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Questão de Medicina — Pneumologia — FGV 2023

MedicinaPneumologia
Código
fg072917
Banca
FGV
Órgão
TJ-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Especialidade - Medicina - Clínica Geral
Mulher de 52 anos com história de rinite alérgica e tabagista passiva é admitida na emergência por tosse produtiva, dispneia subjetiva e cansaço. Refere ter tratado pneumonia há cerca de um mês, melhorando da febre e do aspecto e volume do escarro, persistindo os demais sintomas. Ao exame: taquipneia leve, PA 130 X 80mmHg, FC 90 bpm, FR 24 irpm, SatO2 95% em ar ambiente, ausculta respiratória com sibilos difusos. Paciente traz espirometria feita no passado enquanto estava assintomática, revelando os seguintes achados: VEF1,0 reduzido, CVF reduzida, VEF1,0/CVF reduzido com prova broncodilatadora positiva.Sobre o caso em questão, é correto afirmar que:
  1. AVEF1,0/CVF<75% confirma o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica;
  2. Ba medida do peak flow tem pouco valor no acompanhamento ambulatorial da asma, não sendo recomendado rotineiramente;
  3. Ca realização da prova de função respiratória tem maior acurácia no diagnóstico de estratificação pulmonar quando feita no momento da agudização dos sintomas;
  4. Do índice de Tiffeneau reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica;
  5. Efalha no esquema antimicrobiano de tratamento para a pneumonia pode justificar os sintomas atuais.
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GabaritoD — o índice de Tiffeneau reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Asma brônquica: diagnóstico funcional e espirometria

Gabarito: letra D. O índice de Tiffeneau (VEF1/CVF) reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica — é exatamente o critério funcional que confirma a doença, conforme as diretrizes de pneumologia. A paciente apresenta espirometria com padrão obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) e resposta ao broncodilatador, o que, somado ao quadro clínico de sibilos difusos e história de rinite alérgica, fecha o diagnóstico de asma.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiperresponsividade brônquica e obstrução ao fluxo aéreo, geralmente reversível. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em sintomas episódicos como dispneia, tosse, sibilância e aperto torácico, que melhoram espontaneamente ou com uso de broncodilatadores e anti-inflamatórios. Porém, quando há dúvida ou necessidade de classificação, a espirometria é o exame complementar de escolha.

O padrão funcional da asma é a obstrução ao fluxo aéreo, evidenciada pela redução do VEF1 e da relação VEF1/CVF, com resposta positiva ao broncodilatador. A prova broncodilatadora é considerada positiva quando há aumento do VEF1 de pelo menos 200 mL e 12% em relação ao valor pré-broncodilatação, ou aumento de 200 mL e 7% do valor previsto. Esse critério é o principal para confirmar o diagnóstico funcional de asma.

A distinção entre asma e DPOC é um ponto central. Ambas cursam com obstrução ao fluxo aéreo, mas a asma é caracterizada pela reversibilidade da obstrução, enquanto na DPOC a limitação ao fluxo aéreo é geralmente irreversível ou parcialmente reversível. A prova broncodilatadora positiva é um forte indicativo de asma, enquanto na DPOC a resposta ao broncodilatador costuma ser ausente ou discreta. Além disso, a DPOC é mais comum em adultos acima de 40 anos com histórico de tabagismo, enquanto a asma frequentemente se inicia na infância e está associada a atopia.

A banca explora a confusão entre asma e DPOC, especialmente no que diz respeito ao diagnóstico funcional. O candidato pode ser induzido a pensar que a obstrução com prova broncodilatadora positiva indica DPOC, mas o correto é que isso corrobora o diagnóstico de asma. A presença de reversibilidade é o critério que separa as duas doenças.

Guarde a fronteira entre asma e DPOC: a reversibilidade da obstrução ao fluxo aéreo, demonstrada pela prova broncodilatadora positiva, é o critério decisivo. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Asma Brônquica

DPOC

Obstrução ao fluxo aéreo

VEF1/CVF reduzido

VEF1/CVF reduzido

Resposta ao broncodilatador

Positiva (reversível)

Ausente ou discreta (irreversível)

Fator de risco típico

Atopia, rinite alérgica

Tabagismo, idade > 40 anos

Início

Frequentemente na infância

Geralmente após 40 anos

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que VEF1/CVF < 75% confirma o diagnóstico de DPOC. O erro está em atribuir à relação VEF1/CVF isoladamente o poder de confirmar DPOC. O diagnóstico de DPOC exige a presença de obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador) associada a sintomas respiratórios crônicos e fatores de risco, como tabagismo. Além disso, a relação VEF1/CVF < 75% é um critério funcional que também está presente na asma, não sendo específico para DPOC. A confirmação diagnóstica depende do contexto clínico e da resposta ao broncodilatador.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a medida do peak flow tem pouco valor no acompanhamento ambulatorial da asma. Na verdade, o pico de fluxo expiratório (PFE) é uma ferramenta útil no acompanhamento da asma, especialmente para monitorar a variabilidade da obstrução ao longo do tempo. A variabilidade aumentada do PFE (acima de 20% em adultos) é um critério diagnóstico e também auxilia no controle da doença. Portanto, a afirmação está incorreta ao desvalorizar o PFE no acompanhamento ambulatorial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a prova de função respiratória tem maior acurácia quando feita no momento da agudização dos sintomas. Na verdade, a espirometria deve ser realizada preferencialmente quando o paciente está estável, pois na crise aguda a obstrução pode ser exacerbada por fatores como broncoespasmo e secreções, dificultando a interpretação e a comparação com exames anteriores. A realização da espirometria no momento da agudização pode superestimar a gravidade da obstrução e não reflete o estado funcional basal do paciente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O índice de Tiffeneau (VEF1/CVF) reduzido com prova broncodilatadora positiva corrobora o diagnóstico de asma brônquica. A paciente apresenta espirometria com padrão obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) e resposta ao broncodilatador, o que, somado ao quadro clínico de sibilos difusos e história de rinite alérgica, confirma o diagnóstico de asma. A reversibilidade da obstrução é o critério funcional que distingue a asma da DPOC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a falha no esquema antimicrobiano para pneumonia pode justificar os sintomas atuais. A paciente refere ter tratado pneumonia há cerca de um mês, com melhora da febre e do aspecto e volume do escarro, persistindo tosse, dispneia e cansaço. A persistência desses sintomas, associada a sibilos difusos e espirometria com padrão obstrutivo e resposta ao broncodilatador, sugere fortemente asma, não falha terapêutica da pneumonia. A melhora dos sintomas infecciosos (febre e escarro) indica que a pneumonia foi tratada adequadamente, e os sintomas residuais são explicados pela asma subjacente.

Gabarito: letra D

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