Questão de Direito Civil — Parte Geral — FGV 2024
- Código
- fg075387
- Banca
- FGV
- Órgão
- AL-PR
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Procurador
- Aanulável.
- Binexistente.
- Cnula.
- Dverificada.
- Ependente.
GabaritoD — verificada.
Gabarito: letra D. No contrato, a cláusula estabelecia uma condição suspensiva (aquisição das cotas após um ano, caso nenhum restaurante concorrente abrisse). O devedor da obrigação de compra (Sociedade Divino) deliberadamente abriu um restaurante para frustrar a condição e se livrar do negócio. Pelo CC, art. 129, se o devedor obsta maliciosamente o implemento da condição, ela considera-se verificada para todos os efeitos – mesmo que objetivamente não tenha ocorrido. Portanto, a condição deve ser tida como verificada.
A banca testa a distinção entre as figuras do devedor e credor na condição, e a consequência jurídica da má-fé.
Critério | Condição suspensiva (art. 129 CC) | Condição resolutiva | Condição ilícita/impossível |
|---|---|---|---|
Natureza | Suspende a aquisição do direito até o implemento do evento futuro e incerto | Extingue o direito já adquirido quando o evento ocorre | Veda a validade do negócio jurídico |
Efeito do implemento maliciosamente obstado pelo devedor | Considera-se verificada (art. 129 CC) | Considera-se verificada (art. 129 CC) | Não se aplica (condição é nula) |
Consequência para o devedor | Obrigação torna-se pura e exigível | Direito do credor não se extingue | Negócio é nulo de pleno direito |
Exemplo no caso | Sociedade Divino abre restaurante para frustrar a compra das cotas → condição tida por realizada | Se a condição fosse resolutiva (ex.: "se abrir concorrente, perde o direito"), a abertura maliciosa também a consideraria verificada | Se a condição fosse ilícita (ex.: "se cometer crime"), seria nula, independentemente de má-fé |
Anulável não é o efeito. A condição é válida e eficaz, mas a lei a considera verificada em razão da conduta maliciosa. O negócio não é anulável; a condição é tratada como cumprida.
A condição existe e foi expressamente pactuada. Inexistente seria se não tivesse sido estipulada, o que não é o caso.
A condição não é nula. As condições lícitas e possíveis são plenamente válidas (CC, art. 122). A nulidade só incide sobre condições ilícitas ou impossíveis, o que não ocorre aqui.
Conforme o art. 129 do Código Civil, "Considera-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pelo devedor". A Sociedade Divino, como devedora da obrigação de comprar, agiu dolosamente para impedir o implemento da condição. Logo, a condição é tida por realizada.
A condição estava pendente (não implementada ainda), mas a conduta maliciosa do devedor a fez sair desse estado. A pendência cede lugar à verificação ficta. A alternativa ignora o efeito do art. 129.
O aluno pode achar que, como o fato (abertura de restaurante) realmente ocorreu, a condição não se cumpriu e o negócio caducou. No entanto, o Código inverte a lógica: quem age de má-fé para evitar o implemento sofre a consequência de ver a condição como realizada. O segredo é identificar quem é o devedor da prestação condicionada – aqui, o comprador – e que ele foi o autor do obstáculo.
Gabarito: letra D.
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