Questão de Português — Coesão e coerência — FGV 2023
Português›Coesão e coerência
Código
fg074600
Banca
FGV
Órgão
TJ-RN
Ano
2023
Nível
Superior
A frase abaixo que mostra ambiguidade em função de NÃO se poder distinguir agente e paciente, é:
AO chefe encontrou o funcionário em seu gabinete;
BA criação da instituição demorou mais do que se esperava;
CJoão e Maria se casaram ontem;
DEncontrei o assaltante andando pela rua;
EChamar os bombeiros já ficou na moda.
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GabaritoB — A criação da instituição demorou mais do que se esperava;
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Distinção entre agente e paciente na ambiguidade nominal
Gabarito: letra B. A ambiguidade que impede distinguir agente e paciente ocorre na nominalização "criação da instituição", em que o complemento pode ser interpretado como agente (a instituição cria) ou paciente (a instituição é criada). As demais alternativas ou não apresentam ambiguidade ou apresentam ambiguidade de outro tipo.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ambiguidade em "seu gabinete" é de posse, não de agente/paciente. O texto permite associar "seu" ao chefe ou ao funcionário, mas não há dúvida sobre quem pratica a ação de encontrar: o chefe é agente e o funcionário, paciente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O substantivo "criação", derivado do verbo criar, pode receber o complemento "da instituição" como agente (a instituição que cria alguma coisa) ou como paciente (a instituição que é criada). Essa dupla interpretação é clássica de nominalizações e configura a ambiguidade entre agente e paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"João e Maria se casaram" é uma oração com sujeito composto e verbo reflexivo recíproco. Ambos são simultaneamente agentes e pacientes da ação de casar, não havendo ambiguidade na distinção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A frase "Encontrei o assaltante andando pela rua" apresenta ambiguidade no gerúndio: pode ser que "eu" estava andando ou que o assaltante estava andando. Embora seja uma ambiguidade de agente (quem pratica a ação de andar), ela não decorre da estrutura nominal agente/paciente do enunciado, e sim da oração reduzida de gerúndio. O foco da questão é a ambiguidade por nominalização, não essa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Chamar os bombeiros já ficou na moda" é uma oração com sujeito oracional claro. Não há ambiguidade entre agente e paciente; o verbo "chamar" tem seu agente indeterminado (ou genérico), mas a construção não permite dupla interpretação no nível pedido.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa D é um clássico de ambiguidade, mas o examinador exigiu especificamente a ambiguidade que decorre da impossibilidade de distinguir agente e paciente em uma nominalização, não a do gerúndio.
Conclusão: apenas a letra B preenche o requisito, pois o sintagma "criação da instituição" pode ser lido como "a instituição cria" (agente) ou "a instituição é criada" (paciente).