Modificações na norma culta no Modernismo
Gabarito: letra C. A única alternativa que apresenta uma modificação real na norma culta do português brasileiro, acompanhada de um exemplo que a comprova de forma adequada, é a C: o emprego de pronome oblíquo solto entre dois verbos. A frase “Ele foi se pentear no espelho do banheiro” ilustra a colocação pronominal característica do português moderno, que tende a evitar a ênclise em locuções verbais, mantendo o pronome entre o auxiliar e o principal.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A modificação anunciada é o uso do pronome “ele/ela” como objeto direto, mas o exemplo dado (“Nós vimos que ele não chegaria a tempo”) emprega “ele” como sujeito da oração subordinada, não como objeto direto. O exemplo não comprova a modificação; há uma troca de conceito (sujeito por objeto).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A modificação seria o uso de “mim” em lugar de “eu”. No exemplo “Para mim, trabalhar lá deve ser um sacrifício”, “mim” é complemento de “para”, e “trabalhar” é sujeito da oração reduzida – não há substituição de “eu” como sujeito. A frase está correta dentro da norma, mas não exemplifica a troca descrita. Extrapolação: a banca confunde o uso legítimo de “mim” com a suposta substituição.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O emprego de pronome oblíquo solto entre dois verbos é uma modificação real na norma culta brasileira, tornando-se mais frequente a partir do Modernismo. O exemplo “Ele foi se pentear” mostra o pronome “se” entre o auxiliar “foi” e o principal “pentear”, sem ênclise ou próclise obrigatória. É a única alternativa em que a modificação e o exemplo estão alinhados.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A modificação é o uso de “ter” no lugar de “haver” (como em “tem pessoas” por “há pessoas”). No entanto, o exemplo “Ele não tinha mais o que fazer” emprega “tinha” com sentido possessivo (possuía), e não como verbo existencial. O exemplo não corresponde à modificação anunciada, configurando troca de conceito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A modificação seria o uso de “lhe” em lugar de “o/a”. Na frase “Eu lhe entreguei os livros prometidos”, “lhe” é objeto indireto (entregar a alguém), função correta e não substitutiva de objeto direto. A troca descrita é um desvio de regência, não uma modificação da norma culta. O exemplo é adequado ao uso de “lhe”, mas contradiz a modificação proposta.
Gabarito: letra C