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Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — FGV 2023

PortuguêsNoções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Código
fg074402
Banca
FGV
Órgão
SMED de Belo Horizonte - MG
Ano
2023
Nível
Superior
Leia o fragmento a seguir.Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.Machado de Assis. Quincas Borba. São Paulo. Ed. Ática. 1988.No primeiro parágrafo do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, o narrador do romance, mostra-se como
  1. Aobservador de caráter onisciente, fornecendo características predominantemente psicológicas do personagem.
  2. Bobservador de um momento de um personagem, com informações limitadas por vê-lo à distância.
  3. Cnarrador onisciente, com conhecimento dos fatos em sua integralidade.
  4. Dnarrador de terceira pessoa, participando como personagem do romance.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — observador de caráter onisciente, fornecendo características predominantemente psicológicas do personagem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identificação do Tipo de Narrador em Quincas Borba

Gabarito: Letra A. O narrador do fragmento é onisciente (sabe o que o personagem pensa e sente) e fornece características psicológicas de Rubião, como a comparação entre passado e presente e a sensação de propriedade. Isso fica evidente nos trechos:

“mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente.” “e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.”

O narrador conhece os pensamentos e sensações íntimas do personagem, o que caracteriza a onisciência. A alternativa A é a única que descreve corretamente essa característica.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa diz: “observador de caráter onisciente, fornecendo características predominantemente psicológicas do personagem.” O narrador, de fato, é onisciente: ele sabe que Rubião “pensava em outra coisa” e que sente “sensação de propriedade”. Além disso, explora o psicológico ao contrastar o que Rubião era (professor) e o que é agora (capitalista). Portanto, correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“observador de um momento de um personagem, com informações limitadas por vê-lo à distância.” O narrador não tem informações limitadas; ele revela pensamentos e sentimentos internos. A expressão “Quem o visse” é uma hipótese, mas o narrador não se limita a essa visão externa – ele entra na mente do personagem. A alternativa extrapola a ideia de observação externa e ignora as pistas de onisciência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“narrador onisciente, com conhecimento dos fatos em sua integralidade.” Embora o narrador seja onisciente, a expressão “em sua integralidade” é excessiva: o texto não mostra que ele sabe todos os fatos, apenas os pensamentos e sensações de Rubião naquele momento. Além disso, a alternativa omite a ênfase nas características psicológicas, que é o foco do parágrafo. Portanto, está incompleta e menos precisa que a A.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“narrador de terceira pessoa, participando como personagem do romance.” O narrador é em terceira pessoa, mas não participa como personagem. Ele se dirige ao leitor (“vos digo”), mas não atua na história. A alternativa contradiz o texto, pois não há qualquer indicação de que o narrador seja personagem.

Conclusão: A única alternativa plenamente sustentada pelo texto é a letra A, que reconhece a onisciência e a ênfase psicológica do narrador.

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