Questão de História e Geografia de Estados e Municípios — História e Geografia do Estado do Paraná — FGV 2024
História e Geografia de Estados e Municípios›História e Geografia do Estado do Paraná
Código
fg075360
Banca
FGV
Órgão
AL-PR
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Procurador
O etnocídio foi levado a cabo nas Américas eliminando diversas populações, numa colonização praticada supostamente “para o bem do selvagem”. Por trás desta concepção coincide a ética do humanismo, que proclama dois axiomas: 1) há culturas inferiores e superiores, e 2) a cultura ocidental é superiormente absoluta. Em relação a todas as outras culturas, nesse sentido, ela só pode existir segundo uma relação de negação total da diversidade cultural, pois: à perspectiva de seus agentes, o etnocídio não poderia ser um empreendimento de destruição, ao contrário, é uma tarefa necessária, exigida pelo humanismo inscrito no núcleo da cultura ocidental.AGOSTINHO, Thiago Lira Alves. A razão de Estado e o etnocídio: reflexões sobre a cultura da violência. Kínesis, Vol. XIII, n° 35, dezembro 2021, p.425-459. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br. Acesso: 16 jan. 2024. (Adaptado) A partir da reflexão sobre o tema abordado no texto, leia as afirmativas a seguir. I. Os indígenas Xetá, pertencentes ao tronco linguístico dos TupiGuarani, habitavam a Serra dos Dourados a margem do rio Ivaí, no Paraná e foram a primeira etnia a ter contato com o homem branco nessa região, a partir do início do clico do tropeirismo no século XVIII. II. A população Xetá foi drasticamente reduzida pela ação das frentes de colonização que modernizaram o noroeste do Paraná e adjacências para a agropecuária e cafeicultura. O órgão indigenista oficial da época, o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), distribuiu os sobreviventes em diferentes regiões do Paraná, enfraquecendo sua luta, sua cultura, e diminuindo a esperança de reocuparem dignamente suas terras. III. Os efeitos da política colonizadora do governo paranaense na região da Serra dos Dourados somados à omissão e negligência do SPI, no que tange à sua competência enquanto órgão de assistência e proteção aos povos indígenas, resultou na perda do território tradicional Xetá e na extinção da sociedade, da qual sobreviveram poucos indivíduos. Está correto o que se afirma em
AI, apenas.
BIII, apenas.
CI e II, apenas.
DII e III, apenas.
EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — II e III, apenas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Etnocídio e a tragédia dos Xetá no Paraná
Gabarito: letra D. Estão corretas apenas as afirmativas II e III. A afirmativa I é falsa porque o primeiro contato com os Xetá na Serra dos Dourados ocorreu no século XX, e não no século XVIII durante o ciclo do tropeirismo — a colonização efetiva da região só se deu com as frentes agropecuárias e cafeeiras do século XX, como apontam os estudos históricos sobre o noroeste paranaense.
A questão cobra conhecimento sobre a história indígena do Paraná, especialmente o etnocídio sofrido pelos Xetá. O texto de apoio discute a ideologia por trás do etnocídio, e as afirmativas trazem informações factuais sobre esse povo. É essencial atentar para a cronologia: o tropeirismo (séc. XVIII) não atingiu aquela área, que foi colonizada tardiamente.
Afirmativa
Conteúdo
Correção
I
O primeiro contato com os Xetá na Serra dos Dourados ocorreu no século XVIII, durante o ciclo do tropeirismo.
❌ Incorreto (contato foi no século XX)
II
A colonização do noroeste paranaense (cafeicultura/pecuária) dizimou os Xetá, com atuação negligente do SPI.
✅ Correto
III
A política colonizadora e a omissão do SPI causaram perda total do território e quase extinção dos Xetá.
✅ Correto
Séc. XVIIITropeirismo (não atinge a região)
Déc. 1940Expansão cafeeira e pecuária
Séc. XXPrimeiro contato com os Xetá
Déc. 1940-1960Dizimação e dispersão pelo SPI
LEVEL · soulevel.com.br
Item I — ❌ Incorreto
A afirmativa contém dois erros graves. O primeiro é cronológico: o contato dos Xetá com o homem branco na Serra dos Dourados não aconteceu no século XVIII, mas sim no século XX, quando as frentes de colonização (cafeicultura, agropecuária) avançaram sobre o noroeste do Paraná. O ciclo do tropeirismo, que percorria o caminho Viamão-Sorocaba, não abrangia essa região. O segundo erro é histórico: os Xetá não foram a primeira etnia a ter contato na região; grupos Guarani e Kaingang já habitavam a área e interagiam com os colonizadores antes. Portanto, a afirmação é incorreta.
Item II — ✅ Correta
A colonização do noroeste paranaense, especialmente a partir da década de 1940 com a expansão da cafeicultura e pecuária, de fato dizimou a população Xetá. O Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão oficial da época, atuou de forma negligente: ao invés de proteger o território, dispersou os sobreviventes em diferentes regiões do Paraná, fragmentando o grupo e acelerando a perda cultural e territorial. Esse cenário está em linha com o conceito de etnocídio descrito no texto, em que a destruição cultural é mascarada por um discurso de “civilização”.
Item III — ✅ Correta
A soma da política colonizadora do governo paranaense com a omissão do SPI resultou na perda completa do território tradicional Xetá. A sociedade Xetá foi praticamente extinta, restando poucos indivíduos. O texto-base fala de “etnocídio” como negação da diversidade cultural; esse caso concreto é um exemplo trágico: a ação estatal, ainda que justificada pelo “progresso”, levou à destruição de um povo. A afirmativa está histórica e conceitualmente correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao associar os Xetá ao tropeirismo do século XVIII. O erro é duplo: a região da Serra dos Dourados só foi colonizada no século XX, e o tropeirismo não passava por ali. Lembre-se: a colonização do noroeste do Paraná é um fenômeno recente, ligado ao café e à migração de paulistas e mineiros.
Gabarito: letra D — corretos apenas os itens II e III.