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Questão de Direito Constitucional — Intervenção Federal e Estadual — FGV 2024

Direito ConstitucionalIntervenção Federal e Estadual
Código
fg075629
Banca
FGV
Órgão
AL-SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo III - Direito
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o Município Alfa vinha descumprindo diversas obrigações previstas na Constituição da República, bem como alguns princípios indicados na Constituição Estadual.Determinado repórter, ao consultar um especialista na matéria em relação à possibilidade, ou não, desse estado de coisas acarretar a intervenção do Estado em Alfa, foi corretamente informado de que
  1. Aa intervenção é possível, mas sempre pressupõe o provimento de representação pelo Tribunal de Justiça.
  2. Ba intervenção espontânea é possível na hipótese de não prestação de contas devidas conforme os balizamentos estabelecidos em lei.
  3. Cé possível que a afronta aos princípios indicados na Constituição Estadual acarrete a decretação da intervenção em Alfa, o que será feito, de ofício, pelo Governador.
  4. Dsomente é necessário o provimento de representação, pelo Tribunal de Justiça, para a decretação da intervenção, no caso de recusa de cumprimento de ordem ou decisão judicial.
  5. Eem razão do escalonamento federativo, que impede a decretação de intervenção, pela União, em Alfa, somente a afronta a normas estaduais pode acarretar a intervenção.
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GabaritoB — a intervenção espontânea é possível na hipótese de não prestação de contas devidas conforme os balizamentos estabelecidos em lei.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intervenção estadual em municípios

Gabarito: letra B. A intervenção do Estado em seus Municípios é medida excepcional, prevista taxativamente no art. 35 da Constituição Federal. Dentre as hipóteses, há casos de intervenção espontânea (decretada de ofício pelo Governador) e casos provocados (que dependem de provimento de representação pelo Tribunal de Justiça). A alternativa B está correta porque a não prestação de contas devidas (art. 35, II) é uma hipótese de intervenção espontânea, independentemente de provocação judicial.

Art. 35CF/88

Art. 35 — O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando:

I — deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada;

II — não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;

III — não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde;

IV — o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial.

Os incisos I, II e III autorizam a intervenção de ofício pelo Governador; o inciso IV exige provocação e provimento do Tribunal de Justiça.


Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a intervenção sempre pressupõe provimento de representação pelo TJ. Isso é falso, pois as hipóteses dos incisos I, II e III dispensam qualquer representação judicial. A representação só é exigida no caso do inciso IV.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A não prestação de contas (inciso II) é hipótese de intervenção espontânea. O Governador pode decretá-la independentemente de provocação, bastando que as contas deixem de ser prestadas na forma da lei. A alternativa menciona "balizamentos estabelecidos em lei", que corresponde à expressão "na forma da lei" do dispositivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afronta a princípios indicados na Constituição Estadual está prevista no inciso IV, que exige provimento de representação pelo Tribunal de Justiça. Não é uma intervenção "de ofício" pelo Governador, como afirma a alternativa. Portanto, o erro está em dizer que será feita de ofício.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que "somente" é necessária representação no caso de recusa de cumprimento de ordem ou decisão judicial. No entanto, o inciso IV também exige representação para assegurar princípios constitucionais estaduais. A palavra "somente" torna a assertiva incorreta, pois a representação é necessária em ambas as situações abrangidas pelo inciso IV (princípios e execução de lei/ordem/decisão).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A intervenção no Município Alfa é de competência do Estado, não da União. Embora seja verdade que a União não pode intervir em municípios localizados em Estados-membros (exceto em Território Federal), a conclusão de que "somente a afronta a normas estaduais pode acarretar a intervenção" é falsa. As hipóteses dos incisos I, II e III do art. 35 baseiam-se em normas federais (dívida fundada, prestação de contas, aplicação de percentuais mínimos), que são de observância obrigatória pelos municípios. A intervenção pode ser motivada tanto por normas estaduais quanto federais.


Gabarito: letra B.

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