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Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — FGV 2023

MedicinaAspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
fg072971
Banca
FGV
Órgão
TJ-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Especialidade - Medicina - Psiquiatria
Quando um médico solicita que o paciente assine um termo de consentimento informado antes de realizar um procedimento, ele está exercendo, no encontro clínico, o princípio bioético da:
  1. Acompetência;
  2. Bjustiça;
  3. Cautonomia;
  4. Dbeneficência;
  5. Enão maleficência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — autonomia;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Princípios da bioética: autonomia e o consentimento informado

Gabarito: letra C. Quando o médico solicita a assinatura do termo de consentimento informado, ele está exercendo o princípio bioético da autonomia, que representa a capacidade do indivíduo de governar a si próprio e participar das decisões sobre sua saúde, exigindo que o paciente esteja informado e apto a decidir com base em seus valores. Os quatro pilares da ética médica — autonomia, beneficência, não maleficência e justiça — fundamentam a relação médico-paciente, e é o respeito à autodeterminação do paciente que torna o consentimento informado um instrumento central do encontro clínico.

A bioética, como campo de reflexão sobre a conduta moral na área da saúde, consolidou-se a partir de quatro princípios fundamentais que orientam a prática médica. Esses princípios não são excludentes, mas complementares, e a ponderação entre eles é que guia a tomada de decisão clínica. O princípio da autonomia é o que mais diretamente se relaciona com o consentimento informado, pois reconhece o direito do paciente de ser o protagonista das decisões sobre seu próprio corpo e tratamento. Isso significa que, antes de qualquer procedimento, o médico deve fornecer informações claras, precisas e completas sobre o diagnóstico, as opções terapêuticas, os riscos, os benefícios e as alternativas, para que o paciente possa tomar uma decisão livre e esclarecida.

Na prática, o consentimento informado materializa a autonomia do paciente. O médico não pode simplesmente decidir o que é melhor e executar; ele deve dialogar, esclarecer dúvidas e respeitar a vontade do paciente, mesmo que essa vontade divirja da recomendação médica. Por exemplo, um paciente com diagnóstico de câncer pode optar por não se submeter à quimioterapia, mesmo sabendo dos riscos, e essa decisão deve ser respeitada, desde que o paciente esteja devidamente informado e seja capaz de decidir. A autonomia, portanto, transfere o centro da decisão do médico para o paciente, em um modelo de cuidado centrado no paciente, que valoriza a dignidade e a liberdade individual.

Os demais princípios, embora igualmente importantes, têm focos distintos. A beneficência impõe ao médico a obrigação de agir em benefício do paciente, promovendo seu bem-estar e ponderando riscos e benefícios. A não maleficência, por sua vez, é o princípio de não causar dano, sintetizado no axioma primum non nocere. A justiça diz respeito à distribuição equitativa dos recursos de saúde e ao tratamento justo e igualitário de todos os pacientes. O consentimento informado, especificamente, é a expressão prática da autonomia, pois é o mecanismo pelo qual o paciente exerce seu direito de decidir sobre si mesmo.

A banca explora a confusão entre os princípios, especialmente entre autonomia e beneficência. O candidato pode ser tentado a escolher beneficência, pensando que o médico, ao informar e obter o consentimento, está agindo em benefício do paciente. No entanto, o ato de solicitar a assinatura do termo é, por definição, um reconhecimento da capacidade do paciente de decidir, ou seja, um exercício de sua autonomia. A beneficência seria o princípio que orienta o médico a recomendar o melhor tratamento, mas é a autonomia que exige que o paciente consinta com esse tratamento. Guarde essa distinção: o consentimento informado é o instrumento que garante a autonomia do paciente no encontro clínico.

1Autonomia
Consentimento informado
Paciente decide sobre si
2Beneficência
Agir em benefício do paciente
3Não maleficência
Primum non nocere
4Justiça
Distribuição equitativa de recursos
Princípios da bioética
LEVELsoulevel.com.br
Princípios da bioética: Autonomia (Consentimento informado, Paciente decide sobre si); Beneficência (Agir em benefício do paciente); Não maleficência (Primum non nocere); Justiça (Distribuição equitativa de recursos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A competência não é um princípio bioético, mas sim um atributo do profissional de saúde, relacionado à sua capacidade técnica e científica para exercer a medicina. A alternativa confunde a qualidade profissional do médico com os princípios que regem a relação com o paciente. Embora a competência seja essencial para a boa prática, ela não é o fundamento do consentimento informado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A justiça é um princípio bioético, mas se refere à distribuição equitativa dos recursos de saúde e ao tratamento justo e igualitário dos pacientes. No contexto do consentimento informado, a justiça não é o princípio diretamente exercido, pois o ato de solicitar a assinatura do termo não diz respeito à alocação de recursos, mas sim ao direito do paciente de decidir sobre seu próprio corpo.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A autonomia é o princípio bioético que fundamenta o consentimento informado. Ela representa a capacidade do indivíduo de governar a si próprio e participar das decisões sobre sua saúde, exigindo que o paciente esteja informado e apto a decidir com base em suas crenças e valores. Ao solicitar a assinatura do termo, o médico reconhece e respeita a autodeterminação do paciente, materializando o princípio da autonomia no encontro clínico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A beneficência é o princípio que impõe ao médico a obrigação de agir em benefício do paciente, promovendo seu bem-estar e ponderando riscos e benefícios. Embora o consentimento informado também vise o benefício do paciente, o ato de solicitar a assinatura do termo é, especificamente, um exercício da autonomia, pois reconhece o direito do paciente de decidir. A beneficência orienta o médico a recomendar o melhor tratamento, mas é a autonomia que exige o consentimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A não maleficência é o princípio de não causar dano ao paciente, sintetizado no axioma primum non nocere. O consentimento informado não é diretamente um exercício desse princípio, pois não se trata de evitar dano, mas de respeitar a vontade do paciente. A não maleficência é um princípio que orienta o médico a evitar condutas que possam prejudicar o paciente, mas não é o fundamento do termo de consentimento.

Gabarito: letra C — o consentimento informado é a expressão prática do princípio da autonomia, que reconhece o direito do paciente de decidir sobre seu próprio corpo e tratamento.

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