Assinale a frase em que a expressão “é que” não mostra valor enfático, fazendo parte da estrutura sintática da frase.
AÉ o uniforme que faz esquecer aquele que o veste.
BO hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras.
CA resposta é que todos devem colaborar.
DA leitura é que nos torna mais cultos.
ENão sabemos quando é que custa a vida.
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GabaritoC — A resposta é que todos devem colaborar.
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Distinção entre “é que” enfático e estrutural
Gabarito: letra C. A única frase em que “é que” NÃO tem valor enfático, mas sim função sintática normal, é a opção C: “A resposta é que todos devem colaborar”.
Técnica de resolução
A expressão “é que” pode aparecer em dois contextos:
Valor enfático: em construções clivadas (cleft sentences), que realçam um termo — ex.: “Ele é que fez” (realça “ele”).
Parte da estrutura sintática: quando “é” é o verbo principal e “que” é uma conjunção integrante (ou relativa) que introduz uma oração subordinada substantiva ou adjetiva.
Para identificar se há ênfase, verifique se a supressão do “é que” altera o sentido principal: se retirar o “é que” e a frase continuar coerente (perdendo apenas o realce), é enfático. Se retirar e a frase ficar agramatical ou com sentido diferente, é estrutural.
Alternativa
Frase
Função de "é que"
Justificativa
A
É o uniforme que faz esquecer aquele que o veste.
Enfático (clivada)
Retirando "é que": "O uniforme faz esquecer..." – frase coerente, perde apenas o realce.
B
O hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras.
Enfático (clivada)
Retirando "é que": "O hábito torna suportáveis..." – frase coerente, perde apenas o realce.
C
A resposta é que todos devem colaborar.
Estrutural (sintático)
Retirando "é que": "A resposta todos devem colaborar" – agramatical; "é" é verbo principal, "que" é conjunção integrante.
D
A leitura é que nos torna mais cultos.
Enfático (clivada)
Retirando "é que": "A leitura nos torna mais cultos" – frase coerente, perde apenas o realce.
E
Não sabemos quando é que custa a vida.
Enfático (locução interrogativa)
"quando é que" é locução enfática; retirando "é que": "Não sabemos quando custa a vida" – frase coerente, perde ênfase.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta “É o uniforme que faz esquecer aquele que o veste.” Construção clivada: o “é... que” realça “o uniforme”. Se retirarmos “é que”, obtemos “O uniforme faz esquecer aquele que o veste” — a frase se mantém, mas perde o realce. Logo, valor enfático.
Alternativa B — ❌ Incorreta “O hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras.” Idem: realce de “o hábito”. Retirando: “O hábito torna suportáveis...” — válida sem o “é que”. Portanto, enfático.
Alternativa C — ✅ Correta “A resposta é que todos devem colaborar.” Aqui “é” é o verbo principal da oração (“a resposta é”) e “que” é uma conjunção integrante que introduz uma oração subordinada substantiva predicativa (“que todos devem colaborar”). Se retirarmos “é que”, a frase fica “A resposta todos devem colaborar” — agramatical. O “é que” não pode ser suprimido sem prejuízo estrutural; portanto, NÃO tem valor enfático, faz parte da sintaxe.
Alternativa D — ❌ Incorreta “A leitura é que nos torna mais cultos.” Clivada: realce de “a leitura”. Retirando: “A leitura nos torna mais cultos” — preserva o sentido, perdendo a ênfase.
Alternativa E — ❌ Incorreta “Não sabemos quando é que custa a vida.” A expressão “quando é que” é uma locução interrogativa enfática, usada para realçar a pergunta. Embora o “é que” esteja fixo, ele atua como partícula expletiva de realce. Retirando: “Não sabemos quando custa a vida” — a frase ainda é gramatical, mas perde o tom enfático da indagação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca espera que o candidato confunda a estrutura clivada (enfática) com a simples justaposição de verbo + conjunção. A opção C é a única em que “é” e “que” pertencem a constituintes diferentes: “é” é o núcleo do predicado nominal e “que” inicia uma oração subordinada. Nas demais, “é que” forma um bloco enfático.