Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — FGV 2023
Medicina›Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
fg072956
Banca
FGV
Órgão
TJ-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Especialidade - Medicina - Medicina do Trabalho
Na Medicina Baseada em Evidências, para integrarmos as evidências científicas com a prática clínica ou elaborarmos uma pesquisa científica de qualidade, o problema deve ser transformado numa pergunta clínica bem definida.Os componentes essenciais para a formulação de uma boa pergunta clínica são:
APaciente ou problema; Intervenção (de interesse); Comparação ou grupo controle; Outcomes ou desfecho;
BPatologia em questão; Paciente; Intervalo de confiança; Tamanho amostral;
CPaciente ou problema; Patologia; Terapêutica questionada; Inferência Estatística;
DPaciente ou problema; Patologia; Medicação utilizada; Intervalo de confiança;
EPatologia ou problema; Terapêutica utilizada; Tamanho amostral; Intervalo de confiança.
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GabaritoA — Paciente ou problema; Intervenção (de interesse); Comparação ou grupo controle; Outcomes ou desfecho;
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Medicina Baseada em Evidências: a pergunta clínica estruturada (PICO)
Gabarito: letra A. Os componentes essenciais para formular uma boa pergunta clínica na Medicina Baseada em Evidências (MBE) são exatamente os quatro elementos do acrônimo PICO: Paciente ou problema, Intervenção (de interesse), Comparação ou grupo controle e Outcomes (desfechos). É essa estrutura que transforma uma dúvida clínica vaga em uma pergunta pesquisável, permitindo a busca eficiente e a integração das melhores evidências com a prática clínica.
A Medicina Baseada em Evidências é o uso consciente, explícito e judicioso das melhores evidências científicas disponíveis para a tomada de decisões clínicas individualizadas. O ponto de partida de qualquer pesquisa ou de qualquer busca por evidência na prática clínica é a formulação de uma pergunta clínica bem estruturada. Uma pergunta mal formulada gera buscas imprecisas, resultados irrelevantes e conclusões frágeis. Por isso, a MBE desenvolveu um método para estruturar essa pergunta: o acrônimo PICO, que organiza a questão em quatro componentes fundamentais.
O P representa o Paciente ou Problema — a população ou condição clínica de interesse. O I é a Intervenção — o tratamento, o fator de exposição ou o teste diagnóstico que se quer avaliar. O C é a Comparação — o grupo controle, o tratamento alternativo ou a ausência de intervenção. O O são os Outcomes (desfechos) — os resultados de interesse, que devem ser definidos a priori e priorizados por sua importância clínica. Essa estrutura é universalmente reconhecida e utilizada em diretrizes, protocolos clínicos e revisões sistemáticas, como se observa na prática de elaboração de diretrizes do SUS, em que as questões de pesquisa são estruturadas segundo o acrônimo PICO.
A lógica por trás do PICO é garantir que a pergunta contenha todos os elementos necessários para uma busca bibliográfica eficaz e para a avaliação crítica da evidência. Sem a definição clara da população, da intervenção, da comparação e dos desfechos, a pergunta fica ambígua e a evidência encontrada pode não responder adequadamente à dúvida clínica. Por exemplo, em vez de perguntar "o canaquinumabe funciona para artrite idiopática juvenil?", uma pergunta PICO seria: "Em pacientes com artrite idiopática juvenil sistêmica (P), o uso de canaquinumabe (I) comparado ao tocilizumabe e corticoides (C) reduz a atividade da doença e melhora os desfechos clínicos (O)?".
A banca explora aqui a memorização dos quatro componentes do PICO, misturando-os com termos de outras áreas da pesquisa clínica, como intervalo de confiança, tamanho amostral e inferência estatística, que são conceitos importantes, mas não fazem parte da estrutura da pergunta clínica. O candidato que conhece o acrônimo PICO resolve a questão rapidamente; o que não conhece, confunde-se com os distratores. Guarde a sequência exata: Paciente/Problema, Intervenção, Comparação, Outcomes — é exatamente nessa ordem que as alternativas se dividem.
PICO (pergunta clínica)
1P — Paciente ou problema
2I — Intervenção de interesse
3C — Comparação ou grupo controle
4O — Outcomes (desfechos)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reproduz fielmente os quatro componentes do acrônimo PICO: Paciente ou problema, Intervenção (de interesse), Comparação ou grupo controle e Outcomes ou desfecho. É a estrutura canônica da pergunta clínica na MBE, utilizada para transformar uma dúvida clínica em uma questão pesquisável. A alternativa está correta porque lista exatamente os elementos essenciais, na ordem e com a nomenclatura consagrada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa troca os componentes do PICO por conceitos de estatística e delineamento de pesquisa: Patologia em questão, Paciente, Intervalo de confiança, Tamanho amostral. O intervalo de confiança e o tamanho amostral são aspectos importantes do planejamento e da análise de um estudo, mas não são componentes da pergunta clínica. A pergunta clínica deve conter os elementos do PICO, não os parâmetros estatísticos do estudo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta Paciente ou problema, Patologia, Terapêutica questionada, Inferência Estatística. Embora "paciente ou problema" e "terapêutica questionada" se aproximem dos componentes P e I, a alternativa inclui "patologia" (que é parte do problema, não um componente separado) e "inferência estatística" (que é um conceito de análise de dados, não um componente da pergunta). A estrutura correta exige a comparação (C) e os desfechos (O), que estão ausentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa lista Paciente ou problema, Patologia, Medicação utilizada, Intervalo de confiança. Novamente, "paciente ou problema" é um componente correto, mas "patologia" e "medicação utilizada" são especificações do problema e da intervenção, não componentes independentes. O intervalo de confiança é um conceito estatístico, não um componente da pergunta clínica. Faltam a comparação e os desfechos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa traz Patologia ou problema, Terapêutica utilizada, Tamanho amostral, Intervalo de confiança. "Patologia ou problema" e "terapêutica utilizada" são aproximações de P e I, mas o tamanho amostral e o intervalo de confiança são conceitos de delineamento e análise estatística, não componentes da pergunta clínica. A estrutura PICO exige a comparação (C) e os desfechos (O), que estão ausentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os componentes do PICO com termos de estatística e metodologia de pesquisa (intervalo de confiança, tamanho amostral, inferência estatística) para confundir o candidato. A pergunta clínica é sobre a estrutura da pergunta, não sobre os parâmetros do estudo. Lembre-se: a pergunta PICO é o ponto de partida; os conceitos estatísticos são usados na análise dos resultados, não na formulação da pergunta. Com treino, você identifica essa troca de imediato 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, memorize o acrônimo PICO e associe cada letra ao seu significado: Paciente/Problema, Intervenção, Comparação, Outcomes. Na prova, ao ver uma questão sobre pergunta clínica, elimine imediatamente alternativas que contenham termos como "intervalo de confiança", "tamanho amostral" ou "inferência estatística" — eles não fazem parte da estrutura da pergunta.