Asma brônquica: diagnóstico funcional e espirometria
Gabarito: letra D. O índice de Tiffeneau (VEF1/CVF) reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica — é exatamente o critério funcional que confirma a doença, conforme as diretrizes de pneumologia. A paciente apresenta espirometria com padrão obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) e resposta ao broncodilatador, o que, somado ao quadro clínico de sibilos difusos e história de rinite alérgica, fecha o diagnóstico de asma.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução ao fluxo aéreo, geralmente reversível. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em sintomas episódicos como dispneia, tosse, sibilância e aperto torácico, que melhoram espontaneamente ou com uso de broncodilatadores e anti-inflamatórios. Porém, quando há dúvida ou necessidade de classificação, a espirometria é o exame complementar de escolha.
O padrão funcional da asma é a obstrução ao fluxo aéreo, evidenciada pela redução do VEF1 e da relação VEF1/CVF, com resposta positiva ao broncodilatador. A prova broncodilatadora é considerada positiva quando há aumento do VEF1 de pelo menos 200 mL e 12% em relação ao valor pré-broncodilatação, ou aumento de 200 mL e 7% do valor previsto. Esse critério é o principal para confirmar o diagnóstico funcional de asma.
A distinção entre asma e DPOC é um ponto central. Ambas cursam com obstrução ao fluxo aéreo, mas a asma é caracterizada pela reversibilidade da obstrução, enquanto na DPOC a limitação ao fluxo aéreo é geralmente irreversível ou parcialmente reversível. A prova broncodilatadora positiva é um forte indicativo de asma, enquanto na DPOC a resposta ao broncodilatador costuma ser ausente ou discreta. Além disso, a DPOC é mais comum em adultos acima de 40 anos com histórico de tabagismo, enquanto a asma frequentemente se inicia na infância e está associada a atopia.
A banca explora a confusão entre asma e DPOC, especialmente no que diz respeito ao diagnóstico funcional. O candidato pode ser induzido a pensar que a obstrução com prova broncodilatadora positiva indica DPOC, mas o correto é que isso corrobora o diagnóstico de asma. A presença de reversibilidade é o critério que separa as duas doenças.
Guarde a fronteira entre asma e DPOC: a reversibilidade da obstrução ao fluxo aéreo, demonstrada pela prova broncodilatadora positiva, é o critério decisivo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Critério | Asma Brônquica | DPOC |
|---|
Obstrução ao fluxo aéreo | VEF1/CVF reduzido | VEF1/CVF reduzido |
Resposta ao broncodilatador | Positiva (reversível) | Ausente ou discreta (irreversível) |
Fator de risco típico | Atopia, rinite alérgica | Tabagismo, idade > 40 anos |
Início | Frequentemente na infância | Geralmente após 40 anos |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que VEF1/CVF < 75% confirma o diagnóstico de DPOC. O erro está em atribuir à relação VEF1/CVF isoladamente o poder de confirmar DPOC. O diagnóstico de DPOC exige a presença de obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador) associada a sintomas respiratórios crônicos e fatores de risco, como tabagismo. Além disso, a relação VEF1/CVF < 75% é um critério funcional que também está presente na asma, não sendo específico para DPOC. A confirmação diagnóstica depende do contexto clínico e da resposta ao broncodilatador.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a medida do peak flow tem pouco valor no acompanhamento ambulatorial da asma. Na verdade, o pico de fluxo expiratório (PFE) é uma ferramenta útil no acompanhamento da asma, especialmente para monitorar a variabilidade da obstrução ao longo do tempo. A variabilidade aumentada do PFE (acima de 20% em adultos) é um critério diagnóstico e também auxilia no controle da doença. Portanto, a afirmação está incorreta ao desvalorizar o PFE no acompanhamento ambulatorial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a prova de função respiratória tem maior acurácia quando feita no momento da agudização dos sintomas. Na verdade, a espirometria deve ser realizada preferencialmente quando o paciente está estável, pois na crise aguda a obstrução pode ser exacerbada por fatores como broncoespasmo e secreções, dificultando a interpretação e a comparação com exames anteriores. A realização da espirometria no momento da agudização pode superestimar a gravidade da obstrução e não reflete o estado funcional basal do paciente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O índice de Tiffeneau (VEF1/CVF) reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica. A paciente apresenta espirometria com padrão obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) e resposta ao broncodilatador, o que, somado ao quadro clínico de sibilos difusos e história de rinite alérgica, confirma o diagnóstico de asma. A reversibilidade da obstrução é o critério funcional que distingue a asma da DPOC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a falha no esquema antimicrobiano para pneumonia pode justificar os sintomas atuais. A paciente refere ter tratado pneumonia há cerca de um mês, com melhora da febre e do aspecto e volume do escarro, persistindo tosse, dispneia e cansaço. A persistência desses sintomas, associada a sibilos difusos e espirometria com padrão obstrutivo e resposta ao broncodilatador, sugere fortemente asma, não falha terapêutica da pneumonia. A melhora dos sintomas infecciosos (febre e escarro) indica que a pneumonia foi tratada adequadamente, e os sintomas residuais são explicados pela asma subjacente.
Gabarito: letra D