O texto 2 apresenta uma linguagem predominantemente objetiva, por meio da qual se busca ocultar a presença do enunciador.Uma estratégia gramatical adotada para esse fim consiste no emprego de:
Aorações coordenadas, como se vê em “O aumento da produção de nutrientes permitiu o crescimento e a fixação da população humana em cidades”;
Borações adjetivas, como se vê em “De fato, segmentos populacionais menos privilegiados, que ocupam, em sua maioria, as periferias urbanas [...]”;
Cvoz passiva sintética, como se vê em “Sabe-se que não são apenas as intervenções físicas que transformam o território”;
Dmodalizadores, como se vê em “Talvez seja válido dizer que Logos e Páthos caminham de braços dados pelas ruas das cidades mundo afora”;
Elocuções adverbiais, como se vê em “No Brasil, as doenças mentais são o terceiro maior conjunto de morbidades a pesar na sociedade”.
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GabaritoC — voz passiva sintética, como se vê em “Sabe-se que não são apenas as intervenções físicas que transformam o território”;
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Estratégia gramatical para ocultar o enunciador no Texto 2
Gabarito: letra C. A única alternativa que apresenta uma estratégia gramatical que de fato oculta a presença do enunciador é a voz passiva sintética (verbo + pronome "se"), exemplificada em "Sabe-se que não são apenas as intervenções físicas que transformam o território". Nessa construção, o sujeito é paciente e o agente não é explicitado, o que torna o discurso mais impessoal e objetivo, atendendo ao que o enunciado pede.
O comando da questão pede que se identifique uma estratégia gramatical usada no texto para tornar a linguagem predominantemente objetiva e ocultar a presença do enunciador. Isso significa que a banca quer uma estrutura sintática que evite apontar quem pratica a ação, deixando o foco na ação em si.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“O aumento da produção de nutrientes permitiu o crescimento e a fixação da população humana em cidades”
Erro: orações coordenadas (no caso, assindéticas) não contribuem para ocultar o enunciador. Elas apenas ligam termos ou orações de mesmo valor. O enunciador aparece normalmente como sujeito agente (“O aumento… permitiu”). Não há impessoalidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“De fato, segmentos populacionais menos privilegiados, que ocupam, em sua maioria, as periferias urbanas [...]”
Erro: orações adjetivas (iniciadas por pronome relativo) apenas acrescentam uma característica ao antecedente. Elas não retiram o enunciador da frase; ao contrário, o agente continua explícito no verbo (“ocupam”). Não é estratégia de ocultação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Sabe-se que não são apenas as intervenções físicas que transformam o território”
Acerto: a forma “sabe-se” é voz passiva sintética (verbo “saber” + pronome apassivador “se”). O sujeito da oração é “que não são apenas as intervenções físicas…” (sujeito paciente), e o agente (quem sabe) não é mencionado. Isso torna a afirmação impessoal, escondendo o enunciador e dando tom objetivo. É exatamente a estratégia pedida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Talvez seja válido dizer que Logos e Páthos caminham de braços dados pelas ruas das cidades mundo afora”
Erro: modalizadores como “talvez” e “seja válido” expressam dúvida, opinião ou possibilidade, o que torna o texto mais subjetivo, não mais objetivo. Eles evidenciam a presença do enunciador, que está avaliando o que diz, justamente o contrário do que a questão pede.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“No Brasil, as doenças mentais são o terceiro maior conjunto de morbidades a pesar na sociedade”
Erro: locuções adverbiais (como “no Brasil”) indicam circunstância de lugar, mas não escondem o enunciador. A frase continua com sujeito agente explícito (“as doenças mentais”) e verbo na voz ativa. A objetividade pode vir da informação factual, mas a estratégia gramatical não é a locução adverbial.
💡 Dica: para questões que pedem estratégias de objetividade e impessoalidade, lembre-se de três recursos clássicos: voz passiva (sintética ou analítica), sujeito indeterminado e orações sem sujeito (fenômenos da natureza). A voz passiva sintética (verbo + “se”) é um dos mais comuns em textos científicos e jornalísticos.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.