Questão de Direito Civil — Responsabilidade civil — FGV 2024
- Código
- fg075384
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-PR
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Procurador
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CIII, apenas.
- DI e III, apenas.
- EIII e IV, apenas.
GabaritoB — II, apenas.
Gabarito: letra B (apenas o item II está correto). No caso, a condenação criminal transitada em julgado impede que se rediscuta a existência do fato e a autoria no juízo cível (art. 935 do Código Civil). Ademais, o STJ firma que a alegada "legítima defesa da honra" não exclui nem reduz o dever de indenizar, sendo o homicídio doloso e a conduta da vítima (adultério) irrelevante para configurar concorrência causal. Portanto, o dever de indenizar é incontornável.
A independência entre as esferas cível e criminal é relativa. O art. 935 do CC determina que, se a sentença criminal já decidiu sobre a existência do fato e a autoria, o juízo cível não pode reexaminar essas questões. Como o réu foi condenado criminalmente, a afirmação de que o juiz cível poderia decidir pela inexistência do dever de indenizar é falsa.
A assertiva capta corretamente a independência relativa: embora as responsabilidades sejam autônomas, a condenação criminal vincula o juízo cível quanto ao fato e à autoria. Com a condenação por homicídio e a rejeição da legítima defesa, o dever de indenizar é incontornável, conforme jurisprudência consolidada do STJ.
A "legítima defesa da honra" não é causa legal de exclusão da ilicitude no crime de homicídio, e muito menos de exclusão ou redução da responsabilidade civil. O STJ rejeita essa tese, entendendo que a honra não justifica o uso letal da força. Portanto, a alegação não é razão justificadora para diminuir ou excluir a indenização.
A conduta da vítima (adultério) não constitui causa concorrente para o dano. O homicídio é ato doloso e desproporcional; a jurisprudência do STJ afasta o concurso de culpa em casos de homicídio por suposta traição, pois a reação extrema rompe o nexo causal. Logo, não há influência no quantum indenizatório por esse fundamento.
A banca confunde independência total com independência relativa. O candidato pode pensar que, por serem independentes, o juiz cível pode ignorar a condenação criminal. Na realidade, a independência é relativa: a sentença criminal vincula o cível quanto à existência do fato e à autoria (art. 935 CC). Além disso, a legítima defesa da honra é rejeitada pelo STJ como excludente de responsabilidade civil.
Conclusão: apenas o item II está correto, o que corresponde à alternativa B.
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