Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2023
Português›Interpretação de Textos
Código
fg073907
Banca
FGV
Órgão
PGM - Niterói
Ano
2023
Nível
Superior
Todos os segmentos textuais abaixo são exemplos de textos narrativos, que podem mostrar, entre outras, uma focalização onisciente dos fatos, ou seja, em que o narrador mostra um conhecimento completo de todos os elementos romanescos: tempo, espaço e personagens.Esse tipo de focalização está apresentado em:
AMeus pensamentos vagaram toda a noite por projetos a serem realizados e, quando despertei, procurei anotar alguns detalhes importantes;
BA raposa olhou as uvas lá no alto e, sabendo que não iria alcançá-las, desistiu do seu projeto, alegando que estavam verdes, mantendo, assim, o orgulho;
CO homem aproximou-se do portão da casa e talvez, desejoso de ver a sua amada, apertou o botão da campainha...;
DEstacionei o carro na esquina, deixei rapidamente o local e meia hora depois a explosão acordou todo o quarteirão;
EEle não sabia por que estava ali, parado, nem mesmo eu, o narrador desta história, tenho esse conhecimento.
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GabaritoB — A raposa olhou as uvas lá no alto e, sabendo que não iria alcançá-las, desistiu do seu projeto, alegando que estavam verdes, mantendo, assim, o orgulho;
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Focalização onisciente em texto narrativo
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que o narrador revela conhecimento completo dos pensamentos e motivações da personagem (a raposa), caracterizando a focalização onisciente.
Análise do conceito
A focalização onisciente ocorre quando o narrador tem acesso irrestrito à interioridade das personagens, incluindo pensamentos, sentimentos e intenções, bem como ao tempo e espaço da narrativa. O narrador "sabe tudo".
Focalização onisciente
1Narrador sabe tudo
Pensamentos
Sentimentos
Motivações
Tempo e espaço
2Marcas linguísticas
Certeza (não "talvez")
Acesso à mente alheia
Verbos de conhecimento
3Narrador-personagem (1ª pessoa)
Limitado ao próprio eu
4Narrador com dúvida
"Talvez", "quem sabe"
5Narrador que ignora
"Não sei", "ninguém sabe"
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Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"A raposa olhou as uvas lá no alto e, sabendo que não iria alcançá-las, desistiu do seu projeto, alegando que estavam verdes, mantendo, assim, o orgulho;"
O narrador revela que a raposa sabia que não alcançaria as uvas – conhecimento interno – e ainda interpreta a desistência como uma estratégia para manter o orgulho. Esse acesso à mente da personagem é marca da onisciência.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Meus pensamentos vagaram toda a noite... procurei anotar alguns detalhes importantes;"
Narrador em primeira pessoa: limitado ao que ele próprio pensa e faz. Não há conhecimento sobre outras personagens. Erro: não é onisciente (narrador-personagem).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"O homem aproximou-se do portão da casa e talvez, desejoso de ver a sua amada..."
A palavra "talvez" denota dúvida, incerteza. Um narrador onisciente não usaria expressão de probabilidade; ele saberia com certeza. Erro: o narrador não demonstra conhecimento pleno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Estacionei o carro na esquina, deixei rapidamente o local e meia hora depois a explosão acordou todo o quarteirão;"
Narrador em primeira pessoa. Só relata suas próprias ações e percepções. Erro: narrador-personagem, limitado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Ele não sabia por que estava ali, parado, nem mesmo eu, o narrador desta história, tenho esse conhecimento. "
O narrador afirma explicitamente que não sabe o motivo. Isso é o oposto da onisciência. Erro: narrador assume ignorância.
💡 Dica
Para identificar focalização onisciente, procure verbos que indicam conhecimento do pensamento alheio (saber, pensar, sentir, desejar) e ausência de dúvidas ou restrições. Palavras como "talvez", "provavelmente" ou a declaração de desconhecimento do narrador apontam para focalização externa.