.

Gabarito: letra D

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