Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FGV 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
fg076085
Banca
FGV
Órgão
AL-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Legislativo - Medicina
Paciente do sexo masculino, 73 anos, procura atendimento médico com relato de episódios de síncope. Ausculta cardíaca se caracteriza por sopro sistólica em crescendo-descrescendo na borda esternal direita alta e no terceiro espaço intercostal na borda esternal esquerda, irradiando para os dois lados do pescoço.Esse sopro é característico de
Ainsuficiência aórtica.
Binsuficiência mitral.
Cinsuficiência tricúspide.
Destenose mitral.
Eestenose aórtica.
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GabaritoE — estenose aórtica.
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Estenose aórtica: o sopro sistólico de ejeção
Gabarito: letra E. O sopro sistólico em crescendo-decrescendo, localizado na borda esternal direita alta (foco aórtico) e irradiando para o pescoço, é a assinatura auscultatória clássica da estenose aórtica — a obstrução da valva aórtica gera turbulência sistólica que se propaga ao longo das carótidas. O quadro clínico do paciente (idoso, 73 anos, com síncope) reforça o diagnóstico, pois a síncope é uma das manifestações clássicas da estenose aórtica grave.
A estenose aórtica é o estreitamento do orifício da valva aórtica, que dificulta a ejeção do sangue do ventrículo esquerdo para a aorta durante a sístole. Essa obstrução cria uma barreira ao fluxo sanguíneo, gerando turbulência que se manifesta como um sopro. O mecanismo é o de um "sopro por barreira": o sangue, ao passar por um orifício estreitado, torna-se turbulento e produz o som característico.
O sopro da estenose aórtica tem características semiológicas muito específicas que o distinguem dos demais:
Sede: foco aórtico (2º espaço intercostal direito, junto ao esterno) e foco aórtico acessório (3º espaço intercostal esquerdo).
Tempo: sistólico (ocorre durante a sístole, quando o sangue é ejetado).
Configuração: em crescendo-decrescendo (formato de diamante), típico dos sopros de ejeção.
Irradiação: para o pescoço, seguindo o trajeto das artérias carótidas — exatamente o que o enunciado descreve.
Timbre: rude, granuloso.
A síncope no paciente idoso com estenose aórtica é um sintoma de alarme, indicando estenose grave. O mecanismo é a incapacidade do coração de aumentar o débito cardíaco durante o esforço, levando à hipoperfusão cerebral. A tríade clássica da estenose aórtica grave é: dor torácica, dispneia aos esforços e síncope.
A chave para diferenciar os sopros está em três eixos: o tempo (sistólico ou diastólico), a localização (foco de base ou de ponta) e a irradiação. A banca explora exatamente a confusão entre estenose (dificuldade de abrir, sopro sistólico) e insuficiência (dificuldade de fechar, sopro diastólico), e entre os focos de base (aórtico e pulmonar) e de ponta (mitral e tricúspide).
Sopro sistólico em crescendo-decrescendo: Foco aórtico (2º EICD); Foco aórtico acessório (3º EICE); Irradiação para o pescoço; Estenose aórtica
Alternativa A — ❌ Incorreta
A insuficiência aórtica produz um sopro diastólico, não sistólico. O refluxo de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo ocorre durante a diástole, gerando um sopro aspirativo, decrescente, que se irradia para o 3º espaço intercostal esquerdo (foco aórtico acessório). A alternativa erra ao descrever um sopro sistólico, que é característico de estenose, não de insuficiência.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A insuficiência mitral produz um sopro sistólico, porém com características diferentes: é pansistólico em platô (não em crescendo-decrescendo), localizado no foco mitral (5º espaço intercostal esquerdo, linha hemiclavicular) e irradia para a axila esquerda, não para o pescoço. A localização e a irradiação descritas no enunciado (borda esternal direita alta e pescoço) são incompatíveis com a insuficiência mitral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A insuficiência tricúspide produz um sopro sistólico no foco tricúspide (4º-5º espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno), que aumenta com a inspiração (manobra de Rivero-Carvallo). Não se irradia para o pescoço e não tem configuração em crescendo-decrescendo. A localização na borda esternal direita alta é típica do foco aórtico, não do tricúspide.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A estenose mitral produz um sopro diastólico (em ruflar, com reforço pré-sistólico), localizado no foco mitral (5º espaço intercostal esquerdo), irradiando para a axila. É um sopro diastólico, não sistólico, e não se irradia para o pescoço. A alternativa confunde o mecanismo de estenose (que gera sopro sistólico na valva aórtica, mas diastólico na mitral) com a localização.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A estenose aórtica é a única alternativa que corresponde exatamente à descrição: sopro sistólico em crescendo-decrescendo (configuração de diamante, típica dos sopros de ejeção), localizado no foco aórtico (borda esternal direita alta) e no foco aórtico acessório (3º espaço intercostal esquerdo), com irradiação para o pescoço ao longo das carótidas. O paciente idoso com síncope reforça o diagnóstico, pois a síncope é uma manifestação clássica da estenose aórtica grave.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre estenose e insuficiência valvar. Lembre-se: estenose = dificuldade de abrir = sopro sistólico (na valva aórtica); insuficiência = dificuldade de fechar = sopro diastólico (na valva aórtica). As alternativas A, B e C descrevem sopros sistólicos ou diastólicos em localizações erradas, tentando induzir o candidato a confundir o mecanismo.
PEGA ESSA DICA!
Para sopros, monte um mapa mental com três eixos: tempo (sistólico/diastólico), localização (foco de base/ponta) e irradiação. A estenose aórtica é o sopro sistólico de base que irradia para o pescoço; a insuficiência aórtica é o diastólico de base que irradia para o 3º EICE; a estenose mitral é o diastólico de ponta que irradia para a axila; a insuficiência mitral é o sistólico de ponta que irradia para a axila.