Identificação de raciocínio por analogia
Gabarito: letra D. O raciocínio por analogia estabelece uma comparação entre duas situações diferentes, transferindo características de uma para a outra para explicar ou argumentar. Na alternativa D, o autor compara o efeito da vontade do líder em estados tirânicos ao choque entre duas bolas: "como o de uma bola que se choca contra a outra". Essa comparação explicita a ideia de que a obediência deve ser infalível e imediata, usando o fenômeno físico como modelo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"No governo republicano, é da natureza da constituição que os juízes devem seguir a letra da lei;"
Aqui há uma afirmação geral sobre a natureza do governo republicano, sem qualquer comparação com outro domínio. É um enunciado de princípio, não uma analogia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Se as eleições indicam um vencedor, é natural que as pessoas passem a atribuir a esse vencedor responsabilidades pelos sonhos que almejam;"
Trata-se de uma relação de causa e consequência (se... então), e não de analogia. Não há comparação com outra situação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Os animais não possuem as vantagens que temos, mas possuem outras: eles não têm nossas esperanças, mas não possuem nossos temores; eles sofrem, como nós, a morte, mas sem a conhecer;"
Há uma comparação entre animais e humanos, mas é um contraste de características, não uma analogia que transfira o raciocínio de um domínio para outro para explicar algo. É uma descrição contrastiva.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Nos estados tirânicos, a natureza do governo requer uma obediência extrema; e, uma vez conhecida a vontade do líder, ela deve provocar efeito infalível, como o de uma bola que se choca contra a outra;"
O trecho usa explicitamente o termo "como" para estabelecer uma analogia entre o efeito da vontade do líder e o choque de bolas, transferindo a ideia de inevitabilidade e imediatismo do fenômeno físico para o contexto político.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Não há liberdade se o poder de julgar não está separado do poder legislativo e executivo. Se ele estivesse unido ao poder legislativo, o poder sobre a vida dos cidadãos seria arbitrário porque o juiz seria legislador."
Trata-se de um raciocínio lógico-dedutivo sobre a separação dos poderes, sem recurso a analogia.
Conclusão: A única alternativa que apresenta raciocínio por analogia é a D, identificada pelo uso explícito de comparação com um fenômeno externo para explicar uma situação política.