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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2023

MedicinaNefrologia
Código
fg072922
Banca
FGV
Órgão
TJ-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Especialidade - Medicina - Clínica Geral
Jovem com rede social frágil busca a emergência queixando-se de náuseas e vômitos refratários. Exames da admissão revelam:Cr 7,0, Ur 390, Bic 15, pH 7,2, K 6,5. Não sabe informar sobre exames laboratoriais prévios.Sobre a diferenciação entre a insuficiência renal aguda e crônica nesse paciente, é correto afirmar que:
  1. Acaso fosse diagnosticada, a osteodistrofia renal corroboraria para o diagnóstico de doença renal crônica;
  2. Ba presença de anemia confirmaria a insuficiência renal crônica;
  3. Ca acidose metabólica sugere insuficiência renal aguda;
  4. Da ultrassonografia de vias urinárias revelando rins de tamanhos normais excluiria a doença renal crônica;
  5. Ea azotemia é tolerada de forma menos sintomática na doença renal crônica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — caso fosse diagnosticada, a osteodistrofia renal corroboraria para o diagnóstico de doença renal crônica;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diferenciação entre Insuficiência Renal Aguda (IRA) e Doença Renal Crônica (DRC)

Gabarito: letra A. A osteodistrofia renal é uma complicação de longo prazo da doença renal crônica (DRC), pois resulta de alterações no metabolismo mineral e ósseo que se desenvolvem ao longo de meses a anos de insuficiência renal. Sua presença, portanto, corrobora fortemente o diagnóstico de DRC, em contraste com a IRA, que não tem tempo de evolução suficiente para causar essa complicação.

A distinção entre insuficiência renal aguda (IRA) e doença renal crônica (DRC) é um dos pilares da nefrologia e um desafio clínico comum, especialmente quando o paciente não tem histórico médico conhecido. A IRA é uma perda rápida da função renal, em horas a dias, geralmente reversível se a causa for tratada. A DRC é uma perda progressiva e irreversível da função renal, que se desenvolve ao longo de meses a anos, e é definida pela presença de lesão renal ou redução da taxa de filtração glomerular (TFG) por um período superior a três meses. A diferenciação é crucial porque o manejo, o prognóstico e as complicações são distintos.

Vários parâmetros ajudam nessa diferenciação. A presença de anemia é comum na DRC, mas também pode ocorrer na IRA, especialmente em casos de hemólise, sangramento ou inflamação, portanto não é um marcador confiável. A acidose metabólica pode ocorrer em ambas as condições, sendo uma consequência da redução da excreção de ácidos e da produção de bicarbonato, e não ajuda a diferenciar. A ultrassonografia é uma ferramenta valiosa: rins de tamanho normal ou aumentado podem estar presentes na IRA, enquanto rins pequenos e hiperecogênicos são típicos da DRC avançada. No entanto, rins de tamanho normal não excluem DRC, pois em fases iniciais ou em doenças como a nefropatia diabética, os rins podem ter tamanho normal ou até aumentado. A azotemia (elevação de ureia e creatinina) é tolerada de forma mais sintomática na DRC, pois o paciente se adapta gradualmente à uremia, enquanto na IRA os sintomas aparecem de forma abrupta e intensa.

A osteodistrofia renal é um conjunto de alterações ósseas decorrentes do hiperparatireoidismo secundário, da deficiência de vitamina D e da retenção de fósforo, que ocorrem na DRC. Essas alterações levam a dor óssea, fraturas e deformidades, e são um marcador de doença de longa duração. A presença de osteodistrofia renal, portanto, é um forte indicativo de DRC, pois não há tempo suficiente para seu desenvolvimento na IRA. É importante lembrar que a osteodistrofia renal é uma complicação da DRC, e sua presença em um paciente com insuficiência renal aponta para a cronicidade do processo.

A banca explora a confusão entre os achados que são comuns a ambas as condições e aqueles que são específicos da DRC. A chave é identificar os marcadores de cronicidade, como a osteodistrofia renal, que não podem estar presentes na IRA. A anemia, a acidose e a azotemia são inespecíficas, e a ultrassonografia com rins de tamanho normal não exclui DRC. Portanto, a alternativa que menciona a osteodistrofia renal como corroboradora do diagnóstico de DRC é a correta.

Critério

IRA (Insuficiência Renal Aguda)

DRC (Doença Renal Crônica)

Osteodistrofia renal

Ausente (não há tempo para desenvolver)

Presente (complicação de longa evolução)

Anemia

Pode ocorrer (inespecífica)

Comum (deficiência de eritropoetina)

Acidose metabólica

Pode ocorrer (inespecífica)

Pode ocorrer (inespecífica)

Tamanho dos rins à USG

Normal ou aumentado

Pequeno e hiperecogênico (fases avançadas); pode ser normal em fases iniciais

Tolerância à azotemia

Sintomática (início abrupto)

Assintomática/adaptada (início gradual)

1Marcadores de cronicidade
Osteodistrofia renal
Rins pequenos e hiperecogênicos
2Achados inespecíficos
Anemia
Acidose metabólica
Azotemia
3Rins de tamanho normal
Não exclui DRC
Fases iniciais ou nefropatia diabética
Diferenciação IRA × DRC
LEVELsoulevel.com.br
Diferenciação IRA × DRC: Marcadores de cronicidade (Osteodistrofia renal, Rins pequenos e hiperecogênicos); Achados inespecíficos (Anemia, Acidose metabólica, Azotemia); Rins de tamanho normal (Não exclui DRC, Fases iniciais ou nefropatia diabética)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A osteodistrofia renal é uma complicação da DRC que se desenvolve ao longo de meses a anos, devido a alterações no metabolismo mineral e ósseo (hiperparatireoidismo secundário, deficiência de vitamina D, retenção de fósforo). Sua presença em um paciente com insuficiência renal é um forte indicativo de que a doença é crônica, pois não há tempo suficiente para seu desenvolvimento na IRA. Portanto, a afirmativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A anemia é uma complicação comum da DRC, devido à deficiência de eritropoetina, mas também pode ocorrer na IRA, especialmente em casos de hemólise, sangramento, inflamação ou supressão medular. Portanto, a presença de anemia não confirma o diagnóstico de DRC, sendo um achado inespecífico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A acidose metabólica é uma consequência da redução da função renal em ambas as condições, IRA e DRC, devido à diminuição da excreção de ácidos e da produção de bicarbonato. Portanto, a acidose metabólica não sugere especificamente IRA, sendo um achado comum em ambas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ultrassonografia de vias urinárias revelando rins de tamanhos normais não exclui a doença renal crônica. Em fases iniciais da DRC, ou em doenças como a nefropatia diabética, os rins podem ter tamanho normal ou até aumentado. Rins pequenos e hiperecogênicos são típicos de DRC avançada, mas a ausência desse achado não exclui a doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A azotemia é tolerada de forma mais sintomática na doença renal crônica, pois o paciente se adapta gradualmente à uremia, enquanto na IRA os sintomas aparecem de forma abrupta e intensa. A afirmativa inverte essa relação, dizendo que a azotemia é tolerada de forma menos sintomática na DRC, o que é incorreto.

Gabarito: letra A

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